Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
LARISSA FROTA BARROS
Coautor(es)
THAIS ALMEIDA ALVES
GEOVANNA MARIA SALES MONTEIRO
DANIELLE LEITE GONDIM DE CASTRO
JACQUELINE ROCHA DE SOUZA ASSUNÇÃO
OLIVIA TELES DA SILVA
A amamentação é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma prática essencial para a saúde materno-infantil, exigindo apoio contínuo, escuta qualificada e aconselhamento baseado em evidências. No território, o Agente Comunitário de Saúde (ACS) desempenha papel estratégico ao atuar como elo entre a família e a Rede de Atenção à Saúde (RAS), contribuindo para a promoção do aleitamento materno e para a identificação precoce de riscos no puerpério. Entretanto, a prática da amamentação ainda é permeada por mitos, tabus e crenças culturais que dificultam sua vivência plena. Muitas mulheres enfrentam desafios que poderiam ser prevenidos ou manejados com orientações adequadas e acompanhamento sistemático. Diante desse cenário, o município de Eusébio desenvolveu o Projeto AMA, com o objetivo de qualificar o cuidado ao binômio mãe-bebê por meio da atuação estruturada do ACS nas visitas domiciliares.
Geral: Monitorar e apoiar a amamentação exclusiva e a saúde da puérpera e do recém-nascido por meio de visitas domiciliares sistemáticas realizadas pelos ACS. Específicos: Identificar precocemente sinais de alerta maternos e neonatais Orientar sobre pega correta, manejo da apojadura e livre demanda Orientar cuidados com o RN Reduzir práticas inadequadas, como uso de bicos artificiais e mamada cruzada Fortalecer o vínculo afetivo mãe-bebê e a confiança da puérpera no processo de amamentação.
A metodologia aplicada nesta experiência foi do trabalho de capacitação realizado com agentes comunitários de saúde e a implementação de dois instrumentos de orientação: a "Pré-Consulta de Acompanhamento" e o "Formulário de Visita Domiciliar" tipo visita guiada. O primeiro instrumento guia um olhar para uma anamnese puerperal. O segundo contém 16 itens a serem avaliados com informações necessárias a serem esclarecidas diante dos quadros de dificuldade da mãe. O ACS orienta a mulher que amamenta utilizando as informações sobre o tipo de parto, histórico de amamentação e dados antropométricos do bebê conforme o que está estabelecido nos instrumentos. Durante a visita, são avaliados itens clínicos como a condição das mamas (dor, fissuras), o coto umbilical e a hidratação do bebê (xixi/cocô). O Instrumento estabelece critérios claros em cada item de encaminhamento imediato para casos de febre, sangramento excessivo ou recusa alimentar.
É realizado acompanhamento em planilhas de Excel por mês e por agentes comunitários de saúde a média de aleitamento das gestantes acompanhadas em janeiro de 2025 era de 89,2% em aleitamento exclusivo no mês e em dezembro foi fechado com 93,4% das gestantes em aleitamento materno exclusivo no mês. A padronização das orientações e a qualificação da escuta do ACS resultaram em: Redução de práticas inadequadas, como mamada cruzada e uso precoce de bicos artificiais Maior segurança dos ACS na abordagem de dificuldades de amamentação Identificação precoce de intercorrências como fissuras mamilares, ingurgitamento, candidíase e mastite Detecção oportuna de sinais de desidratação e perda ponderal excessiva em recém-nascidos Aumento da adesão das puérperas à amamentação exclusiva até os 6 meses Fortalecimento do vínculo entre família e equipe de saúde. Além disso, o uso dos instrumentos favoreceu a comunicação entre ACS e equipe técnica, tornando o cuidado mais resolutivo e integrado. A experiência evidencia que o ACS, quando adequadamente capacitado e apoiado, torna-se protagonista no cuidado puerperal. Sua presença cotidiana no território permite identificar vulnerabilidades que muitas vezes não emergem nas consultas tradicionais.
O Projeto AMA é uma estratégia sustentável e replicável na promoção do aleitamento materno e para o fortalecimento da Atenção Primária em Eusébio. Ao empoderar o ACS com ferramentas técnicas e metodológicas, o município de Eusébio fortaleceu a promoção do aleitamento materno, ampliou a segurança clínica no puerpério e contribuiu para a redução da morbimortalidade materna e infantil. O Projeto AMA também contribuiu para desconstruir mitos culturalmente enraizados, ampliando a autonomia das mulheres e promovendo práticas baseadas em evidências. A abordagem centrada na visita domiciliar mostrou-se eficaz para acolher dúvidas, reduzir inseguranças e fortalecer o vínculo afetivo mãe-bebê.