Autor(a)
Bruna Stênia Queiroz Melo
Coautor(es)
O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) impõe desafios emocionais significativos às mães, frequentemente associando-se a altos níveis de estresse, ansiedade e sintomas depressivos (Hayes & Watson, 2013). A ausência de suporte adequado pode comprometer sua saúde mental e a qualidade da interação com os filhos. Diante dessa realidade, o grupo terapêutico Acolher para Florescer foi implementado no Espaço Transformar, em Itatira-CE, para promover acolhimento, suporte psicológico e fortalecimento da rede de apoio. A iniciativa fundamenta-se na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), abordagem validada para o manejo de estresse e regulação emocional (Beck, 2020). Além disso, incorporou a auriculoterapia, técnica da Medicina Tradicional Chinesa que atua na redução da ansiedade, insônia e tensão emocional, promovendo maior equilíbrio psicoemocional. A combinação dessas abordagens auxilia na reestruturação cognitiva, no desenvolvimento de estratégias de enfrentamento e no fortalecimento da autoestima. Os impactos extrapolam o contexto individual, refletindo na relação mãe-filho e no ambiente familiar. O suporte emocional às mães favorece interações parentais mais responsivas, promovendo um desenvolvimento infantil mais equilibrado (Osborne et al., 2008). Assim, o grupo consolida-se como uma estratégia essencial para a saúde mental materna, demonstrando que cuidar de quem cuida é fundamental para a inclusão e o bem-estar de toda a família.
Geral: Proporcionar suporte terapêutico e emocional a mães atípicas, promovendo estratégias de enfrentamento, ressignificação de desafios e fortalecimento da saúde mental. Específicos: •Criar um espaço seguro para troca de experiências e apoio mútuo. •Reduzir o estresse e a sobrecarga emocional das participantes. •Desenvolver habilidades emocionais e cognitivas para enfrentamento das dificuldades do cotidiano. •Aplicar técnicas da TCC para ressignificação de pensamentos disfuncionais. •Promover maior senso de pertencimento e fortalecimento da rede de apoio entre as mães. •Utilizar a auriculoterapia como estratégia complementar para alívio do estresse, regulação emocional e bem-estar das participantes.
O grupo “Acolher para Florescer”, em andamento no Espaço Transformar (Itatira-CE), foi criado para oferecer suporte psicológico a mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), utilizando abordagens da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e auriculoterapia. Conduzido por uma psicóloga especialista em TCC, o grupo tem como objetivo reduzir o estresse materno, fortalecer a rede de apoio e promover estratégias de regulação emocional. A participação das mães é voluntária, mediante convite e aceite das interessadas. Os encontros ocorrem quinzenalmente, com duração de 1h30min, totalizando dez sessões, das quais quatro já foram realizadas. As atividades incluem psicoeducação sobre TEA e seus impactos emocionais, reestruturação cognitiva para modificação de pensamentos disfuncionais, além de práticas de regulação emocional, como respiração, mindfulness e relaxamento. A auriculoterapia tem sido aplicada para aliviar sintomas de estresse e ansiedade, promovendo bem-estar e equilíbrio emocional. A troca de experiências entre as mães fortalece a rede de apoio, permitindo um espaço de acolhimento e compreensão mútua. A coleta de dados ocorre por meio de relatos das participantes, observações qualitativas da psicóloga e questionários estruturados. A análise busca compreender os impactos do grupo na saúde mental das mães e na relação com seus filhos, evidenciando avanços na ressignificação de desafios e no desenvolvimento de estratégias mais saudáveis para o cotidiano.
Os encontros do grupo terapêutico “Acolher para Florescer” geraram mudanças significativas na vida das participantes, evidenciadas por relatos emocionantes e melhora na qualidade de vida. Os principais avanços observados incluem: •Redução do estresse e da sobrecarga emocional: as mães passaram a reconhecer e validar seus sentimentos, desenvolvendo formas mais saudáveis de lidar com as dificuldades. •Fortalecimento da rede de apoio: a troca de experiências criou laços entre as participantes, promovendo um sentimento de pertencimento e apoio mútuo. •Melhora na relação com os filhos: ao aprenderem a lidar com suas emoções, as mães relataram maior paciência e compreensão no convívio familiar. •Autoconhecimento e empoderamento: as participantes adquiriram maior consciência sobre seus limites e necessidades, permitindo-se momentos de autocuidado sem culpa. Os dados coletados nos questionários indicaram que 90% das participantes relataram melhora na sua saúde emocional, e 85% afirmaram sentir-se mais preparadas para enfrentar os desafios diários com seus filhos. Além disso, a auriculoterapia foi bem recebida pelo grupo, com muitas mães relatando benefícios na redução do estresse e na melhoria da qualidade do sono. O impacto do grupo também foi percebido indiretamente nas crianças, que passaram a ter mães emocionalmente mais equilibradas e presentes.
O grupo terapêutico “Acolher para Florescer” demonstrou ser uma ferramenta essencial para o suporte à saúde mental materna no contexto do TEA. A aplicação da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) possibilitou o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento, ressignificação de desafios e fortalecimento do suporte emocional entre as mães. Além disso, a auriculoterapia foi introduzida como um recurso complementar eficaz, promovendo o alívio do estresse, o equilíbrio emocional e o bem-estar geral das participantes. A experiência confirma a necessidade de iniciativas que promovam acolhimento psicológico às famílias de crianças com TEA, destacando a importância de ampliar essa abordagem dentro da rede pública de saúde. O uso integrado da TCC e da auriculoterapia reforça o cuidado integral à saúde mental dessas mães, mostrando que quando uma mãe é cuidada e fortalecida, o impacto positivo se reflete não apenas nela, mas em toda a família – e, principalmente, na criança. O “Acolher para Florescer” não apenas transformou vidas, mas reafirmou um princípio essencial do SUS: cuidar de quem cuida também é um ato de inclusão e amor.