Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
MARCOS CAVALCANTE PAIVA
Coautor(es)
NIVIA TAVARES PESSOA DE SOUZA
Diego Pinheiro Mesquita
Pedro Henrique Sá Costa
Mônica Maria Monteiro Mesquita
Paulo Sergio Rodrigues da Silva
Rafael Olegaria de Oliveira
Regilianderson Pereira dos Santos
Cleilton de Lima Moreira
A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é fundamental para o controle do HIV, mas a centralização em Serviços Ambulatoriais Especializados (SAE) limitava o acesso em Fortaleza-CE. Diante da necessidade de descentralizar o cuidado para populações mais vulneráveis (HSH, pessoas trans, profissionais do sexo e casais sorodiferentes), a gestão municipal iniciou, em 2024, a integração da PrEP à Atenção Primária à Saúde (APS). A motivação baseou-se na capilaridade da APS e no papel clínico do farmacêutico nas farmácias-polo para ampliar a prescrição e dispensação, fundamentada em evidências de redução de novas infecções através da prevenção combinada no território.
Objetivo Geral: Expandir o acesso das populações mais vulneráveis à PrEP por meio da descentralização para a Atenção Primária à Saúde de Fortaleza. Objetivos Específicos: •Descentralizar a oferta da PrEP dos serviços especializados para unidades da APS •Capacitar farmacêuticos e residentes para a prescrição e acompanhamento clínico da profilaxia •Reduzir a incidência de novos casos de HIV no município através do fortalecimento da prevenção combinada.
A estratégia institucional consistiu na articulação entre a Coordenadoria de APS, Assistência Farmacêutica e Área Técnica de IST/Aids. O desenho operacional incluiu o mapeamento de farmácias-polo com infraestrutura para se tornarem Unidades Dispensadoras de Medicamentos (UDM). As etapas de execução compreenderam: 1) Diagnóstico de unidades com profissionais sensíveis à temática 2) Pactuação com a Secretaria Estadual da Saúde para habilitação de novas UDM 3) Treinamento técnico-científico dos profissionais sobre protocolos clínicos 4) Definição de fluxos de agendamento e acolhimento. Os instrumentos incluíram prontuário eletrônico e o Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (SICLOM). As parcerias envolveram as coordenadorias regionais de saúde, gestores locais e programas de residência em Saúde da Família e Comunidade. A divulgação para o público-alvo foi potencializada pelo perfil institucional em redes sociais (@prevencaofortaleza).
A experiência resultou na ampliação da rede de 5 para 23 unidades ofertantes. O principal indicador de impacto foi o salto na razão de indivíduos em PrEP por caso novo de HIV: Fortaleza evoluiu do índice 1 para o índice 4. Segundo parâmetros epidemiológicos, índices ≥ 3 indicam tendência de queda na curva de novas infecções. Houve melhoria significativa na resolutividade, com a inclusão da prescrição farmacêutica, reduzindo filas nos SAE e garantindo o medicamento no território do usuário. O impacto assistencial reflete-se na maior adesão e na desestigmatização do acesso à prevenção do HIV.
A descentralização alcançou o objetivo de ampliar o acesso à PrEP, demonstrando que a APS é o cenário estratégico para a equidade no cuidado ao HIV. A síntese dos resultados aponta que a integração entre assistência farmacêutica e atenção primária é eficaz para melhorar indicadores epidemiológicos. Como aprendizado, destaca-se a importância da educação permanente e do engajamento de múltiplos atores da gestão. A experiência possui alto potencial de replicabilidade em outros municípios que buscam otimizar suas redes de prevenção combinada através do protagonismo dos profissionais da atenção primária.