Autor(a)
FRANCISCA LARISSA RODRIGUES DE ALMEIDA
Coautor(es)
MAGNA CRISTINA ARRUDA DE ARAÚJO DIAS
ELIOMARA MONTEIRO DA SILVA
ELÂNIA CRISTINA ARAÚJO VASCONCELOS
ISLAYNE DE FÁTIMA COSTA RAMOS
THAYZ CAVALCANTE LUZ RABELO
PEDRO YCARO ARAÚJO VASCONCELOS
FRANCISCA EVANIELE MATIAS
IANA SAMPAIO SILVA
MARIA MAJORY GOMES ARAÚJO
CLARA TAELY GOMES SANTOS
Crianças com transtornos mentais frequentemente enfrentam dificuldades em diversas áreas de suas vidas, incluindo a interação social, o desempenho acadêmico e a autonomia pessoal. Essas barreiras impactam diretamente seu desenvolvimento global, podendo comprometer sua qualidade de vida e bem-estar emocional. Diante dessa realidade, estudos têm demonstrado os benefícios da psicomotricidade no desenvolvimento infantil e no tratamento de transtornos mentais. Essa abordagem terapêutica utiliza o movimento como meio de expressão e intervenção, promovendo o desenvolvimento cognitivo, emocional e motor de crianças. Além disso, estimula a aprendizagem e criatividade por meio do brincar, contribui para a regulação emocional e construção de vínculos sociais, aspectos essenciais no enfrentamento dos transtornos mentais. A implementação do projeto de psicomotricidade no Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi) é justificada pela necessidade que público tenha acesso a intervenções que não apenas aliviem seu sofrimento psíquico, mas também os capacitem a lidar com os desafios do cotidiano de maneira mais assertiva e satisfatória. Ao investir na promoção da saúde mental e no desenvolvimento de habilidades socioemocionais em crianças, estamos não apenas mitigando o sofrimento individual, mas também contribuindo para a redução do estigma em torno dos transtornos mentais nesses grupos populacionais tão vulneráveis.
Investigar as contribuições de um projeto de psicomotricidade implementado no CAPSi na promoção do desenvolvimento global de crianças com transtornos mentais. Como também, avaliar o progresso das habilidades motoras, cognitivas e socioemocionais dos participantes do projeto de psicomotricidade ao longo do período de intervenção e analisar a percepção dos familiares dos participantes sobre a eficácia e relevância do projeto antes e depois da intervenção.
Durante os atendimentos diários das profissionais de educação física, pedagoga e psicóloga foram identificadas algumas crianças que possuíam ao mesmo tempo dificuldades psicomotoras, de socialização e de aprendizagem. Seus responsáveis autorizaram a participação das crianças no projeto através do termo de compromisso, assim como responderam um questionário estruturado a fim de identificar as maiores dificuldades antes da intervenção. Foram realizados dez encontros de outubro a fevereiro, conduzidos pela profissional de educação física e pedagoga, às segundas-feiras à noite in locus, com 2 turmas, sendo a primeira com crianças de 4 a 6 anos no horário de 17h30 e a segunda com as de 7 a 11 anos às 18h30. Através de abordagem lúdica foram promovidos jogos de equilíbrio, de noção de corpo e espaço-temporal, atividades de coordenação motora fina e grossa, de estimulação sensorial e expressão corporal, além de momentos de socialização em grupo com alusão a datas comemorativas. Logo após o encerramento dos encontros, foi aplicado novamente o questionário inicial, a fim de obter as mudanças pós intervenção. Foram convidados 20 pacientes junto de seus responsáveis para o projeto, porém apenas 17 responsáveis compareceram à avaliação inicial. O projeto iniciou com 17 crianças que deram seguimento aos encontros, porém por questões familiares e choque de horários alguns não foram mais aos encontros. Ao final, alcançou-se o número de 10 meninos e meninas que concluíram o período de inte
O projeto de Psicomotricidade demonstrou resultados significativos na melhoria da saúde mental das crianças, como, a redução dos percentuais: de 40% das crianças com dificuldades nas atividades da vida diária (AVDs) para 10%, de 60% das com timidez para 40%, de 60% das com dificuldade para compartilhar objetos para 20%, de 40% das que não interagiam com pares para 10%, de 50% das que não brincavam em grupo para 0%, de 70% das que não obedeciam regras para 50%, de 70% das que não esperava a vez para 60%, de 80% das que não lidava bem com frustração para 60%, de 50% das sem noção de espaço-temporal para 20%, de 60% das sem noção de corpo para 30%, de 40% das que não concluía atividades para 20% e de 50% das com dificuldade na caligrafia para 0%. Os resultados obtidos após a implementação do projeto revelam no que tange às AVDs uma melhoria na autonomia, indicando um avanço no desenvolvimento funcional dessas crianças. Além disso, a melhora no que tange o compartilhamento de objetos e caligrafia evidencia uma melhoria nas habilidades sociais e motoras, respectivamente, aspectos essenciais para a integração social e o sucesso acadêmico. Esses resultados destacam a eficácia da psicomotricidade como uma intervenção terapêutica multidimensional, abordando não apenas aspectos cognitivos, mas também emocionais e comportamentais.
Os resultados obtidos pelo projeto de Psicomotricidade reforçam a importância de abordagens terapêuticas integrativas no tratamento dos transtornos, ressaltando a necessidade de considerar não apenas os aspectos clínicos, mas também as dimensões emocionais, sociais e comportamentais no cuidado das crianças. Portanto, este estudo contribui não apenas para a ampliação do conhecimento sobre os benefícios da psicomotricidade, mas também para a formulação de políticas e práticas de intervenção mais abrangentes e eficazes no contexto da saúde mental infantil.