Autor(a)
Dennis Diderot Fontinele Catunda Melo
Coautor(es)
Juracir Bezerra Pinho
Michelle Hoara Rodrigues Santos
Meirielyn dos Santos Lopes
Caroline Rodrigues de Carvalho
Edypo de Sousa Carlos
Dilene Fontinele Catunda Melo
As tecnologias leves são ferramentas baseadas em relações interpessoais que envolvem acolhimento, vínculo, autonomização e gestão, permitindo otimizar processos de trabalho e aprimorar a governança de serviços. No contexto da Vigilância Sanitária, a aplicação dessas tecnologias pode promover maior eficiência na fiscalização, tornando as ações mais céleres e assertivas. Conforme a Lei 8.080/90, a Vigilância Sanitária compreende um conjunto de medidas destinadas a prevenir riscos à saúde e intervir em problemas sanitários relacionados ao meio ambiente, à produção e circulação de bens e à prestação de serviços de interesse à saúde. No primeiro semestre de 2024, a Vigilância Sanitária (VISA) de Crateús recebeu uma reclamação do Ministério Público sobre a situação sanitária da Feira Livre do município, exigindo uma resposta ágil e eficaz. Diante da limitação da equipe disponível, houve a necessidade de estruturar processos mais eficientes, levando ao desenvolvimento de uma tecnologia leve voltada para a inspeção de açougues, garantindo uma resposta oportuna dentro dos prazos estabelecidos.
O presente relato tem como objetivo descrever a criação e implementação de uma tecnologia leve nos processos gerenciais da Vigilância Sanitária de Crateús, evidenciando sua influência na otimização e agilidade das ações fiscalizatórias. Além disso, busca-se demonstrar como essa metodologia pode fortalecer a organização do trabalho e qualificar a tomada de decisão dos agentes sanitários.
Para o desenvolvimento da tecnologia leve, foi promovida uma oficina em agosto de 2024, com a participação das residentes da Vigilância em Saúde e da equipe técnica da VISA municipal. A partir desse encontro, foi elaborado um roteiro de inspeção de açougues baseado na Lei Municipal Nº 764/2019, que dispõe sobre a regulamentação do transporte, armazenagem e comercialização de carnes no município de Crateús. O roteiro foi estruturado com base nos principais riscos sanitários e categorizado em quatro tipos de resposta: "sim" (conforme boas práticas), "não" (não atendido), "não se aplica" (não pertinente ao estabelecimento) e "não observado" (não verificado no momento da inspeção). Essa padronização permitiu sistematizar a coleta de dados e facilitar a análise das condições sanitárias dos estabelecimentos inspecionados.
A Vigilância Sanitária de Crateús conta com três equipes, cada uma composta por dois agentes. Com a adoção do roteiro padronizado, foi possível inspecionar 30 açougues em uma única manhã, algo que anteriormente demandaria mais tempo e recursos. Essa abordagem possibilitou responder à demanda do Ministério Público dentro do prazo estipulado, ao mesmo tempo que revelou desafios estruturais e a necessidade de capacitação contínua para os responsáveis pelos estabelecimentos. Além disso, identificou-se a importância de estabelecer parcerias estratégicas com setores intersetoriais e promover ações educativas para conscientizar comerciantes e consumidores sobre a relevância das boas práticas sanitárias. Como desdobramento, planejou-se uma força-tarefa voltada para a reestruturação sanitária da Feira Livre de Crateús, visando minimizar os riscos à saúde pública.
A experiência demonstrou que o desenvolvimento de uma tecnologia leve pode ser uma solução eficaz para aprimorar o trabalho da Vigilância Sanitária, tornando as inspeções mais organizadas e ágeis. O roteiro de inspeção estruturado permitiu que os agentes concentrassem esforços em um tipo específico de estabelecimento, garantindo maior precisão na identificação de inconformidades e uma resposta rápida às demandas externas. Além disso, a construção dessa ferramenta foi embasada no conhecimento técnico dos profissionais locais e na legislação municipal vigente, reforçando a autonomia e qualificação da equipe. A implementação desse modelo pode ser replicada em outros segmentos da vigilância, contribuindo para uma gestão sanitária mais eficiente e responsiva às necessidades da população.