Autor(a)
ALINI PONTES CAVALCANTE
Coautor(es)
JOAO ALBERTO RIBEIRO CAVALCANTE JUNIOR
ANTONIA LETICIA XIMENES DE OLIVEIRA
Crianças e adolescentes são sujeitos de direitos, prioridade absoluta no Sistema Único de Saúde (SUS), mediante a atenção integral que pressupõe o acesso universal e igualitário aos serviços nos três níveis da atenção à saúde. Na atenção primária à saúde existe a responsabilidade de trabalhar a prevenção dos agravos de saúde, da gestação aos 18 anos incompletos de vida, visando promover um ambiente facilitador à vida com condições dignas de existência e pleno desenvolvimento. Como forma de garantir o direito à saúde para crianças e adolescentes, além da Constituição Federal de 1988 e o SUS, podemos destacar o Estatuto da Criança e Adolescente, regulamentado pela Lei Nº 8.069, de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre a Proteção Integral. Assim, efetivar o direito à saúde perpassa por trabalhar a prevenção de agravos de saúde com adolescentes, pois trata-se de fase de descobertas, curiosidades, transformações física e emocional, alterações hormonais e questionamentos e dúvidas. É competência da rede de atenção básica, planejar parcerias de educação e saúde nas escolas, pois cada vez mais crianças e adolescentes, são vítimas de diversas violações de direitos. A Experiência relatada aconteceu com grupo de adolescente realizado na Escola de Ensino Fundamental Padre Bonfim, com alunos do 8º e 9º ano, no período de agosto de 2023 a junho de 2024, no município de Crateús - Ceará.
Geral: Relatar a experiência em um Grupo de educação em saúde com adolescentes realizado em Crateús - Ceará. Específicos: Identificar os impactos da prevenção em saúde para adolescentes Evidenciar a importância da educação em saúde intersetorial
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, utilizando o método relato de experiência, com caráter retrospectivo e descritivo da realização de um Grupo de educação em saúde do município de Crateús- Ceará. O Relato de experiência é um tipo de produção de conhecimento, tratando-se de uma vivência profissional, cuja característica principal é a descrição da intervenção com embasamento científico e reflexão crítica. O lócus da pesquisa foi o município de Crateús/CE, localizado a 350 quilômetros da capital Fortaleza/CE, com população de 76.390 mil habitantes, segundo o censo IBGE de 2022. A experiência relatada tem um recorte temporal de Agosto de 2023 a Junho de 2024, período de execução do grupo. O relato tem como base as vivências e percepções da profissional junto ao grupo de educação em saúde com adolescentes, no território da Unidades de Atenção Primária de Saúde (UAPS) Fátima I. Para construção desse relato utilizamos para a coleta de dados: ata de reuniões técnicas, registros dos planejamentos, registros das atividades, avaliações das ações, anotações em diário de campo e registros audiovisuais produzidos. Os aspectos éticos estão de acordo com a Resolução 466/2012 e a Resolução nº 510 de 07/04/2016, não sendo necessário aprovação em comitê de ética, pois não envolveu e comprometeu outros seres humanos.
A criação do grupo foi motivada pela realidade do território que é marcada por diversas expressões da questão social e de saúde. Assim, planejamos um cronograma de encontros quinzenais com alunos do 8º e 9º ano, com a média de 60 adolescentes. No total foram realizados de 22 encontros entre agosto de 2023 e junho de 2024. A equipe de facilitadores foi formada por Assistente Social, Nutricionista, Psicóloga e Profissional de Educação Física, pertencentes a Equipe Multiprofissional da Atenção Primária. No decorrer do projeto foram realizados 10 reuniões de planejamento, 20 acolhimentos, 5 encaminhamentos, 2 visitas domiciliares e 8 institucionais. Esse conjunto robusto de atividades ilustra o comprometimento com a efetividade e a personalização do atendimento. Notamos que foi possível gerar um espaço de confiança permitindo expressarem seus sentimentos, sem medo de julgamentos, citaram o sofrimento que já passaram e que passam, suas vivências, conflitos com a família, proporcionando reflexão e trocas de experiências com vistas a garantir um espaço de acolhimento às angústias e dúvidas. No decorrer dos encontros, através de metodologias ativas, foram abordados os seguintes temas: saúde mental, alimentação saudável, gênero, gravidez na adolescência, métodos contraceptivos, infecções sexualmente transmissíveis, bullying, proliferação do Aedes egypti, cultura de paz, Abuso e Exploração Sexual, Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e vacinas.
A atuação na promoção do cuidado e educação em saúde no grupo de adolescentes foi enriquecedor, uma vez que possibilitou uma maior aproximação para conhecer de perto seus anseios, medos e dúvidas, havendo a criação de vínculos e troca de conhecimentos entre residentes, profissionais e a comunidade. Os impactos foram positivos na vida dos adolescentes que relataram adquirir conhecimentos sobre sua saúde e tornarem multiplicadores, assim, evidencia a grandeza do trabalho deixando um legado. O estudo mostrou através do relato de experiência a função de um grupo dentro do âmbito escolar, descrevendo todo o cenário o qual foi trabalhado a formação do grupo e o quanto os profissionais de saúde engrandecem o aprendizado dos educandos no que diz respeito aa diversas expressões da questão social e de saúde. Salientamos o quanto é importante o fortalecimento do trabalho multiprofissional para resolução de demandas, a partir de uma visão ampliada do sujeito, mas que esta atuação perpassa por desafios (como por exemplo, falta de recursos, transporte, etc) que podem desmotivas e limitar os resultados.