Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Sâmua Kelen Mendes de Lima
Coautor(es)
Melka Rocha Ramalho
Maria Luisa Maurício Lopes
Samara Viana Santiago
Lynerraylly Yana Maia
Charles Campelo de Oliveira
As demandas de saúde mental no município sempre foram expressivas, considerando o contexto de criminalidade, vulnerabilidade social, dentre outros. Após o cenário da pandemia, essa demanda tem sido ainda mais crescentes na atenção primária. Tal fato acentuou a procura por terapias, tratamentos e acompanhamentos. Considerando que o modelo de saúde mental medicalocêntrico, restrito ao uso de psicotrópicos não constituem ferramentas resolutivas em por si só, os grupos terapêuticos se mostram como excelentes ferramentas complementares ao tratamento tradicional. O presente grupo surgiu com o objetivo de se tornar uma estratégia de cuidado na área da saúde mental, levando em consideração que atenção básica deve garantir um atendimento integral ao sujeito, porém, compreendendo que serviços de saúde mental ainda tem uma capacidade de abrangência limitada dentro do perfil de atendimento individualizado. Dessa forma, podemos oportunizar a um contingente maior de usuários o acesso aos serviços de saúde mental, otimizando os recursos existentes no município. A equipe multidisciplinar que tem conduzido o grupo visa abranger ações de promoção e proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos. O equipamento faz parte do rol de serviços da atenção primária, tendo por objetivo central promover o acesso ampliado dessas mulheres à atendimentos e acompanhamento de saúde.
•Descrever o perfil das mulheres acompanhadas no Grupo Terapêutico Alegrar •Apresentar as ações estratégicas de saúde mental desenvolvidas pelo grupo no âmbito da APS •Articular com outros equipamentos de saúde e níveis de atenção as demandas, garantindo a integralidade do cuidado •Discutir o impacto social que a formação do grupo promoveu para as mulheres assistidas e suas famílias.
O grupo terapêutico ocorre de forma quinzenal em um espaço cedido pela prefeitura e abrange um público de cerca de 20 mulheres. A cada encontro as participantes tem um espaço para iniciar o momento discorrendo, caso desejem, sobre os últimos 15 dias, podendo compartilhar de forma sigilosa suas dores, angustias e eventos felizes tendo a segurança de serem acolhidas de forma empática pelas demais usuárias. Após essa etapa o grupo segue com a discussão de uma temática trazida pela mediadora de acordo com o que é percebido como necessidade do grupo ou por sugestão direta das participantes. Para a abordagem dos temas são utilizados recursos diversos como textos, músicas, dinâmicas, danças, técnicas de relaxamento e confecção de atividades manuais. Por fim, após a conclusão do tema o grupo é finalizado com breves palavras da mediadora e é acordado a próxima data. O serviço conta como profissionais de referência uma terapeuta ocupacional e uma psicóloga, tendo como convidados outros profissionais como assistente social, educador físico e nutricionista a depender do tema a ser abordado.
O perfil de pacientes acompanhadas é de pessoas do sexo feminino, maiores de idade, que residem no município de Tabuleiro do norte e apresentam algum transtorno mental ou sofrimento psíquico, tendo como principais demandas mulheres com ansiedade e depressão. O grupo supracitado se caracteriza como aberto, permitindo a entrada de novos membros ao longo do processo grupal e sem data estipulada para termino. Em virtude dessa característica o mesmo segue em desenvolvimento há mais de 10 anos, mesclando participantes presentes desde a criação como novos integrantes. O atendimento em questão tem como premissa a construção de um espaço seguro, sigiloso e sem julgamentos que possibilite as usuárias compartilhar suas demandas além de desenvolver vínculos afetivos que possam servir de rede de apoio extra grupo. Dentre as atividades desenvolvidas no grupo destaca-se as rodas de conversas, expressão dos sentimentos por meio de pinturas, danças, oficinas de artesanatos, momentos de autocuidado, passeios ao ar livre, meditação, dentre outras.
Considerando a observação longitudinal do comportamento das participante mais antigas ao longo da ultima década, e atrelado aos constantes relatos de melhoria das usuárias, pode-se concluir que a criação de grupos terapêuticos torna-se uma estratégia efetiva para possibilitar o atendimento integral do usuário da atenção básica, apesar dos escassos recursos profissionais disponíveis nesse nível de atenção. Pois, ainda que o atendimento prestado não seja individualizado, as demandas desse público muitas vezes são coincidentes, o que nós permite construir um serviço que possibilite a escuta qualificada, a discussão de estratégias de enfrentamentos de problemas, o empoderamento feminino e a criação de vínculos extramuros que podem servir de rede suporte quando os usuários necessitem se ausentar do serviço.