Tema: CONTROLE SOCIAL E PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE NA SAÚDE
Autor(a)
Alex Josberto Andrade Sampaio
Coautor(es)
Carlos Henrique Carvalho de Albuquerque Bezerra
Antonio Eclésio Modesto Lima
Ana Kainná de Souza
Isis Alves Palmeira
Sheyla Martins Alves Francelino
A pandemia da Covid-19, responsável pela morte de milhões de pessoas, impulsionou as autoridades de saúde em busca de meios para proteger a população. A coronavirose causada pelo SARS-COV-2 é transmitida principalmente por partículas eliminadas pelas vias aéreas durante a fala, tosse, espirro de uma pessoa infectada, mas também de forma indireta por meio de fômites. Devido sua alta virulência, rapidamente disseminou-se pelo mundo causando uma das maiores pandemias já registradas. O advento da vacinação assumia importância fundamental no combate e controle da doença, no entanto medidas de prevenção primária não-farmacológicas continuam sendo necessárias, e sensibilizar a população a adotá-las, ainda é um grande desafio. As estratégias de Vigilância Popular em Saúde (VPS) e Educação Popular em Saúde (EPS) podem ser grandes aliadas nesse mister, além de se constituírem em recursos comunitários para o enfrentamento das vulnerabilidades sociais e consequências decorrentes da COVID-19 por esse motivo considerada sindemia por muitos pensadores. A EPS consiste em pensar e construir processos educativos embasados na consciência crítica e cidadania participativa, ou seja, construída com o povo, considerando os saberes, a ancestralidade e produção do conhecimento. A VPS está inserida dentro das iniciativas que possibilitam à vigilância sobre saúde e ambiente de forma horizontal, participativa, democrática e cientificamente qualificada atuar na resolução das necessidades da população.
Formar Agentes Populares de Saúde no município de Barbalha/CE com vistas a ampliar as respostas territoriais à pandemia do Coronavírus principalmente em contextos de aglomerados urbanos e rurais com pouca infraestrutura Elaborar e adaptar materiais de formação condizentes às necessidades de educação popular em saúde das comunidades envolvidas Mobilizar, organizar e capacitar Lideranças Comunitárias para atuarem como Agentes Populares de Saúde nos seus territórios de moradia Disseminar o conhecimento científico acerca da prevenção de doenças e promoção da saúde no contexto da pandemia pelo novo coronavírus Constituir rede de apoio comunitário e núcleos de vigilância popular para o rastreio de doenças e o fornecimento de condições de vida e direitos Reafirmar a saúde como direito social, fortalecendo uma consciência sanitária Promover diálogos com os diversos atores sociais para construir respostas comunitárias à pandemia e suas consequências.
Conjugou-se estratégias formativas presenciais e à distância. As atividades de formação de Comissão Político Pedagógica, aconteceram à distância, se utilizando de tecnologias e plataformas digitais gratuitas como Zoom, assim como as atividades formativas voltadas aos Facilitadores do Curso de Agentes Populares de Saúde. As formações dos Agentes Populares foram realizadas na modalidade presencial, com de atividades teóricas e práticas, fundamentadas na educação popular e vigilância popular em saúde. Foram considerados os princípios da Pedagogia da Alternância, já experimentadas em outras experiências educativas desenvolvidas junto aos movimentos sociais, definindo e dando intencionalidade pedagógica aos diversos tempos educativos distribuídos em Tempo Escola e Tempo Comunidade. Foram utilizados e adaptados materiais como álbum seriado, caderno de formação para apoio pedagógico aos educadores, e caderno de campo para os educandos elaborados pela articulação solidária de diversas instituições denominada Periferia Viva para atuação em comunidades periféricas no contexto pandêmico. Foram utilizadas ainda atividades, oficinas, dinâmicas, atos cenopoéticos e outros recursos pedagógicos, da arte e da cultura popular para o Tempo Escola e o Tempo Comunidade, tendo a problematização como estratégia pedagógica, inclusive nas visitas orientadas na comunidade.
A realização da intervenção foi responsável pela formação de 26 Agentes Populares de Saúde em duas comunidades no município de Barbalha. Ao final das Oficinas foram identificadas diversas lideranças populares que por possuírem o respeito dos seus semelhantes impulsionaram as ações de Prevenção contra a Covid-19. Observou-se melhor cumprimento das regras sanitárias, adesão à vacinação, e identificação e devidas intervenções e encaminhamentos de famílias em situação de insegurança alimentar dentre outras vulnerabilidades, pessoas em sofrimento psíquico nas localidades onde esses agentes estavam inseridos. Esses impactos positivos deram-se a partir da construção compartilhada do conhecimento, do sentimento de pertencer à comunidade, valorização da cultura e dos saberes locais e da cidadania participativa.
A Ação mostrou que a adoção de princípios tais como, o diálogo entre o saber popular e o acadêmico, a amorosidade, a participação popular, o conhecimento construído de forma compartilhada e de modo que favoreça à emancipação, faz-se preponderante para a construção de uma sociedade mais engajada nas ações de saúde, em defesa do SUS e capaz de assumir posturas mais coerentes e adequadas à promoção de territórios saudáveis. Dessa forma, percebe-se, portanto, que a EPS e a VPS são ferramentas que precisam ser melhor aproveitadas e difundidas em todo o território brasileiro tanto em ações de combate à Covid-19 quanto a outros problemas sensíveis à vida e saúde.