Autor(a)
Ana Karine Castelo Branco de Paula Gomes
Coautor(es)
Natália Lúcia Lima de Oliveira
Janaína Mota da Rocha
A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS)/OMS (2019), ressalta que o papel do fisioterapeuta na Atenção Primária à Saúde (APS) é de grande relevância na atenção integral da comunidade e família, pois realiza atividades e métodos focados na prevenção, tratamento, restabelecimento, movimento, saúde funcional do corpo e manutenção da saúde de todos, significando assim um avanço não só para a categoria, mas principalmente para a melhoria da assistência à saúde da população que depende do SUS. A Lei nº 14.231 de 28 de Outubro de 2021 incluiu o profissional Fisioterapeuta na Equipe de Saúde da Família (ESF). Portanto, a Fisioterapia além de atuar no NASF, poderá prestar assistência também aos usuários que buscam assistência Fisioterapêutica na sua unidade Básica de Saúde. De acordo com esta lei “Caberá ao gestor do SUS de cada esfera de governo definir a forma de inserção e de participação desse profissional de acordo com as necessidades de saúde da população sob sua responsabilidade”. Este trabalho visa relatar a experiência da implantação de um projeto piloto em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do município de Horizonte-Ce, para realização de atendimento fisioterapêutico com intuito acolher à demanda espontânea da UBS, principalmente nos casos mais agudos, evitando encaminhamentos ao serviço de reabilitação do município, diminuindo a demanda para o mesmo, como também favorecer o vínculo e a resolubilidade da Atenção Primária à Saúde.
Objetivo geral: Conhecer a experiência de um fisioterapeuta da equipe do NASF a fim de compartilhar reflexões, viabilidades e dificuldades, ao implantar o serviço de atendimento de fisioterapia em uma Unidade Básica de Saúde do Município de Horizonte – CE, para atendimento a pacientes das áreas cobertas por este profissional. Objetivos específicos: Descrever o perfil dos pacientes atendidos no serviço mesmos. Identificar as patologias tratadas mais comuns. Relatar os encaminhamentos após a conclusão do tratamento.
Trata-se de um relato de experiência,onde foi implantado um projeto piloto na unidade Básica de Saúde Zacarias de Abreu – ESF,na cidade de Horizonte –CE,para realizar a assistência fisioterapêutica a pacientes que necessitavam de tratamento fisioterápico,tendo como área de abrangência 6 equipes da Estratégia de Saúde da Família,as quais eram apoiadas pela fisioterapeuta do NASF. O público alvo,eram usuários que tinham prescrição de um profissional de saúde para fisioterapia e que tinham patologias em fase aguda como paralisia facial,algias de coluna,tendinites,bursites,entorses,pós operatório e sequela de fratura pós imobilização.O perfil de atendimento escolhido se deu pelo fato de existir uma grande demanda para a fisioterapia no centro de reabilitação do município e a espera em iniciar o tratamento poderia causar-lhes limitação funcional.Outra necessidade foi a dos profissionais da ESF,que relatavam à fisioterapeuta do NASF a necessidade de atendimento da fisioterapia na UBS. Os atendimentos foram realizados entre abril/ 2022 a fevereiro/2023,com frequência de duas vezes por semana, a quantidade de atendimentos variou em cada caso. Após os atendimentos solicitados, os pacientes eram reavaliados e dados os devidos encaminhamentos: alta da fisioterapia, encaminhamento para o centro de reabilitação para fases mais posteriores do processo de reabilitação. Alguns dos pacientes que iniciaram o tratamento não chegou a concluí-lo caracterizando como alta por abandono.
Durante o período do estudo foram atendidos 37 pacientes ,com idade variando de 22 a 84 anos, onde 64% eram mulheres, tendo como predominância as seguintes patologias: Reabilitação pós fratura:14 Algias da coluna fase aguda:09 Paralisia Facial:05 Reabilitação pós cirurgia:03 Sinovites:03 Gonartrose:02 Tendinites: 01 O tempo de permanência do tratamento dos pacientes que receberam alta foi em média de 07 atendimentos. Dos pacientes atendidos 26 receberam alta, 05 foram encaminhados para o centro de reabilitação e 06 abandonaram o tratamento. Atualmente 13 pacientes permanecem em atendimento no serviço. A unidade básica de saúde que mais encaminhava pacientes era a que estava implantado o serviço. Durante este período a fisioterapeuta relata que a sua permanência na unidade básica de saúde facilitou a comunicação e interação entre os profissionais da unidade, aumentando a resolutividade dos casos atendidos neste serviço, como também de outras demandas do posto de saúde como as visitas domiciliares, onde o médico e enfermeiro da unidade conseguiam uma comunicação mais efetiva com a fisioterapeuta e por diversas vezes a mesma realizou visita compartilhada com a equipe de saúde, prestando uma assistência mais integral ao paciente de atenção domiciliar. O atendimento compartilhado que não acontecia quando a fisioterapeuta não estava fixada na unidade também passou a ocorrer, comprovando a importância desse profissional na unidade.
Diante do exposto foi concluído que a presença do fisioterapeuta na Unidade Básica de Saúde é imprecindível, visto que foi observado uma melhor assistência ao usuário, sendo esta de forma resolutiva, cerca de 70% tiveram alta fisioterápica e integral, já que é mais um profissional prestando assistência no seu território, reduziu o tempo de espera destes usuários para acessar o serviço de fisioterapia, evitou que os mesmos se deslocassem da sua área de residência para acessar o serviço da fisioterapia, até então só existente no centro de reabilitação. Pelo relato da fisioterapeuta, conclui-se que os pacientes de visita domiciliar também tiveram uma melhor assistência, proporcionando também um cuidado mais integral a este usuário, da mesma forma o atendimento compartilhado passou a acontecer, o que não ocorria quando a fisioterapeuta não ficava fixa na unidade. Acredita-se que a implantação deste deste serviço, também reduziria a fila de espera e os gastos para a gestão com o transporte de usuários para o Centro de Reabilitação. Desta forma, mostrou-se que a implantação do profissional fisioterapeuta nas unidades básicas de saúde foi de importante relevância e resolutividade para a população.