Autor(a)
Andréa Carla Brandão Vasconcelos
Coautor(es)
Evaldo Eufrásio Vasconcelos
Naira Júlia Vasconcelos Menezes
Luanda Vasconcelos do Nascimento Dutra
Sandra Regina Rocha Silva
Ana Rita de Sousa Vasconcelos Brandão
Pedro Henrique de Freitas Sousa
Bárbara Stephany Sousa
Maria Aline Batalha do Nascimento
Danielle Samira Vasconcelos Araújo
A adolescência é uma fase da vida permeada por mudanças, caracterizando-se pela transição da infância para a juventude. Conforme a definição da Organização Mundial de Saúde (OMS), adolescente é o indivíduo que se encontra na faixa etária de 10 a 19 anos, quando o corpo humano conclui a sua formação. A gravidez na adolescência configura-se como questão de saúde pública e social. De saúde, por se tratar de uma situação de risco para a mãe e o bebê. As complicações durante a gravidez e no parto são as maiores causas de morte de meninas e bebês, a saber: abortos inseguros, eclâmpsia, infecções e hemorragias pós- parto e prematuridade do bebê. Quanto ao social, podemos citar a evasão escolar, a educação sexual ainda vista como tabu nas famílias e sociedade, rejeição/falta de suporte familiar e comunitário e perpetuação do ciclo da violência e da pobreza. No município de Cruz, as ações de prevenção à gravidez na adolescência acontecem por meio do Programa Saúde na Escola (PSE), na rede municipal, estadual e particular. A adesão ao PSE ocorre todos os anos desde 2008, porém a experiência relatada teve início em 2016, quando foi iniciado um monitoramento e planejamento com vistas a reduzir o número de gestações na adolescência. Dessa forma, esse trabalho apresenta o relato de experiência das ações desenvolvidas em Cruz para prevenir a gravidez na adolescência e possibilitar que meninos e meninas tenham autonomia para prover o cuidado de si e do outro e vivam com saúde e dignidade.
A educação sexual nas escolas tem como objetivo reduzir o percentual de gravidez na adolescência no município de Cruz-CE, promovendo a saúde de meninos e meninas, com autonomia para provimento do autocuidado e do cuidado com o outro.
As ações de prevenção à gravidez na adolescência acontecem por meio do Programa Saúde na Escola (PSE) com a temática saúde sexual e reprodutiva, na rede pública e particular de ensino, nas turmas de 7º a 9º anos e no ensino médio. A estratégia utilizada é a roda de conversa realizada em cada turma, por profissionais de saúde: assistente social, psicólogos, enfermeiros e médicos, bem como a oferta da vacina contra o HPV e de testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C. No primeiro momento, abordamos a compreensão do que é: sexualidade, direitos sexuais e reprodutivos, Infecções Sexualmente Transmissíveis – IST’s, métodos contraceptivos, e orientamos sobre: a oferta de consultas nas UBSF’s para adolescentes, a importância do diálogo sobre a temática na família e a construção do projeto de vida. O segundo momento é o espaço de discussão a partir das dúvidas trazidas pelos alunos, de forma oral ou escrita. Contamos com a parceria do Núcleo de Cidadania dos Adolescentes – NUCA, que participa ativamente dessas ações e também aborda o tema por meio de lives, vídeos e programas de rádio, promovendo educação entre pares. Já as escolas se encarregam de trabalhar a temática ao longo do ano letivo, agregando o tema ao currículo. O monitoramento da taxa de gravidez na adolescência é feito pelo número de nascidos vivos de mães na faixa etária de 10 a 19 anos com dados do Sistema Nacional sobre Nascidos Vivos – SINASC.
Cruz tem apresentado resultados positivos quanto à redução da taxa de nascidos vivos de mães na faixa etária de 10 a 19 anos, conforme dados do Sistema Nacional sobre Nascidos Vivos – SINASC. No ano de 2016, de 415 partos, 64 foram de meninas de 10 a 19 anos, com um percentual de 15,4%. Desse total, tivemos 6 partos de meninas de 10 a 14 anos, perfazendo um percentual de 1,4%. Na pandemia de COVID -19, reduzimos a taxa para 10,2% e 10,9%, em 2020 e 2021, respectivamente. Houve também uma redução dos partos de mães de 10 a 14 com o nascimento de 3 bebês em cada ano. Fechamos 2023 com um percentual de 10,5%. Dessa forma, entre os anos de 2016 a 2023, o percentual de nascidos vivos de mães de 10 a 19 anos passou de 15,4% para 10,5%, totalizando uma redução de 31,7%. Outro resultado positivo é o aumento da participação dos adolescentes nas discussões das rodas de conversa, e de relatos de abertura para conversar com pais/responsáveis sobre sexualidade e prevenção da gravidez. Em dezembro de 2024 fizemos uma pesquisa virtual, por meio do Google Forms, com 79 alunos que participaram da roda de conversa nas escolas e identificamos que, 84,4% responderam que o único método que garante proteção contra gravidez e IST's é o preservativo e que, 78,5% afirmaram que a pílula do dia seguinte só deve ser usada em caso de emergência. É visível que, após a ação na escola, a maioria entende a importância do uso do preservativo e da prudência com que deve ser usada a contracepção de emergência.
Abordar a prevenção da gravidez na adolescência nas escolas é de suma importância para que os adolescentes tenham acesso a uma informação correta e a oportunidade de expressarem suas dúvidas, medos e angústias. Considerando que a maioria deles não tem a liberdade para dialogar com pais ou responsáveis sobre a temática, essa intervenção é recebida por eles com satisfação. É fácil identificar o interesse e a curiosidades no olhar e na fala de cada menino e menina que participa das discussões em sala de aula. O trabalho de educação em saúde na temática sexualidade produz resultados demorados, porém celebrados com alegria. Uma redução de 31,7% na taxa de nascidos vivos de mães de 10 a 19 anos, ao longo de 7 anos, pode se apresentar de forma sutil diante da complexidade que é a questão da gravidez na adolescência, porém esse resultado se transforma em combustível para novas estratégias e um novo olhar sobre esse cenário.