Tema: GESTÃO DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO NA SAÚDE
Autor(a)
VILALBA CARLOS LIMA MARTINS BEZERRA
Coautor(es)
CRISTIANI NEVES FEITOSA
GEORGIA MARIA LOIOLA LIMA
ALLYSSANDRO VIEIRA PEREIRA LOIOLA
AMANDA EVANGELISTA TEIXEIRA ARAÚJO
LUCAS GONÇALVES OLIVEIRA
TAYS AMANDA FERREIRA PIRES
LUANNI BEZERRA DA COSTA
AVERLY SOUZA FRANCA
CRISTÁLIA COUTINHO CORDEIRO
CLAUDIA MARTINS FEITOSA
Tauá, município dos sertão dos Inhamuns do Ceará (64.255 habitantes), possui 100% de cobertura de Atenção Primária à Saúde (APS), com rede composta por 21 UBS, 27 ESF, 27 ESB e 4 equipes multiprofissionais. A planificação da APS (2014) evidenciou variabilidade entre territórios (gestão de agenda, fluxos de referência/planos de cuidado compartilhado, comunicação e monitoramento), com impacto na resolutividade e na continuidade do cuidado. Para enfrentar essas lacunas, a gestão municipal implantou gerentes nas UBS com dedicação de 40h, estruturando a organização dos processos de trabalho, a coordenação do cuidado e o uso de indicadores para decisões, conforme diretrizes da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB/Portaria nº 2.436/2017), que define a APS como ordenadora da RAS e preconiza planejamento territorial, integração multiprofissional e gestão qualificada suportada por informação em saúde. A iniciativa posiciona a gerência como elo entre coordenação municipal e equipes, reforçando princípios de territorialização, integralidade, longitudinalidade e coordenação do cuidado, além da educação permanente como motor de mudança. O público‑alvo envolve usuários da APS e trabalhadores das UBS (médicos, enfermeiros, ACS, ESB, equipes multiprofissionais e apoio administrativo).
Geral: Fortalecer a organização e a resolutividade das UBS por meio da implantação da gerência, alinhada à PNAB, assegurando coordenação do cuidado, integração em rede e monitoramento contínuo. Específicos: 1- Planejar ações segundo o diagnóstico territorial e a adscrição da população 2- Padronizar processos críticos (agenda/acolhimento, demanda programada e espontânea, referência/planos de cuidado) 3- Monitorar indicadores e qualificar o uso de sistemas de informação (e‑SUS/SIAPS/R-ESUS) para decisões 4- Promover comunicação assertiva e trabalho multiprofissional integrado 5- Articular a APS com a RAS e a regulação municipal para garantir continuidade e integralidade 6- Estimular educação permanente e protocolos assistenciais locais.
Desenho institucional: designação de 16 gerentes (40h), vinculados à coordenação da APS, com mandato formal para organizar processos, coordenar o cuidado, integrar equipes e gerir informação para melhoria contínua — competências previstas nas diretrizes da PNAB para gestão qualificada da APS e articulação em rede. Planejamento participativo por território: territorialização e diagnóstico situacional com equipes pactuação de planos de ação por UBS (metas, responsáveis, prazos). Padronização de processos críticos: • Acesso/acolhimento: organização de agendas em blocos (programada, espontânea e retorno) com classificação de risco e protocolos locais e busca ativa. • Coordenação do cuidado e RAS: fluxos de referência/planos de cuidado com prazos e responsáveis articulação com regulação e pontos de atenção monitoramento de listas de espera. • Ciclos de monitoramento: reuniões quinzenais de equipe e mensais com coordenação da APS painéis de indicadores (acesso, continuidade de condições crônicas, saúde bucal, visitas domiciliares, absenteísmo) devolutivas e ajustes nos planos. • Gestão do trabalho e comunicação: rotinas de integração multiprofissional e mediação de conflitos atas padronizadas e canais rápidos entre equipes, fortalecendo corresponsabilização e cultura colaborativa. Educação permanente e matriciamento: encontros temáticos, discussão de casos‑guia, atualização de protocolos e apoio das equipes multiprofissionais para ampliar a capacidade clínica e a resolutividade na APS. Governança e documentação: gerentes reportam à coordenação da APS decisões e análises registradas uso sistemático de dados para replanejamento.
A governabilidade e o potencial do papel da gerencia evidenciou a integração e comunicação com reuniões estruturadas e mediação ativa reduziram ruídos entre categorias e UBS, consolidando comunicação assertiva e colaboração cotidiana. Rede organizada e continuidade do cuidado: fluxos de referência/planos de cuidado com prazos definidos aumentaram a previsibilidade e a segurança do paciente nas transições entre pontos da RAS, conforme o papel coordenador da APS. Resolutividade ampliada: padronização de agenda/acolhimento, protocolos e matriciamento elevou a capacidade de resolução na UBS, com menor necessidade de encaminhamentos desnecessários e melhor aderência às linhas de cuidado. Gestão orientada por dados: uso de painéis de indicadores e checagens de inconsistência nos sistemas de informação subsidiou decisões rápidas em tempo real, correções de rota e priorização de necessidade locais.
A implantação da gerência nas UBS de Tauá consolidou uma gestão do cuidado ancorada na PNAB: planejamento territorial, coordenação do cuidado e articulação da RAS, uso qualificado da informação, integração multiprofissional e educação permanente. Os resultados mostram organização dos processos, comunicação eficiente e maior resolutividade, reforçando a APS como porta de entrada e ordenadora da rede. O modelo é replicável e sustentável, demandando governança clara, rotinas padronizadas e ciclos contínuos de monitoramento e educação permanente.