Tema: MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE
Autor(a)
IRANYELLE FEIJÓ CASTRO
Coautor(es)
A organização da Rede de Atenção à Saúde exige estratégias que ampliem o acesso e garantam cuidado integral à população, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde. Nesse sentido, a Lei nº 14.231/2021, que inclui o fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional na Estratégia Saúde da Família, reforça o papel desses profissionais na Atenção Primária à Saúde (APS), reconhecendo sua atuação como essencial para a promoção, prevenção e reabilitação no território. Além disso, as diretrizes das Linhas de Cuidado do Ministério da Saúde, como as voltadas para o Acidente Vascular Cerebral (AVC) no adulto e para a dor lombar, estabelecem a APS como coordenadora do cuidado e protagonista na organização da assistência, priorizando ações descentralizadas, contínuas e integradas no território. Essas normativas orientam a reorganização dos serviços de saúde com foco na funcionalidade, na longitudinalidade do cuidado e na redução de incapacidades. Diante desse cenário e em consonância com as diretrizes nacionais, foi implantado o modelo de fisioterapia descentralizada em 17 Unidades Básicas de Saúde, aproximando o atendimento da população. A iniciativa visa ampliar o acesso, reduzir barreiras geográficas e qualificar a assistência, fortalecendo a integralidade do cuidado aos usuários do Sistema Único de Saúde. A iniciativa visa reduzir barreiras geográficas, ampliar o acesso equitativo e qualificar a assistência, contribuindo para a integralidade do cuidado no âmbito do Sistema Único de Saúde.
Objetivo Geral: Relatar a experiência de ampliação do acesso à fisioterapia no município por meio da descentralização do serviço, fortalecendo a integralidade e a resolutividade do cuidado no território. Objetivos Específicos: •Mostrar os resultados de implantação dos atendimentos fisioterapêuticos nas 17 unidades de saúde distribuídas no município •Apresentar os benefícios para o acesso territorial à população •Apresentar indicadores assistenciais e quantitativos de produção.
A implementação iniciou-se com diagnóstico situacional da demanda reprimida e mapeamento territorial das unidades de saúde. A partir dessa análise, foi estruturado cronograma fixo, garantindo dois dias semanais de atendimento fisioterapêutico em cada uma das 17 unidades. O fluxo assistencial ocorre por meio de encaminhamento interno das equipes da Estratégia Saúde da Família e por identificação de demandas espontâneas. Os atendimentos contemplam avaliação funcional individualizada, aplicação de escalas de dor, testes de mobilidade, análise postural e elaboração de plano terapêutico específico. Os atendimentos envolvem intervenções voltadas à prevenção, reabilitação e manutenção da funcionalidade. Também são desenvolvidas ações em grupo com foco em educação em saúde, orientação postural e prevenção de agravos. Nos casos de restrição de mobilidade, são realizadas visitas domiciliares para garantir continuidade do cuidado. A articulação com médicos, enfermeiros, técnicos e agentes comunitários fortalece o acompanhamento longitudinal. Os registros são realizados em prontuário digital, possibilitando monitoramento da produção, perfil dos agravos, número de altas e desfechos clínicos. A análise periódica dos dados orienta ajustes na organização do serviço.
No ano de 2025, foram realizados 7.124 atendimentos fisioterapêuticos individuais nas 17 unidades descentralizadas, além de 75 atendimentos em grupo. Esses dados evidenciam uma ampliação significativa do acesso aos serviços de fisioterapia após o processo de descentralização nos distritos, em comparação ao período anterior ao início do serviço, quando todos os atendimentos eram concentrados na clínica de fisioterapia localizada na Sede do município. A descentralização possibilitou atendimento de demandas da atenção primária e secundária mais próximo aos usuários. Isso ocasionando um maior atendimento de pacientes com dor musculoesquelética e limitações funcionais, reduzindo assim encaminhamentos externos. As visitas domiciliares ampliaram o cuidado a pacientes com maior vulnerabilidade, enquanto as ações em grupo fortaleceram estratégias de promoção e educação em saúde. Houve melhoria na organização do processo de trabalho, otimização dos recursos e impacto positivo na qualidade da assistência.
A implantação da fisioterapia descentralizada no município de São Gonçalo do Amarante demonstrou resultados positivos ao evidenciar a efetiva inserção do serviço em 17 unidades de saúde, ampliando a oferta assistencial no território e reorganizando o fluxo de atendimento. Observou-se a redução das barreiras geográficas e maior adesão dos usuários ao tratamento, especialmente entre aqueles com dificuldades de deslocamento. A proximidade do serviço favoreceu o cuidado contínuo, ampliou o vínculo com as equipes de saúde e possibilitou maior equidade no atendimento à população. Quanto aos indicadores assistenciais, os dados quantitativos evidenciam a expressiva produção do serviço, com 7.124 atendimentos individuais e 75 atendimentos em grupo no ano de 2025, refletindo e incluindo a absorção de casos da atenção primária e secundária. Dessa forma, a descentralização da fisioterapia mostrou-se uma estratégia eficaz para qualificar a assistência, fortalecer a integralidade do cuidado e otimizar a organização da Rede de Atenção à Saúde, consolidando-se como modelo exitoso no âmbito do Sistema Único de Saúde.