Tema: MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE
Autor(a)
Lyana Linhares de Sousa Silva
Coautor(es)
Sabrine Vasconcelos Guimarães
Jéssica Maria Alves de Pinho
Tereza Doralucia Rodrigues Ponte
Heryca Laiz Linhares Balica
Evelyne de Freitas Araújo
A desregulação emocional em crianças com transtorno do espectro autista (TEA), especialmente em níveis mais elevados de suporte, configura um dos principais desafios no cuidado clínico, impactando diretamente a adaptação ao ambiente terapêutico, a construção de vínculos e o desenvolvimento de autonomia. A dependência intensa da figura materna, associada à baixa tolerância à frustração e à presença de comportamentos autoagressivos, exige intervenções sensíveis, progressivas e centradas na criança. Este relato apresenta a experiência de cuidado desenvolvida com uma criança com TEA nível 3, evidenciando como o vínculo terapêutico, aliado à organização emocional do ambiente e à atuação interprofissional, pode favorecer processos de regulação e autonomia.
Objetivo geral: Descrever estratégias de promoção da regulação emocional e autonomia em criança com TEA nível 3 no contexto terapêutico. Objetivos específicos: •Reduzir episódios de desregulação e comportamentos autoagressivos •Favorecer a tolerância à separação da figura materna •Promover ampliação da tolerância à frustração •Aumentar o engajamento e permanência nas atividades •Fortalecer o vínculo terapêutico como base do cuidado.
O cuidado foi desenvolvido de forma interprofissional, envolvendo psicologia, fonoaudiologia e musicoterapia, a partir de um plano terapêutico singular centrado nas necessidades da criança. As intervenções foram conduzidas de maneira gradual, respeitando o tempo e os limites da paciente, com ênfase na construção de vínculo terapêutico e na organização de um ambiente previsível e seguro. Foram utilizadas estratégias baseadas na análise do comportamento aplicada, associadas à escuta sensível e ao manejo relacional, incluindo dessensibilização progressiva da ausência materna, mediação das frustrações sem reforço de respostas disfuncionais, uso do brincar como ferramenta de regulação e ampliação da flexibilidade cognitiva. Também foram realizadas orientações à família, favorecendo a continuidade das estratégias no ambiente domiciliar.
A experiência evidenciou mudanças significativas na organização emocional e comportamental da criança. Observou-se evolução da dependência total da figura materna para permanência em atendimento de forma independente, ainda com necessidade de previsibilidade, indicando avanço na tolerância à separação. Houve redução importante dos episódios de desregulação e dos comportamentos autoagressivos, além de maior capacidade de reorganização diante de frustrações. A criança passou a apresentar maior engajamento nas atividades, ampliando o tempo de permanência e demonstrando maior participação nas propostas terapêuticas. Destaca-se o fortalecimento do vínculo terapêutico, evidenciado pela maior abertura ao contato com o profissional e pela percepção da família de mudanças positivas no comportamento em ambiente domiciliar.
A experiência demonstra que o vínculo terapêutico, associado à organização emocional do cuidado e à atuação interprofissional, constitui elemento central no manejo de crianças com TEA nível 3. Estratégias que respeitam o tempo da criança, aliadas à previsibilidade e à escuta sensível, mostraram-se eficazes na promoção da regulação emocional e da autonomia. O trabalho reforça a importância da corresponsabilização entre equipe e família, destacando o potencial dessas práticas para qualificar o cuidado em contextos semelhantes