Tema: MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE
autor(a)
Paula Giovanni Mororó Aragão Aragão
Apresentação A infância neuroatípica é marcada por desafios que atravessam o desenvolvimento motor, sensorial, cognitivo, comunicativo e social, impactando diretamente a forma como a criança interage com o mundo, aprende e participa de suas atividades cotidianas. Nesse cenário, a Terapia Ocupacional se configura como uma área essencial no cuidado integral, atuando não apenas nas dificuldades, mas principalmente na valorização das potencialidades de cada criança. O papel da Terapia Ocupacional na infância neuroatípica vai além da reabilitação. Trata-se de promover a participação ativa da criança em suas ocupações diárias — como brincar, se alimentar, se comunicar, aprender e conviver socialmente — respeitando suas singularidades, seu ritmo e sua forma única de perceber e responder aos estímulos do ambiente. Por meio de abordagens individualizadas e baseadas no brincar como principal ferramenta terapêutica, o terapeuta ocupacional favorece o desenvolvimento de habilidades motoras, sensoriais, cognitivas e socioemocionais. Além disso, atua diretamente na organização sensorial, na ampliação da autonomia e na construção de estratégias que possibilitem maior independência funcional no dia a dia. Outro aspecto fundamental da Terapia Ocupacional é o trabalho com a família e o contexto em que a criança está inserida. A orientação aos pais e cuidadores, bem como a adaptação de ambientes e rotinas, são ações essenciais para garantir que os ganhos terapêuticos se estendam para além do setting clínico, promovendo inclusão e qualidade de vida. Nesse sentido, a Terapia Ocupacional também se posiciona como mediadora entre a criança e os diferentes contextos sociais, como a escola e a comunidade, contribuindo para a construção de ambientes mais acessíveis, acolhedores e inclusivos. O presente trabalho compartilha a experiência desenvolvida no Clubinho Girassol, em Reriutaba-CE, um espaço voltado ao acolhimento e acompanhamento de crianças neurodivergentes e suas famílias.
Objetivo Geral: •Compreender como a Terapia Ocupacional contribui para ampliar as possibilidades de desenvolvimento na infância neuroatípica. Objetivos Específicos: 1.Promover o desenvolvimento das habilidades funcionais (motoras, sensoriais e cognitivas) em crianças neurodivergentes. 2.Fortalecer a participação social e a autonomia nas atividades do cotidiano. 3.Oferecer suporte e orientação às famílias, favorecendo a continuidade do cuidado no ambiente doméstico.
Trata-se de um relato de experiência com abordagem qualitativa, desenvolvido a partir da prática em Terapia Ocupacional no Clubinho Girassol, caracterizado como um recurso de saúde voltado ao atendimento de crianças neurodivergentes e apoio às suas famílias. As intervenções ocorreram de forma individual e em pequenos grupos, utilizando atividades lúdicas, sensoriais e funcionais, adaptadas às necessidades específicas de cada criança. Foram considerados aspectos como: •Integração sensorial •Coordenação motora fina e global •Comunicação e interação social •Autonomia nas atividades de vida diária Além disso, houve escuta ativa e orientação contínua aos pais, fortalecendo o vínculo entre família e processo terapêutico. O acompanhamento foi realizado com atenção a seis crianças, considerando suas evoluções ao longo do processo.
A partir das intervenções realizadas com as seis crianças acompanhadas, observou-se: •Melhora na autorregulação emocional, com redução de crises e maior tolerância a frustrações •Avanços na coordenação motora, especialmente em atividades de preensão, encaixe e organização corporal •Evolução na interação social, com maior iniciativa de contato e participação em atividades compartilhadas •Ampliação da comunicação, seja verbal ou por meios alternativos •Maior independência nas atividades diárias, como alimentação e organização de objetos •Fortalecimento do vínculo familiar, com pais mais seguros e participativos no desenvolvimento dos filhos. Esses resultados evidenciam o impacto positivo da Terapia Ocupacional quando realizada de forma contínua, individualizada e integrada ao contexto familiar.
A experiência no Clubinho Girassol demonstra que a Terapia Ocupacional é uma ferramenta potente na promoção do desenvolvimento infantil neuroatípico. Ao considerar as particularidades de cada criança e envolver a família no processo, é possível transformar desafios em oportunidades de descoberta e crescimento. Mais do que desenvolver habilidades, o trabalho terapêutico amplia possibilidades de participação, autonomia e inclusão, contribuindo para uma infância mais significativa e cheia de conquistas.