Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
ANTONIO ERISBERTO ALVES
Coautor(es)
MARIA RAFAELA FERREIRA DOS SANTOS
IRACEMA GONÇALVES ARAÚJO OLIVEIRA
MÁRCIO CARVALHO FONTENELE
FRANCISCO EDVANDO DE ARAÚJO ARAGÃO
No município de Granja–CE, a organização do cuidado pré-natal na Atenção Primária à Saúde (APS) enfrentava importantes desafios, como elevada demanda espontânea nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), dificuldade na identificação precoce de riscos gestacionais e fragilidades na articulação com a Rede de Atenção à Saúde. Esse cenário comprometia a priorização adequada das gestantes conforme sua complexidade clínica e social, impactando a resolutividade da APS e a coordenação do cuidado materno-infantil. Granja-CE é um município de médio porte do interior do Ceará, com rede de APS estruturada por equipes da Estratégia Saúde da Família distribuídas em território urbano e rural. A experiência foi executada nas UBS do município, no período de 2025, tendo como público-alvo gestantes acompanhadas pela APS, além das equipes multiprofissionais, ambulatório especializado de pré-natal de alto risco (PNAR), envolvidas no pré-natal. A implementação da estratificação de risco gestacional foi motivada pela necessidade de reorganizar o processo de trabalho, qualificar o acompanhamento longitudinal e fortalecer a APS como ordenadora da rede. Fundamentou-se nas diretrizes do SUS e do Ministério da Saúde para o cuidado materno-infantil, incorporando critérios clínicos, obstétricos e sociais na classificação em risco habitual, intermediário e alto risco. A estratégia buscou garantir identificação precoce de vulnerabilidades, definição de fluxos assistenciais regulados e integração efetiva com a atenção especializada, contribuindo para maior equidade, segurança clínica e redução da morbimortalidade materno-infantil.
Objetivo Geral: Organizar e qualificar o cuidado pré-natal na Atenção Primária à Saúde de Granja-CE, por meio da implementação da estratificação de risco gestacional, fortalecendo a integração entre acolhimento, acompanhamento longitudinal e articulação em rede, com vistas à redução da morbimortalidade materno-infantil. Objetivos Específicos: • Manter protocolo municipal de estratificação de risco gestacional nas UBS • Padronizar o acolhimento e a classificação de risco das gestantes no primeiro contato • Qualificar o acompanhamento das gestantes conforme o nível de risco identificado • Fortalecer o fluxo de referência e contrarreferência com a Rede de Atenção à Saúde • Monitorar indicadores materno-infantil para subsidiar decisões da gestão da APS • Promover educação permanente das equipes para consolidar a prática na rotina assistencial.
A experiência foi implementada pela Coordenação da Atenção Primária à Saúde de Granja-CE como estratégia institucional para qualificar o cuidado pré-natal nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), integrando acolhimento, estratificação de risco e articulação em rede. O percurso metodológico iniciou-se com diagnóstico situacional dos indicadores materno-infantis do município, identificando fragilidades no acompanhamento das gestantes e na comunicação com a Rede de Atenção à Saúde. A partir disso, foi elaborado e validado protocolo municipal de estratificação de risco gestacional, baseado nas diretrizes do Ministério da Saúde, classificando as gestantes em risco habitual, intermediário e alto risco. Foram realizadas oficinas de educação permanente com médicos, enfermeiros e Agentes Comunitários de Saúde, padronizando o fluxo de acolhimento, avaliação clínica inicial e registro no e-SUS PEC. Implantou-se checklist estruturado para identificação precoce de fatores de risco e definição do plano de cuidado. O fluxo assistencial passou a prever: acolhimento qualificado na UBS, classificação de risco no primeiro atendimento, definição da periodicidade de consultas conforme estrato, acompanhamento compartilhado com a Atenção Especializada nos casos de alto risco e monitoramento sistemático pela gestão da APS. Como instrumentos, utilizaram-se protocolo impresso e digital, planilha de monitoramento mensal, indicadores do SISAB, reuniões técnicas periódicas e articulação com a Central de Regulação e maternidades de referência. A execução ocorreu em etapas: (1) planejamento e elaboração do protocolo (2) capacitação das equipes (3) implantação nas UBS (4) monitoramento contínuo dos indicadores (5) avaliação e ajustes operacionais. A estratégia integrou APS e rede especializada, fortalecendo a coordenação do cuidado e a decisão baseada em dados. Como inovação, a contratação de ginecologista-obstetra garantiu 100% de cobertura às gestantes de alto risco, com registro compartilhado do PNAR no e-SUS PEC, assegurando integração em tempo real e condutas oportunas.
A experiência qualificou o pré-natal e fortaleceu a gestão baseada em dados na APS. Entre setembro e dezembro de 2025, foram acompanhadas 1.374 gestantes, com monitoramento mensal sistemático e análise contínua de indicadores assistenciais e gerenciais (SESA SMS, 2026). A estratificação identificou 73% de risco habitual, 12% intermediário e 16% alto risco, permitindo organizar agendas assistenciais por grau de complexidade e definir planos de cuidado específicos e oportunos (SESA SMS, 2026). A classificação precoce ampliou a resolutividade da APS nos casos de risco habitual e assegurou o acompanhamento compartilhado dos casos de alto risco, qualificando a ordenação da Rede de Atenção à Saúde. A integração com as equipes multiprofissionais potencializou os resultados por meio de apoio matricial, atendimentos compartilhados, elaboração de Projetos Terapêuticos Singulares, ações educativas e acompanhamento nutricional, psicológico e social, fortalecendo a integralidade do cuidado (e-SUS/PEC,2025). A análise por raça/cor evidenciou predominância de gestantes pardas (91,8%), subsidiando ações com enfoque na equidade, vigilância territorial e cuidado centrado nas vulnerabilidades locais, alinhado à realidade epidemiológica municipal e às diretrizes da APS, (SESA SMS, 2026). Resultados assistenciais e gerenciais: Redução de encaminhamentos desnecessários à atenção especializada, qualificação dos fluxos de referência e contrarreferência, ampliação da segurança clínica, redução do sofrimento psíquico, apoio a gestantes em situação de vulnerabilidade social, fortalecimento do vínculo entre equipe e usuárias e preparo para o parto e o puerpério (SMS, 2026). Redução da mortalidade infantil, alcançando 6,99 por mil nascidos vivos em 2025, a menor taxa da série histórica do município, evidenciando os efeitos da reorganização do processo de trabalho e da consolidação da APS, articulada às equipes eMulti, como coordenadora do cuidado materno-infantil (SIM/202
A implementação da estratificação de risco gestacional em Granja–CE qualificou o pré-natal na Atenção Primária à Saúde, reorganizou o processo de trabalho das equipes e fortaleceu a coordenação do cuidado em rede. A classificação precoce das gestantes, aliada ao monitoramento sistemático dos indicadores, ampliou a resolutividade da APS, reduziu encaminhamentos desnecessários, qualificou os fluxos de referência e contrarreferência e contribuiu para a redução da mortalidade infantil no município. Os resultados demonstram o alcance dos objetivos propostos: padronização do acolhimento, implantação do protocolo municipal, qualificação do acompanhamento conforme o nível de risco, fortalecimento da articulação com a rede especializada e incorporação da gestão baseada em dados na rotina da APS. Como aprendizados, destacam-se a importância da educação permanente, do monitoramento contínuo e do compromisso institucional para consolidar mudanças no processo de trabalho. Recomenda-se a manutenção do protocolo, o acompanhamento sistemático dos indicadores e o fortalecimento da integração com a rede materno-infantil. A experiência mostrou-se viável, sustentável e potencialmente replicável em outros municípios de porte semelhante, alinhada aos princípios de integralidade, equidade e ordenação do cuidado no SUS.