Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
FRANCISCA RAYANE FEITOZA LEDO
Coautor(es)
Samara Ferreira Pequeno Leite
Francisca Elaine Pinheiro
Antonia Katiuscia Pinheiro
Amanda de Souza Nascimento
Jamine Borges de Morais
Aline Souza da Silva
Ligia Pinheiro Goncalves
A vacinação de adolescentes constitui um desafio para a Atenção Primária à Saúde, especialmente em relação às vacinas contra o Papilomavírus Humano (HPV) e meningocócica ACWY, preconizadas pelo Programa Nacional de Imunizações. A baixa procura espontânea desse público pelos serviços de saúde favorece a permanência de esquemas vacinais incompletos e aumenta o risco de doenças imunopreveníveis. No município de Milhã-CE, localizado no Sertão Central, identificou-se a necessidade de estratégias ativas para ampliar a cobertura vacinal desse grupo etário, considerando as dificuldades de acesso e a baixa adesão aos serviços preventivos. Diante desse cenário, foi desenvolvida uma ação intersetorial envolvendo a Atenção Primária à Saúde, a Coordenação Municipal de Imunização e uma instituição de ensino da rede local, com oferta de vacinação no ambiente escolar. A iniciativa baseou-se na busca ativa nominal dos adolescentes com esquemas incompletos e no uso qualificado dos sistemas de informação em saúde, visando reduzir oportunidades perdidas e ampliar o acesso às vacinas.
Promover a atualização vacinal de adolescentes matriculados em escola do município de Milhã-CE por meio de ação intersetorial baseada em busca ativa nominal e integração dos sistemas de informação em saúde, com foco nas vacinas HPV e meningocócica ACWY.
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido no município de Milhã-CE. Inicialmente, foi solicitada à instituição de ensino a relação nominal dos estudantes na faixa etária indicada para as vacinas contempladas. A partir dessa listagem, as equipes da Atenção Primária e da Imunização realizaram a verificação individual da situação vacinal por meio do prontuário eletrônico e-SUS PEC, identificando adolescentes com esquemas incompletos. Após essa etapa, foi pactuada com a escola a data da ação, e os pais ou responsáveis foram previamente informados e orientados quanto à importância da vacinação e ao envio das cadernetas. A vacinação foi realizada no próprio ambiente escolar, em dois turnos, permitindo ampla participação dos estudantes. As doses aplicadas foram registradas imediatamente no prontuário eletrônico e posteriormente conferidas nos sistemas oficiais, incluindo e-SUS PEC e SIPNI, além da verificação nas cadernetas físicas. Quando havia registros apenas no cartão vacinal, procedeu-se à atualização nos sistemas.
Foram aplicadas 124 doses das vacinas HPV e meningocócica ACWY em adolescentes previamente identificados com esquemas vacinais incompletos. A estratégia permitiu ampliar o acesso à vacinação, reduzir oportunidades perdidas e atualizar os registros nos sistemas oficiais, contribuindo para maior confiabilidade das informações. A ação também fortaleceu a articulação intersetorial entre saúde e educação e promoveu maior sensibilização da comunidade escolar quanto à importância da imunização na adolescência.
A experiência demonstrou que a vacinação realizada no ambiente escolar, associada à busca ativa nominal e ao uso qualificado dos sistemas de informação, constitui estratégia eficaz para ampliar a cobertura vacinal de adolescentes. A iniciativa reforça o papel da Atenção Primária à Saúde na coordenação das ações de imunização, contribui para a prevenção de doenças imunopreveníveis e evidencia a importância da integração entre saúde e educação para o alcance das metas do Programa Nacional de Imunizações no âmbito municipal. Trata-se de uma estratégia viável, de baixo custo e com potencial de replicação em outros municípios com características semelhantes.