Autor(a)
LETÍCIA FERREIRA DE AMORIM
Coautor(es)
Letícia Reichel dos Santos
Larisse Araújo de Sousa
Marina Pereira Moita
Maristela Inês Osawa Vasconcelos
A Política Nacional de Atenção Básica tem a Estratégia Saúde da Família (ESF) segue princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), por se caracterizar como o principal ponto de atenção e entrada dos usuários, principalmente por ser o único nível de atenção à saúde presente em todo território nacional (BRASIL, 2017 Faria, 2020). A violência caracteriza-se por ser um fenômeno que envolve fatores pessoais, relacionais, contextuais, sociais e culturais, ou seja, multifacetado (OMS, 2003). Em dados estatísticos, no município de Sobral, 37 % dos jovens mortos já haviam sofrido ameaças e 81% dos jovens foram executados no próprio bairro, com infraestrutura e serviços precários, (ALCE, 2016). Existe a necessidade de compreensão e estudos sobre a temática, pois as consequências das violências relacionados ao trabalho reverberam na operacionalização das práticas dos profissionais e lhes afetam profundamente. Consoante a isso, a importância da análise de intervenções da equipe frente as violências para a aplicabilidade na prática, que possibilitam proporcionar um ambiente de trabalho seguro. Dessa forma, as estratégias usadas para a efetivação dos acompanhamentos dos usuários são uma ferramenta eficiente para o alcance dos indicadores de saúde e na interferência direta em promover saúde. Esse fenômeno complexo é multideterminado histórica, social e culturalmente, interfere diretamente na deterioração das condições de saúde e qualidade de vida (Brasil, 2008).
OBJETIVO GERAL Apresentar a experiência de uma equipe quanto as estratégias usadas nos atendimentos em resposta a violência nos territórios de vulnerabilidade social. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Caracterizar as violências nos territórios Identificar as estratégias usadas na Atenção Primária a Saúde
Trata-se de um relato de experiência de uma equipe de saúde da família, na periferia de Sobral, no Estado do Ceará, que aplicou várias estratégias frente aos inúmeros desafios com a finalidade de realizar os acompanhamentos em um Centros de Saúde da Família (CSF) em meio aos episódios frequentes de violência urbana e vulnerabilidade social. Assim, a experiência exitosa iniciou em setembro de 2022 até março de 2023. O município de Sobral apresenta 37 % dos jovens mortos já haviam sofrido ameaças e 81% dos jovens foram executados no próprio bairro. Esses bairros apresentam infraestrutura e serviços precários, tornando a segregação urbana um fator que contribui para a vulnerabilidade à violência letal (ALCE, 2016). Foi respeitado o sigilo dos sujeitos e nome da instituição na qual a experiência foi desenvolvida. Por se tratar de um relato de experiência relacionado ao cotidiano do serviço, este trabalho dispensou a submissão a um Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos.
A equipe de Estratégia de Saúde da Família (ESF) inserida nessa interface de fatores, trabalha conforme as sinalizações dadas pelo território em seu cotidiano. É um tipo de linguagem para nortear as práticas aplicáveis para cada situação. Os fatos ocorridos precisam serem considerados, para segurança dos profissionais e eficácia das ações. O fortalecimento por meio de ações intersetoriais, inclusive aliado a forças de segurança, potencializa o trabalho e contribui como fator expressivo no acompanhamento das condições em saúde. Devido a dinâmica constante e intensidade das vivências dentro do equipamento, em muitos casos também são necessários atendimentos descentralizados em pontos estratégicos. Além de ações expandidas para o território promoção do diálogo e construção de vínculos entre os profissionais de saúde e a população atendida adoção de práticas democráticas e não repressivas nos serviços de saúde combate à violência institucional e desburocratização do atendimento ações de sensibilização sobre situações de violência promoção de direitos e o fortalecimento e emancipação de usuários e trabalhadores. Na prática, esse arcabouço de estratégias traz resultados significativos em indicadores de saúde e facilidade de acesso aos serviços, trazendo aplicabilidade expressiva em implicações positivas sobre todos os processos, mesmo em meio a inúmeros desafios enfrentados diariamente.
As estratégias de práticas aplicadas de promoção, prevenção, proteção e recuperação da saúde, garantem aos indivíduos em situação de violência um acompanhamento amplo nos diferentes níveis de atenção. A continuidade do cuidado traz o foco para a responsabilidade central da APS no cuidado dos indivíduos, família e comunidade. É preciso fortalecer o princípio do trabalho em rede, de forma intersetorial, integrada e consistente. A ênfase em propostas de cunho participativo, consideradas decisivas para a abordagem do problema, reforça a existência de contexto fértil para o desenvolvimento de discussões, debates e conversas à luz de objetivos que promovam e resgatem relações de solidariedade. Há lacunas de estudos sobre essa temática, o que reforça a importância da realização de pesquisas dessa natureza para consolidar o conhecimento, ampliar as discussões a reflexão de novas configurações das práticas com foco no aprimoramento contínuo e na transformação da realidade da população.