Autor(a)
Oséias Soares Pereira
Coautor(es)
Larisse Araújo de Sousa
Danielli Mendes de Sousa
Letícia Reichel dos Santos
Marina Pereira Moita
A Estratégia de Saúde da Família (ESF), é responsável por identificar, compreender demandas, problemas ou necessidades de saúde e intervir nessas situações de forma resolutiva. É porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), se faz necessário que os trabalhadores da ESF tenham capacidade de escuta e escopo ampliado de ofertas para lidar com a complexidade de sofrimentos, adoecimentos, demandas e necessidades de saúde. O acolhimento é uma prática presente em todas as relações de cuidado, nos atos de receber e escutar as pessoas e intrínseca da ESF por ser desenvolvida por equipes multiprofissionais, desse modo, é importante que a demanda apresentada pelo usuário seja acolhida, escutada, problematizada e classificada por grau de prioridade pelos trabalhadores. Para potencializar o cuidado dos trabalhadores na ESF, a proposta da Educação Permanente em Saúde (EPS) possibilita uma estratégia de ensino-aprendizagem com ênfase nas situações-problema das práticas cotidianas de trabalho, Pode-se perceber que as dificuldades de classificação de risco apresentam-se como um desafio ainda não superado para efetivação do acolhimento humanizado e resolutivo preconizado pelo Ministério da Saúde. Diante do desafio de efetivar o processo de acolhimento com classificação de risco em um Centro de Saúde da Família (CSF) do município de Sobral(CE), a intervenção se propôs, em 2023, realizar oficinas de EPS sobre acolhimento com classificação de risco, com todos os trabalhadores do CSF.
OBJETIVO GERAL Efetivar o processo de acolhimento por meio da realização de oficinas de educação permanente sobre acolhimento com classificação de risco na Estratégia de Saúde da Família OBJETIVOS ESPECÍFICOS Favorecer a melhoria da satisfação dos usuários do SUS na ESF Promover melhor desempenho das funções inerentes aos trabalhadores da ESF Fortalecer as relações interpessoais entre membros das equipes e usuários do SUS.
A intervenção foi realizada em um CSF de Sobral (CE) com os trabalhadores. Foram realizadas duas oficinas, uma primeira com todas as categorias profissionais e outra apenas com recepcionistas, enfermeiras e técnicas de enfermagem que atuam diretamente no acolhimento e classificação de risco. Na primeira oficina participaram 45 trabalhadores e na segunda oficina 3 enfermeiras , uma enfermeira residente, 4 técnicas de enfermagem e 3 recepcionistas. Utilizou-se como metodologia na primeira oficina uma roda de conversa com exposição dos critérios clínicos e sociais de classificação de risco, seguido das discussões dos participantes e momento prático com classificação de risco de casos hipotéticos. Após a oficina foi realizado o monitoramento da prática, sendo o processo de trabalho acompanhado pelo gestor do por um período de dois meses. Neste período foram realizadas avaliações e planejamento estratégico por meio da matriz SWOT. A segunda oficina teve como fio condutor as fragilidades identificadas no processo de avaliação após a primeira oficina. Já a metodologia utilizada teve como orientação a abordagem participativa e ludicidade. As participantes receberam cartões com classificações em preto e branco e foram estimuladas a usar lápis de cor para pintar, classificando as situações de risco conforme a classificação definida pelo grupo, levando em consideração situações reais e hipotéticas apresentadas e esclarecidas as dúvidas.
Após as oficinas, o monitoramento e avaliação do processo de trabalho e com base no relato dos trabalhadores e usuários a estratégia de Educação Permanente sobre acolhimento com classificação de risco na ESF favoreceu a melhoria da satisfação dos usuários do SUS, promovendo melhor desempenho das funções inerentes aos trabalhadores e fortalecendo as relações interpessoais entre membros das equipes e usuários do SUS. Com a estratégia de discutir os casos e classificar os riscos, os profissionais envolvidos puderam elucidar dúvidas e aprimorar os conhecimentos de forma lúdica e participativa, estando mais aptos a realizar a classificação e exercer uma assistência mais resolutiva, humanizada e acolhedora. Com a efetivação do acolhimento com classificação de risco foi possível favorecer a gestão do tempo, a programação das agendas e o cuidado adequado da demanda espontânea como é orientado pelos protocolos municipais de organização do serviço.
Com o fortalecimento do processo de triagem e acolhimento realizado na ESF, possibilitou-se a organização do serviço para atendimento das necessidades crônicas de saúde e ações de promoção da saúde. Novas intervenções educativas devem ser realizadas e difundidas para fortalecimento do cuidado contínuo relacionado ao acolhimento, classificação de risco e organização do serviço da ESF.