Autor(a)
Francisca Vladilene Alves Araújo
Coautor(es)
A febre do Oropouche é considerada uma zoonose, o que significa que pode ser transmitida de animais para humanos, e a vigilância epidemiológica é importante para controlar surtos e prevenir a disseminação da doença. Os sintomas incluem febre, dor de cabeça e dores musculares, semelhantes aos de outras arboviroses, o que ressalta a importância de um diagnóstico diferencial por meios laboratoriais. A detecção da Febre do Oropouche é feita por um teste, que utiliza biologia molecular e busca o material genético do vírus. No entanto, esses dados são difíceis de quantificar devido à falta de diagnóstico e aos sintomas extremamente similares com outras arboviroses como dengue, Zika, chikungunya e Mayaro. O vírus que causa a febre do Oropouche era mais comum na região Norte, mas está atingindo outros estados, como o Ceará. Concentrada no maciço de Baturité, região serrana do Ceará, o primeiro caso foi confirmado em 21 de junho de 2024, em um homem de 53 anos residente na zona rural de Pacoti. O paciente começou a apresentar sintomas no dia 19 de maio, evoluindo clinicamente de forma satisfatória e sem gravidade o diagnóstico foi feito pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-CE).
Diante do exposto o objetivo geral dessa experiência foi orientar com opções efetivas que práticas implementadas pelas vigilâncias de forma integrada e contínua, podem ajudar a prevenir a febre Oropouche e proteger a saúde da população. - Remover água parada em recipientes, pneus, calhas e outros locais onde os mosquitos possam se reproduzir - Uso de Inseticidas: Não é recomendado pelo MS - Vestir roupas de manga longa e calças para minimizar a exposição à picada de mosquitos - Aplicar repelentes de insetos na pele exposta, especialmente ao sair em áreas de risco - Promover campanhas educativas sobre a FO, seus sintomas e formas de prevenção - Capacitar líderes comunitários e agentes de saúde para disseminar informações sobre prevenção e controle - Notificar os casos por meio da Ficha de Notificação no eSUS-VS - Realizar a investigação epidemiológica dos casos suspeitos de FO para identificação do local provável de infecção (LPI) - Trabalhar de forma interinstitucional
O controle da febre Oropouche no município de Pacoti - Ceará oportunizou um plano detalhado para entender as várias facetas da doença e sua assistência já que a doença não é considerada endêmica no Estado, o que permitiu uma análise profunda dos sinais e sintomas que acometeram os pacientes. Analisamos as 36 investigações o que permitiu obter dados que identificaram sinais e sintomas de todos os pacientes, faixa etária, sexo e zona de território com maior número de casos com transmissão da doença. Verifica-se que os casos confirmados no município de Pacoti se concentram em regiões de plantio e cultivo de alimentos agrícolas. O monitoramento constante das ações realizadas no controle das doenças permitiu identificar o que está funcionando e o que precisa melhorar, garantindo que a política evolua conforme as necessidades da população. Por meio dessa análise de áreas vulneráveis, ocorrência de casos da doença é que decide-se qual metodologia aplicar, realizando ações de promoção e prevenção a saúde para controlar e combater focos do mosquito que transmissor da doença. A vigilância epidemiológica tem por objetivo observar e analisar permanentemente as situações de saúde que geram riscos a população, articulando-se com todas as redes de atenção executa ações destinadas a controlar determinantes em determinados territórios, garantindo a integralidade da atenção, o que inclui tanto a abordagem individual como coletiva dos indivíduos.
O município de Pacoti através de sua equipe de saúde, visitou áreas mais vulneráveis e de maior transmissibilidade do mosquito realizou ações nas localidades, foi orientado que todas as pessoas com suspeita da doença devem receber o primeiro atendimento na unidade que procurarem. Após a avaliação e conduta inicial, mesmo que o paciente seja encaminhado para outros serviços de saúde, deve-se garantir o suporte de vida adequado para encaminhamento e prestar orientações quanto à rede assistencial. O controle mecânico consiste na adoção de práticas capazes de impedir a procriação dos mosquitos, tendo como principais atividades a proteção, a destruição ou a destinação adequada de criadouros, que devem ser executadas sob a supervisão do ACE, prioritariamente pelo próprio morador/proprietário. Através de práticas de educação em saúde o município estimulou o autocuidado na promoção da saúde da população. Foram utilizadas técnicas de comunicação que permitiram a reflexão e o compartilhamento de saberes entre o profissional de saúde e o paciente, favorecendo para a multiplicação de informações na comunidade. Deste modo, essas ações desenvolvidas foram positivas, além disso, a utilização das mídias digitais para a propagação desse tipo de informação vem sendo muito utilizada, no qual há uma diminuição na distância entre o paciente e os serviços de saúde.
O município de Pacoti realiza campanhas de educação constantemente e a vigilância deve ser reforçada como parte de programas eficazes de controle das doenças em humanos e animais domésticos, além da essencial minimização da participação de vetores. Dentre os motivos da negligência à infecção estão a dificuldade no diagnóstico diferencial e o atraso na confirmação da doença, com o agravante do tratamento sintomático que mascara a evolução do quadro clínico. É necessário o melhor entendimento da biologia dos arbovírus, suas interações e consequências no ecossistema. Estas reflexões envolvem ações no desenvolvimento de métodos de diagnóstico laboratorial rápidos e efetivos, treinamento de recursos humanos em todos os níveis de comprometimento, meios efetivos de educação sanitária e melhoria das condições gerais das populações de risco. Entretanto, para que estas ações sejam implementadas são essenciais investimentos e apoio incondicional às iniciativas que podem levar a minimização dos efeitos das arboviroses.