Autor(a)
Milenna Alencar Brasil
Coautor(es)
Danielle de Norões Mota
Hallana de Lima Teles
Marina Solano Feitosa Silva Rodrigues da Matta
Cícera Georgia Brito Milfont
Jessyca Moreira Maciel
A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível, que pode ser adquirida através de contato sexual, transfusão de sangue ou por transmissão vertical. Apesar de haver diagnóstico e tratamento disponíveis no Sistema Único de Saúde, ainda se constitui significativo problema de saúde pública. A Organização Mundial de Saúde considera que a ocorrência de sífilis pode complicar um milhão de gestações por ano em todo o mundo (OMS, 2017). No Brasil, a transmissão vertical da sífilis ainda se configura como de maior impacto, podendo resultar em aborto, natimorto, prematuridade ou um amplo espectro de manifestações clínicas (BRASIL, 2022). Assim, torna-se de fundamental importância a detecção precoce, o manejo adequado dos casos e a conscientização da população para promover o declínio dessa doença (GONÇALVES, SOUSA, SAKAE, 2017). Crato é um município da Região Sul Cearense, com população de 131.050 habitantes (IBGE, 2022). Faz parte da Área Descentralizada de Saúde do Crato. Entre os anos de 2017 e 2021, foram confirmados 83 casos de sífilis em gestantes e 18 casos de sífilis congênita, o que demandou alerta quanto ao agravo. Diante disso, e verificando a necessidade de fortalecer estratégias de enfrentamento à sífilis, principalmente em gestantes e sífilis congênita, o Crato aderiu ao “Projeto Sífilis, não”, junto ao Ministério da Saúde, Secretaria Estadual de Saúde e Universidade Federal do Rio Grande do Norte, para ampliar ainda mais as ações para redução do agravo no município.
OBJETIVO GERAL: Desenvolver ações estratégicas e integradas, entre vigilância em saúde e atenção à saúde, para redução da sífilis em gestante e sífilis congênita no município de Crato, Ceará.
Para o desenvolvimento da estratégia, as ações foram executadas através de três fases, descritas a seguir: Fase 1 - Diagnóstico Situacional e Elaboração do Plano de enfrentamento à Sífilis: Inicialmente, foi criado um Grupo Condutor Municipal de Enfrentamento à transmissão vertical do HIV e da sífilis, de caráter multiprofissional, composto por representantes da Vigilância Epidemiológica (VE), Atenção Básica, Hospital e Maternidade, Serviço de Atendimento Especializado (SAE), Universidade Regional do Cariri (URCA), Área Descentralizada de Saúde (ADS) e representantes da Assistência Farmacêutica Municipal. Foi realizado diagnóstico situacional da Rede de Atenção à Saúde (RAS) e da atuação dos profissionais atuantes na Atenção Primária e Atenção Secundária e elaborado Plano de Enfrentamento à Sífilis. Fase 2 - Capacitações em Sífilis: Foram organizadas com as equipes de saúde e apoiadores do projeto, capacitações em vigilância, prevenção, diagnóstico e manejo clínico da sífilis e transmissão vertical para profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS), do Hospital (Obstetrícia) e da Vigilância Epidemiológica e capacitação em sífilis específica para Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Fase 3 - Monitoramento das ações: Monitoramento realizado pela Vigilância Epidemiológica, com a participação de apoiadores do projeto e do Grupo Condutor, com propósito de acompanhar as ações realizadas e os indicadores epidemiológicos e operacionais da sífilis pactuados.
A Rede de Atenção à Saúde do Crato para enfrentamento da Sífilis é composta por: 33 Unidades Básicas de Saúde, com 43 equipes Saúde da Família Centro de Especialidades Centro de Saúde da Mulher Policlínica Hospital (com Obstetrícia), Serviço de Atenção Especializada (Centro Municipal de Infectologia). O Plano de enfrentamento à sífilis visa à organização de ações para redução da sífilis em gestantes e transmissão vertical, enfatizando fluxos e protocolos na RAS e capacitações para os profissionais. As capacitações dos profissionais de níveis superior e médio abordaram os temas: busca ativa e testagem rápida em gestantes e populações-chave epidemiologia, vigilância, prevenção, diagnóstico e manejo clínico da sífilis em gestantes e congênita, aconselhamento em Infecções Sexualmente Transmissíveis e tratamento do parceiro sexual. A vigilância epidemiológica realiza monitoramento contínuo dos casos e houve fortalecimento da integração com os profissionais da atenção à saúde. Verificou-se incremento das ações de busca ativa pelas eSFs, testes rápidos realizados nas UBSs e melhoria no seguimento de fluxos e protocolos. Observou-se que houve aumento de notificação de sífilis em gestantes em 2023 (33 casos) em relação à 2022 (24 casos), mas uma redução de casos de sífilis congênita em 2023 (01 caso) em relação à 2022 (06 casos), demonstrando que as ações de busca ativa, diagnóstico e tratamento de sífilis em gestante tem melhorado no município.
A elaboração do plano de enfrentamento e desenvolvimento das ações estratégicas de combate a sífilis em gestantes e sífilis congênita possibilitou uma reflexão ampliada sobre a importância do trabalho em equipe na rede municipal de saúde. Ressalta-se que houve importante melhoria na integração das ações entre os profissionais da atenção à saúde e vigilância epidemiológica, permitindo conhecer melhor as características da sífilis em gestantes, sífilis congênita no município do Crato e melhorar o planejamento das ações, garantindo efetividade no processo de trabalho dos profissionais. Houve aumento na busca ativa de casos, diagnóstico adequado e oportuno através da realização de testes rápidos nas UBSs, melhora no manejo clínico e implementação do tratamento nas UBS. Portanto, entende-se que as ações de prevenção, diagnóstico e tratamento precoce continuam sendo as estratégias de enfrentamento mais eficazes no combate à sífilis. Conclui-se que as estratégias realizadas apresentam forte potencial para contribuir com a redução dos casos de sífilis em gestantes e sífilis congênita, devendo ser continuadas e impactando positivamente da saúde pública.