Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
CARLOS MATEUS RODRIGUES ASSUNÇÃO
Coautor(es)
TATIANA DE SOUSA GADELHA
Francisco Bruno Anastácio da Silva
O envelhecimento populacional crescente no Brasil tem trazido desafios importantes para a Atenção Primária à Saúde (APS), especialmente no enfrentamento do sedentarismo e na promoção da inclusão social da população idosa. Nesse contexto, a fisioterapia integrativa surge como uma estratégia inovadora, capaz de unir práticas corporais, terapêuticas e sociais, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e autonomia dos idosos. A experiência foi desenvolvida no município de Itaitinga/CE, no âmbito da APS, com apoio da equipe multiprofissional (eMulti), em espaços comunitários e unidades básicas de saúde. O público-alvo foi composto por idosos cadastrados nas equipes de saúde da família, com destaque para aqueles em situação de vulnerabilidade social, isolamento ou com limitações funcionais. A iniciativa justifica-se pela necessidade de ampliar o acesso a práticas de cuidado contínuo, humanizado e inclusivo, promovendo não apenas a reabilitação física, mas também o fortalecimento de vínculos sociais e o bem-estar biopsicossocial.
Objetivo geral: Promover a saúde, prevenir agravos e estimular a inclusão social de idosos por meio da fisioterapia integrativa na APS. Objetivos específicos: Reduzir o sedentarismo entre os idosos acompanhados Melhorar a funcionalidade, mobilidade e equilíbrio Incentivar a socialização e o fortalecimento de vínculos comunitários Promover autonomia e independência nas atividades de vida diária Integrar práticas corporais e terapêuticas no cuidado contínuo.
A experiência foi implementada por meio de ações coletivas conduzidas por fisioterapeutas da equipe eMulti, em articulação com equipes da Estratégia Saúde da Família. Inicialmente, foi realizado o mapeamento dos idosos elegíveis, considerando critérios como sedentarismo, risco de quedas, isolamento social e presença de doenças crônicas. As atividades ocorreram de forma periódica, em grupos, utilizando práticas integrativas como alongamentos, exercícios funcionais, atividades de equilíbrio, relaxamento, além de dinâmicas de grupo voltadas à socialização. Foram utilizados instrumentos de avaliação funcional para monitoramento da evolução dos participantes. A estratégia incluiu ainda educação em saúde, orientações domiciliares e envolvimento da comunidade, fortalecendo o vínculo entre usuários e equipe. Parcerias intersetoriais contribuíram para a ampliação dos espaços e adesão às atividades.
A experiência evidenciou significativa adesão dos idosos às atividades propostas, com aumento da participação regular nas ações coletivas. Observou-se melhora na mobilidade, equilíbrio e redução de queixas relacionadas a dores musculoesqueléticas. Houve também impacto positivo na saúde mental e no bem-estar, com relatos de diminuição do isolamento social e fortalecimento de vínculos entre os participantes. A iniciativa contribuiu para a prevenção de quedas e para o estímulo à prática regular de atividades físicas. Do ponto de vista da gestão, a ação fortaleceu o trabalho multiprofissional na APS e ampliou o acesso a práticas de cuidado integradas, promovendo maior resolutividade e humanização da assistência.
A fisioterapia integrativa demonstrou ser uma estratégia resolutiva, acessível e de baixo custo para o enfrentamento do sedentarismo e para a promoção da inclusão social da população idosa no âmbito da Atenção Primária à Saúde. A experiência evidenciou que a utilização de práticas corporais associadas ao cuidado coletivo favorece não apenas ganhos funcionais, como melhora da mobilidade, equilíbrio e autonomia, mas também impactos significativos no bem-estar emocional e na redução do isolamento social. Destaca-se o fortalecimento do trabalho multiprofissional, com integração efetiva entre a equipe eMulti e as equipes da Estratégia Saúde da Família, ampliando a capacidade de cuidado e a longitudinalidade da assistência. A escuta qualificada, o vínculo e a valorização das práticas grupais mostraram-se fundamentais para adesão dos usuários e sustentabilidade da iniciativa. Como aprendizados, ressalta-se a importância do planejamento territorial, da articulação intersetorial e da adaptação das ações às necessidades locais. A experiência apresenta alto potencial de replicabilidade em outros territórios, especialmente por sua viabilidade operacional e impacto positivo nos indicadores de saúde. A iniciativa contribui para o fortalecimento do SUS ao consolidar práticas de promoção da saúde, prevenção de agravos e cuidado centrado no usuário, alinhadas aos princípios da integralidade, equidade e humanização da atenção.