Autor(a)
Edeiza Ataliba Bastos
Coautor(es)
Margarida Marleuda Gonçalves
Antonio Alves da Cunha Filho
Larissa Uchoa Melo
Fabiana Alves da Silva
Enio Lima Sousa
A internação hospitalar traz inúmeros riscos ao paciente e altas despesas à instituição. A respeito, o surgimento de lesões por pressão (LPP) e as complicações de feridas faz com que a hospitalização ultrapasse o tempo médio de permanência, resultando em gastos excessivos. O Hospital Regional de Iguatu (HRI) apresenta uma média de internação de 30% para tratamento de algum tipo de ferida. Necessitando muitas vezes de intervenção cirúrgica. Outro fator que aumenta negativamente esses indicadores é a alta rotatividade de profissionais e a falta de manejo de feridas, o que leva ainda à ineficiência do tratamento, piorando o prognóstico do paciente associado ao ambiente altamente contaminado. O projeto foi desenvolvido no mês de setembro de 2023, a partir da problemática apresentada. A direção do hospital, direção clínica e coordenação de enfermagem criou o serviço especializado em estomaterapia para pacientes internados nos setores de clínica médica e clínica cirúrgica, sendo estes pacientes de Iguatu e Região, admitidos na unidade para tratamento de doenças e que se apresentem com risco elevado para LPP e/ou feridas como pé diabético, lesões ulcerativas, feridas operatórias contaminadas ou infectadas, risco de amputação de membros, dentre outras. O que motivou a efetivação do projeto foi o grande impacto financeiro com a ocupação prolongada dos leitos hospitalares, e a ineficiência do tratamento desses pacientes, trazendo sérios prejuízos à instituição.
•Qualificar a assistência do tratamento de feridas para otimizar o tempo de internação dos pacientes •Reduzir gastos hospitalares a partir de condutas assertivas com a assistência diária de enfermeira especializada em estomaterapia •Diminuir o risco de complicação de lesões e feridas para reduzir o risco de amputações ou sequelas irreversíveis •Efetivar diariamente o protocolo de prevenção de lesão por pressão (LPP) no tocante ao programa de segurança do paciente •Melhorar os indicadores de assistência aos pacientes que apresentem lesões e/ou feridas garantindo a continuidade do acesso •Promover a humanização da assistência com o tratamento efetivo do paciente com alta hospitalar precoce propiciando o retorno ao seu convívio social.
Foi realizada uma viabilidade financeira, em relação ao custo benefício com a contratação do serviço. A equipe é multidisciplinar, com enfermeira especialista em estomaterapia, médico, enfermeira plantonista, técnica de enfermagem e farmacêutica da unidade. Foi criado um fluxograma de estratificação de risco para desenvolvimento de LPP, bem como o tratamento de feridas já existentes, implementando assim o protocolo de segurança do paciente. A assistência é feita diariamente, através de notificações de feridas e/ou risco para lesão por pressão de pacientes internados nas clínicas médica e cirúrgica. A estomaterapeuta visita o paciente e utiliza um checklist de verificação contendo informações pontuais e clínicas acerca das lesões e/ou feridas, solicita semanalmente o material especializado, notifica no prontuário do paciente, e orienta a equipe sobre a necessidade de curativo secundário. É realizado o registro de imagens para evolução das lesões, também como forma de avaliar o tempo de resposta ao tratamento. Na necessidade de intervenção cirúrgica ou avaliação com cirurgião ou vascular, a equipe aciona o apoio técnico para solicitar uma consulta presencial do especialista. Os custos com uso de coberturas e medicações específicas são de responsabilidade da instituição, e também por meio de doações como contrapartida das instituições de ensino que utilizam o HRI como campo de prática para cursos da saúde.
Os resultados apresentaram uma economia de 30% das despesas com materiais básicos como soro e gazes, redução de uma média de quatro dias de internação hospitalar. Observou-se ainda a satisfação do paciente e seu acompanhante em relação ao tratamento da ferida e a continuidade de um profissional diário envolvido no cuidado. A equipe assistencial plantonista também apresentou mais atenção aos pacientes com algum tipo de ferida e comprometimento nas ações de mudança de decúbito frequente, bem como supervisão da pele do paciente. A instituição O tratamento de feridas é considerado ainda um indicador da qualidade da assistência prestada, aumentou a humanização do cuidado Foi relatado também pelos pacientes que o tratamento realizado apresentou redução de dor, menor incidência de novas feridas nos pacientes já acometidos, melhora na mobilidade, maior conforto pessoal na vivencia diária do paciente. Além da diminuição no tempo de hospitalização, proporcionando redução de gastos para o paciente e para o hospital.
Conclui-se assim, que o projeto representa uma possibilidade para sensibilizar os gestores, que investir em qualidade reduz os gastos e despesas, e aumenta consideravelmente o cuidado seguro ao paciente. Torna ainda o trabalho da enfermagem especializada valorizada em seu devido cenário de acordo com a necessidade, e otimiza o tempo de resposta ao tratamento ofertado. Espera-se que esse projeto seja relevante e sirva de experiência exitosa de um Sistema Único de Saúde (SUS) que dá certo no interior do Ceará, e precisa cada vez mais estar disponível nos diversos canais de comunicação, levando informações em saúde à população. Afinal, o cuidador também recebe orientações e participa diariamente das ações para que possa dar continuidade ao tratamento de feridas em seu respectivo domicílio. Os pacientes de Iguatu e região são contemplados com o projeto e seus resultados, e o HRI aumenta o índice de satisfação e resolutividade em saúde.