Tema: MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE
Autor(a)
Erlênia Cartaxo de Souza
Coautor(es)
Waleska Esteves Batista Meneses
Emmanuela Carvalho Fonseca
Rebeca de Almeida Souza Meneses Matias
A inserção do Dispositivo Intrauterino (DIU) enfrenta barreiras significativas em áreas rurais ou remotas, onde a longa distância entre a residência das mulheres e os centros de saúde especializados torna o acesso um desafio. Essa limitação geográfica, muitas vezes agravada pela escassez de transporte público e custos de deslocamento, impede que mulheres em regiões periféricas exerçam plenamente seus direitos reprodutivos. A experiência da descentralização do planejamento familiar com ênfase na inserção do DIU foi implantada no município de Cascavel-Ce no ano de 2024, visando trazer equidade para as mulheres da região litorânea e sertão onde as dificuldades geográficas e socioeconômicas desencadeiam um alto absenteísmo na inserção do DIU, bem como um aumento nas taxas de gravidez indesejada.
Geral Descentralizar o serviço de inserção do DIU para os distritos, garantindo o direito ao planejamento reprodutivo no território de residência da usuária. • Específicos: • Capacitar enfermeiros da Atenção Primária • Reduzir a fila de espera centralizada • Aumentar a prevalência de métodos contraceptivos de longa duração (LARC) em populações vulneráveis.
A estratégia foi orientada pelo mapeamento das zonas rurais e litorâneas conjuntamente com os ACS a fim de identificar e delimitar as barreiras naturais, principalmente quando se pensa em distância, onde há uma grande restrição do fluxo de transporte, permitindo entender o impacto prevalente. A implantação seguiu quatro etapas: 1. Capacitação Teórico-Prática: Treinamento de enfermeiros do centro de atenção à saúde da mulher para realizar inserção itinerante nos distritos mais distantes seguindo a Resolução COFEN 690/2022. 2. Adequação Logística: organização dos kits para levar até as comunidades, bem como materiais para realização de testes rápido disponíveis no município. 3. Fluxo de Atendimento: Realização de grupos de planejamento familiar com a equipe das UBS locais, triagem clínica e inserção na própria comunidade. 4. Monitoramento: Criação de uma agenda de retornos e busca ativa de mulheres interessadas via Agentes Comunitários de Saúde.
Foram realizadas mais de 50 inserções de DIU em áreas de difícil acesso considerando a distância um dos maiores fatores no ano de 2025, com capacitação de 2 enfermeiras para dar suporte nas revisões e implantação do dispositivo, tendo como meta para esse ano, treinar o máximo de profissionais de enfermagem das UBS nos distritos mais remotos. • Acesso Facilitado: Eliminação da necessidade de transporte para inserção de DIU de rotina. • Aumento na Cobertura: Elevação expressiva no número de dispositivos inseridos em comparação ao modelo centralizado. • Redução do Absenteísmo: Queda nas faltas aos procedimentos, uma vez que o serviço passou a ocorrer próximo ao domicílio e trabalho das usuárias. • Empoderamento: Fortalecimento do vínculo entre a equipe de saúde e as mulheres da comunidade.
A descentralização em Cascavel-CE demonstra que a Atenção Primária é o local ideal para o planejamento reprodutivo. A experiência prova ser sustentável e eficaz, servindo de modelo para outros municípios que buscam reduzir as desigualdades em saúde entre a sede e a zona rural, garantindo autonomia, equidade e dignidade às mulheres cearenses. A experiência evidencia o papel estratégico da rede de atenção em saúde e articulação da atenção primária com os demais pontos na garantia dos direitos reprodutivos, produzindo acesso equitativo, autonomia das mulheres e reorganização no cuidado em cada distrito. Impacto indireto: • Redução de gravidez não planejada • Autonomia das mulheres • Ampliação do cuidado longitudinal.