Tema: EXPERIÊNCIAS DOS COSEMS
Autor(a)
Maria Fátima Ferreira de Oliveira
Coautor(es)
Maria Auxiliadora Bessa Santos
Liwanna Yakima Amorim Pereira
Kátia Cilene Andrade C. Mesquita
Joseli Martins de Oliveira
Patricia de Souza Fraga
Francisco Frota de Vasconcelos
A Febre do Oropouche é uma doença causada por um arbovírus do gênero Orthobunyavirus, da família Peribunyaviridae. O Orthobunyavirus oropoucheense foi isolado pela primeira vez no Brasil em 1960, a partir de amostra de sangue de um bicho-preguiça capturado durante a construção da rodovia Belém-Brasília. Desde então, casos isolados e surtos foram relatados no Brasil, principalmente nos estados da região Amazônica e do Nordeste. A transmissão da FO é feita principalmente pelo inseto Culicoides paraensis. Depois de picar uma pessoa ou animal infectado, o vírus permanece no inseto por alguns dias. Quando o inseto pica uma pessoa saudável, pode transmitir o vírus. No Ceará o primeiro caso da doença foi confirmado pela Secretaria da Saúde do Ceará em 21/06/2024 no município de Pacoti, este, pertencente à COADS-Baturité que é composta por 8 municípios (Aracoiaba, Aratuba, Baturité, Capistrano, Guaramiranga, Itapiúna, Mulungu e Pacoti). A população é de 134.499 hab.(IBGE,2022). A confirmação do caso ocorreu por meio da investigação laboratorial, através do Laboratório Central de Saúde Pública ao analisar a amostra de um caso suspeito de dengue e chikungunya, cujos resultados dos exames foram não detectáveis para DENV, ZIKV e CHIKV.
- Apresentar os casos confirmados nos municípios que compõem a COADS-Baturité-CE, no período de 2024 e 2025. - Identificar os desafios enfrentandos nos 08 municípios da COADS-Baturité.
A metodologia foi um estudo descritivo, a partir das fichas de investigação, através do Sistema de Informações de Agravos de Notificação - SINAN e sistema Gerenciador de Ambiente Laboratorial - GAL. O material do estudo constitui-se de 218 casos confirmados, analisados no período de 2024 a 2025.
• Detecção e diagnóstico: Devido à semelhança dos sintomas da febre oropouche com outras arboviroses, como dengue e chikungunya, há dificuldades na identificação precisa da doença. • Controle do vetor: O mosquito maruim se desenvolve em locais com acúmulo de matéria orgânica, como beiras de lagos, pequenos igarapés, rios, acúmulo de folhas e raízes, poças de água, sistemas de esgotos, túneis de drenagem e buracos em árvores, tornando o controle mais complexo. • Expansão geográfica: A possibilidade de disseminação para outras regiões serranas do estado e exige vigilância contínua. • Engajamento Comunitário: É fundamental promover campanhas educativas para conscientizar a população sobre medidas preventivas, como o uso de roupas que cubram a maior parte do corpo e a aplicação de repelentes, além de manter os ambientes limpos para evitar criadouros de mosquitos. • Infraestrutura de Saúde: Garantir que as unidades de saúde estejam preparadas para atender aos casos suspeitos e confirmados, oferecendo suporte adequado aos pacientes e realizando o monitoramento contínuo da situação epidemiológica.
Conclui-se que a Febre Oropouche continua sendo um desafio para a saúde pública, visto que o controle vetorial e o manejo ambiental exigem ações intersetoriais e específicas para reduzir as proliferações do vetor. A educação em saúde, envolvimento popular e a vigilância em saúde são imprescindíveis à redução de risco e danos à saúde coletiva.