Autor(a)
Antonio Diego Abreu de Paula
Coautor(es)
Francisco Erivam Lucas
Islayne de Faátima Costa Ramos
Cristina Cavalcante Silva
A Doença renal crônica - DRC apresenta-se como um problema de saúde pública crescente, com uma prevalência alta no mundo e tem como principais doenças de base Hipertensão Arterial Sistêmica - HAS e o Diabetes Mellitus– DM, pode ser diagnosticada através da taxa de filtração glomerular – TFG que mede a capacidade dos rins de filtrarem o sangue. O diagnóstico está classificado em 5 estágios sendo os três primeiros acompanhados e controlados na atenção básica - AB, os estágios mais graves no serviço especializado, o quinto estágio, considerado falência renal, com indicação de terapia renal substitutiva, que resulta em grande sofrimento para o paciente, bem como elevados gastos e sobrecarga para o sistema de saúde (BRASIL, 2014). No Brasil, os usuários do SUS portadores de DM e HAS são acompanhados sistematicamente através das Equipes de Saúde da Família - ESF, porém percebe-se uma lacuna quanto à atenção e prevenção de problemas renais muito comuns nesse público. Vale ressaltar que a detecção precoce exerce papel fundamental na qualidade de vida e sucesso do tratamento da DRC. Nesse contexto, foi implementado em Canindé CE) no ano 2020, um projeto da Secretaria Municipal de Saúde em parceria com o Centro de Nefrologia de Canindé (CNC) que consiste na realização de exames de creatinina e avaliação da TFG em usuários assistidos pelo Programa Hiperdia, possibilitando assim, o diagnóstico precoce o que torna viável o controle da evolução da doença para estágios de falência renal.
GERAL Diagnosticar precocemente a Doença Renal Crônica em pacientes do grupo de risco na Atenção Básica. ESPECÍFICOS Diminuir a incidência de pacientes portadores de DRC em Terapia Renal Substitutiva. Despertar no Ministério da Saúde a inclusão de exame de creatinina, sumário de urina e monitoramento da taxa de filtração glomerular como uma rotina semestral do programa Hiperdia. Acompanhar sistematicamente pacientes diagnosticados com DRC tanto na atenção primária quanto na secundária, evitando a evolução da doença e a falência renal. Comprovar a importâncias de ações preventivas visando a integralidade e intersetorialidade do atendimento.
O projeto foi dividido em duas etapas visando avaliar fatores de risco e diagnóstico da DRC com seus respectivos estágios no público alvo - todos os indivíduos acompanhados no programa HIPERDIA, observando-se o aspecto voluntário de comparecer à unidade de saúde no dia do atendimento. Inicialmente, foram selecionadas as 04 Unidades Básicas de Saúde - UBS com maior público no programa (Conjunto Habitacional, Alto Guaramiranga, São Francisco e João Paulo II). Na primeira etapa, foram realizadas reuniões com os profissionais para alinhamento das atividades nas UBS’s onde iria acontecer a ação, a reunião ocorria dias antes da execução das ações para que enfermeiros e agentes de saúde tivessem tempo para convocar o público alvo. No dia da ação colaboradores do CNC realizaram uma palestra explicativa sobre a DRC para todos os participantes, esclarecendo a importância da prevenção e tratamento, em seguida os mesmos foram submetidos à mensuração de peso, altura, pressão arterial sistêmica- HAS, glicemia e efetuada a coleta de sangue para dosagem da creatinina. Na segunda etapa do projeto, de posse dos resultados de exames laboratoriais, a equipe do CNC calcula a TGF e a classificação dos diagnosticados com DRC e seus respectivos estágios, enviando a devolutiva para a UBS com relação de pacientes diagnosticados entre 1º e 3º estágios para acompanhamento na própria unidade e, diagnosticados em 4º e 5º estágios já com data agendada para iniciar acompanhamento com o nefrologista do CNC.
Dos 3.257 participantes do programanas 4 unidades de saúde que preenchiam os critérios de inclusão, 1238 (38%) compareceram e foram avaliados, a média de idade foi de 61 anos, destes, 355 eram homens (29%) e 883 mulheres (71%). Desse universo, 838, (68%) portadores de HAS, 147 eram diabéticos (12%) e 253 portadores de HAS e DM correspondendo a 20% da amostra. Quanto aos diagnósticos, dentre todos os analisados, 591 (48%) apresentaram resultados dentro dos padrões de normalidade. Contudo, 250 (20%) apresentam-se em estágio 1 da DRC com TGF > 90 mL/min/1,73m2 215 pacientes em estágio 2 com TFG de 60 a 89 mL/min/1,73m2, , o que representa 17% 161 (13%) em estágio 3 com TFG de 30 a 59 mL/min/1,73m2) e ainda 21 participantes em estágio 4 com TFG de 15 a 29 mL/min/1,73m2 que representa (2%) do público avaliado. Não foi diagnosticado nenhum paciente em estágio 5. De acordo com os números apresentados, observarmos a existência de 52% da população total da amostra com algum tipo de acometimento renal e destes 21 participantes em estágio considerado crítico o que aponta para a gravidade da problemática. Certamente, intervenções preventivas e assistenciais nesse público, impactariam positivamente na prevenção e sobretudo evitariam o agravamento de portadores de DRC até então não identificados.
Conforme observado nos resultados, os elevados índices de alterações na TGF entre os avaliados mostram a relevância de ações intersetoriais visando a integralidade do atendimento. Constatou-se que a existência e agravamento da DRC no público considerado mais vulnerável é realmente um problema de altíssima complexidade, que exige abordagens múltiplas dos serviços de saúde. Diante disso, a experiência apresentada aponta para a necessidade de maior atenção para este público e quem sabe a inclusão de protocolo específico incluindo o exame de creatinina e o cálculo da taxa de filtração glomerular como uma das rotinas de acompanhamento no HIPERDIA, são ações de baixo custo e de alta eficácia que favorecem o diagnóstico precoce da DRC para um acompanhamento mais preciso e principalmente evitam a progressão da doença para a falência renal. Espera-se que estudos comprobatórios como este despertem nas entidades de saúde de nosso país a necessidade de ações que mantenham a atenção básica vigilante quanto a importância da detecção da DRC precocemente.