Tema: MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE
Autor(a)
CAMILA AUGUSTA DE OLIVEIRA SA
Coautor(es)
Riksberg Leite Cabral
Gilielson Monteiro Pacheco
Juliana Kelly Gomes Silva
Daniele Keuly Martins da Silva
Dayane Crisley Queiroz Silva
Wilkson Carlos Lima Queiroz
A Estação das Cores – Espaço de Acomodação Sensorial foi planejada para oferecer suporte a crianças, adolescentes e adultos com alterações no processamento sensorial, promovendo regulação emocional, comportamental e redução da sobrecarga de estímulos, em consonância com o princípio da integralidade do cuidado. Destina-se especialmente a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e outras condições que impactam a percepção e integração sensorial. O ambiente foi estruturado como espaço seguro, tranquilo e acolhedor, com iluminação suave, controle de ruídos e redução de estímulos visuais intensos. Dispõe de recursos que estimulam diferentes sistemas sensoriais (tátil, visual, auditivo, olfativo, gustativo, proprioceptivo, vestibular e interoceptivo) favorecendo experiências organizadoras e autorregulatórias. O espaço pode ser utilizado em momentos de crise, antes ou após exposição a ambientes altamente estimulantes, ou sempre que houvesse necessidade de pausa para reorganização sensorial, com supervisão profissional e acompanhamento familiar. No São João de Maracanaú, a iniciativa assegura participação mais segura e confortável nas festividades, reduzindo crises, melhorando atenção e concentração e fortalecendo práticas inclusivas, com cuidado individualizado, humanizado e integral.
Objetivo Geral: Promover a regulação sensorial, emocional e comportamental de crianças, adolescentes e adultos, garantindo bem-estar, conforto e inclusão em ambientes potencialmente sobre estimulantes. Objetivos Específicos •Reduzir sobrecarga sensorial em situações de estímulos intensos em espaços públicos •Proporcionar autonomia e segurança durante pausas para regulação emocional •Estimular habilidades sensoriais e cognitivas por meio de recursos táteis, visuais, auditivos, proprioceptivos, vestibulares e olfativos •Oferecer estratégias de suporte individualizado, adaptadas às necessidades de cada participante, incluindo pessoas com TEA, TDAH e outras condições do neurodesenvolvimento •Facilitar a participação social e inclusão em atividades comunitárias e culturais, como o São João de Maracanaú •Registrar e acompanhar o uso da sala, permitindo avaliação da eficácia e ajustes contínuos nas estratégias de intervenção.
A Sala de Acomodação Sensorial funcionou diariamente, com duração de quatro horas por dia, contando com três profissionais capacitados, o que assegurou supervisão individualizada, acolhimento qualificado e suporte contínuo aos participantes. A organização do espaço foi fundamentada nos princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), estruturado para promover inclusão, acessibilidade e participação ativa, considerando diferentes formas de aprender, interagir e se expressar, especialmente para pessoas neurodivergentes ou com necessidades específicas Essa estrutura possibilitou atender diferentes perfis sensoriais, estilos de aprendizagem e necessidades individuais, especialmente de crianças e adolescentes neurodivergentes. O ambiente foi estruturado para minimizar estímulos excessivos e favorecer experiências sensoriais organizadoras. Durante o funcionamento, os profissionais orientavam e supervisionavam o uso de recursos táteis, visuais, auditivos, proprioceptivos, vestibulares e olfativos, como almofadas, tapetes, luzes LED de baixa intensidade, mesas para pintura, massa de modelar, slime e abafadores de som disponibilizados também para uso em ambientes externos. A seleção e oferta dos recursos eram realizadas de forma individualizada, considerando o perfil sensorial e o estado emocional de cada participante. O acompanhamento incluía intervenções graduadas em situações de desregulação emocional ou comportamental, aplicação de estratégias de organização sensorial, mediação de pausas estruturadas e orientação aos responsáveis. Também foram realizados registros sistemáticos de frequência, tempo de permanência e respostas comportamentais, permitindo avaliação contínua da efetividade do espaço e ajustes nas estratégias adotadas. A abordagem adotada está alinhada às evidências sobre ambientes sensoriais estruturados e práticas inclusivas descritas por Kaiser e Rasminsky (2017) e por Roseann Schaaf et al. (2014), que destacam a importância de intervenções planejadas para favorecer autorregulação e participação social. A oferta diária do espaço possibilitou que os usuários utilizassem estratégias de regulação antes, durante e após exposições a ambientes altamente estimulantes, promovendo autonomia, bem-estar e inclusão social de forma segura e estruturada.
A utilização diária da Sala de Acomodação Sensorial, implementada pela primeira vez no São João, evidenciou impactos significativos no bem-estar emocional, na regulação comportamental e no engajamento sensorial dos participantes, reforçando o princípio da integralidade do cuidado. Observou-se redução consistente de crises e episódios de desregulação, além de melhora perceptível na atenção, na organização comportamental e na capacidade de retorno às atividades após o uso do espaço. O acompanhamento contínuo realizado por três profissionais capacitados possibilitou intervenções precoces diante de sinais de sobrecarga sensorial, prevenindo agravamentos e garantindo segurança, acolhimento e conforto durante a permanência na sala. A oferta integrada de estímulos favoreceu experiências sensoriais organizadoras, promovendo autorregulação mais eficiente, em consonância com uma abordagem pautada na integralidade e na atenção centrada na pessoa. A possibilidade de utilizar abafadores de som em ambientes externos ampliou os benefícios para além da sala, permitindo maior permanência e participação nas atividades festivas. Como consequência, observou-se aumento da autonomia e da participação ativa nas vivências culturais, incluindo as programações do São João de Maracanaú. O registro sistemático dos atendimentos permitiu monitoramento individualizado, análise das respostas comportamentais e avaliação contínua da eficácia das estratégias adotadas, favorecendo ajustes personalizados. Entre os resultados qualitativos destacam-se aumento da autoestima, maior protagonismo nas interações sociais e fortalecimento do sentimento de pertencimento. Dessa forma, a Sala de Acomodação Sensorial consolidou-se como estratégia efetiva de inclusão, promoção da acessibilidade e garantia da integralidade do cuidado à população neurodivergente, ampliando o acesso seguro a eventos culturais e promovendo atenção humanizada, contínua e baseada nas necessidades sensoriais de cada participante.
A Sala de Acomodação Sensorial demonstrou ser uma estratégia eficaz na promoção da regulação emocional, comportamental e sensorial de crianças, adolescentes e adultos neurodivergentes, reafirmando o compromisso com a integralidade do cuidado. O funcionamento diário, com supervisão favoreceu maior autonomia, bem-estar e participação ativa nas atividades cotidianas e culturais, considerando o sujeito em sua totalidade. No contexto do São João de Maracanaú, a iniciativa ampliou significativamente as possibilidades de inclusão, alinhando-se aos princípios de integralidade e acessibilidade. O empréstimo de abafadores de som permitiu que os usuários circulassem com mais conforto pelos diferentes espaços da Cidade Cenográfica, incluindo o Quadrilhódromo, reduzindo impactos relacionados à música intensa, fogos e aglomerações. Observou-se também fortalecimento da autoestima, maior protagonismo nas interações sociais e ampliação do sentimento de pertencimento, demonstrando que a integralidade se concretiza na prática por meio de intervenções que articulam cuidado físico, emocional e social. Dessa forma, a Sala consolida-se como recurso essencial para instituições que buscam promover cuidado individualizado, acolhimento, inclusão e integralidade, contribuindo de maneira concreta para a qualidade de vida de pessoas com necessidades sensoriais específicas e para a construção de eventos culturalmente acessíveis e socialmente responsáveis.