Autor(a)
Renata Barros Gadelha
Coautor(es)
Leticia Kelly Costa Silva
João Paulo de Lima Vieira
Thalita Soares Rimes
Wigna Carla Ferreira Silva
Gabriela de Araújo Costa
A saúde da mulher envolve ações diversas ao longo da vida, abrangendo prevenção, reabilitação de doenças, promoção do bem-estar físico e mental, maternidade, exercício da sexualidade e inserção no mercado de trabalho. Com as mulheres representando 51,6% da população brasileira, políticas públicas eficazes são essenciais, como a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), que visa reduzir morbimortalidade e garantir assistência qualificada e humanizada. O compromisso com a saúde feminina inclui garantir direitos e reduzir agravos preveníveis, especialmente em atenção obstétrica, planejamento familiar, abortamento seguro e combate à violência doméstica e sexual. Para isso, é fundamental integrar recursos da rede de saúde, estruturando linhas de cuidado eficazes. A Residência Multiprofissional em Saúde alia ensino e assistência, capacitando profissionais para práticas no SUS, especialmente na Atenção Básica, principal porta de entrada das demandas femininas. A Unidade Básica de Saúde (UBS) é um espaço estratégico para fortalecer o empoderamento e a autonomia das mulheres sobre sua saúde, promovendo conhecimento e incentivando o protagonismo na busca por soluções.
Com base nessas considerações, identifica-se a importância de investir em grupos para o empoderamento, humanização e intensificação do atendimento à saúde da mulher para atender as necessidades de singularidade em seus diversos momentos do ciclo de vida, assim, objetivou-se relatar a construção do grupo de gestantes “Mães com Afeto” como estratégia de educação em saúde.
Trata-se de um estudo metodológico, descritivo e documental sobre a construção e experiências do grupo "Mães com Afeto", voltado à educação em saúde para mulheres em um município do interior do Ceará. A formação do grupo ocorreu em seis etapas: definição do título, levantamento de participantes por meio de formulário compartilhado por Agentes Comunitárias de Saúde (ACS), inclusão das mulheres em grupo de WhatsApp para vínculo, organização da logística com equipe multiprofissional, início dos encontros quinzenais divulgados no Instagram e WhatsApp e, por fim, entrega simbólica de certificados "Mãe do Ano". Os encontros online abordaram planejamento reprodutivo, gestação e puerpério, com rodas de conversa e esclarecimento de dúvidas. A necessidade do grupo surgiu da percepção dos profissionais sobre a importância da escuta ativa e orientação acessível para continuidade do cuidado. Criado a partir de uma roda de conversa entre duas enfermeiras residentes, o grupo esteve ativo de setembro de 2023 a dezembro de 2024, com três edições adaptadas conforme feedbacks das participantes. O estudo, por ser um relato de experiência, não exigiu aprovação do Comitê de Ética, conforme Resolução 466/12 do CNS.
A criação do grupo possibilitou estratégias de acolhimento, iniciando com uma dinâmica interativa remota no primeiro encontro. Utilizando o aplicativo Mentimeter, as participantes responderam sobre o significado da maternidade, formando uma nuvem de palavras. O grupo contou com 55 inscritas ao longo das três edições, sendo 13 participantes assíduas. A terceira edição teve maior adesão devido à relevância das temáticas abordadas e ao incentivo das enfermeiras durante a consulta de pré-natal. As rodas de conversa foram aprimoradas com metodologias diversas para facilitar a compreensão das gestantes. Alguns temas foram recorrentes, enquanto outros foram ajustados conforme feedbacks das participantes. Os retornos positivos em todas as edições reforçaram a importância do projeto para a educação em saúde dessas mulheres. Outro aspecto relevante foi a entrega de certificados às participantes ativas, validando e incentivando sua presença nos encontros.
A educação em saúde no pré-natal é essencial para melhorar a qualidade de vida das gestantes, reduzir a evasão do acompanhamento e promover autonomia no processo gestacional. No entanto, algumas limitações do estudo incluíram a dificuldade de participação ativa das mulheres devido a compromissos domésticos, cuidado com outros filhos e questões pessoais. Além disso, algumas ausências ocorreram por trabalho de parto ou indisposição na fase final da gestação.Outro desafio foi a falta de internet e celular, especialmente entre mulheres da zona rural, que relatavam compartilhar o único aparelho com o marido, dificultando a participação. A interação nos encontros também foi limitada, pois muitas não ativavam o microfone ou a câmera. No entanto, na terceira edição, houve maior engajamento pelo WhatsApp, demonstrando o interesse na iniciativa. A escassez de referências sobre grupos para gestantes da zona rural reforça a necessidade de aprofundar o tema, tanto no contexto teórico quanto na prática.