Autor(a)
Marcilia Brandão Rodrigues Honorato
Coautor(es)
Andreza Maria Moura Costa
Janete Andrade Fausto
Islayne de Fátima Costa Ramos
O transtorno do espectro autista é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits na comunicação, interação social, comportamento restritos e repetitivos a qual se apresenta em três níveis de suporte. No Brasil estima-se que a cerca de 2 milhões de pessoas acometidas por esse diagnóstico, onde vale ressaltar que esse aumento considerável se deu devido ao avanço na ciência. A CAZULO foi inaugurada há sete meses no município de Canindé e já atende cerca de 523 crianças e adolescentes, na faixa etária de 2 à 17 anos, números estes que só aumentam. No acolhimento com os responsáveis dos usuários do serviço foi possível observar a preocupação destes como a: receios, dúvidas e falta de preparo, escassez de apoio psicológico para lidar com o diagnóstico dos filhos, pois muitas famílias ainda enlutadas, bem como o desenvolvimento de transtornos psicológicos. Vale ressaltar que a detecção precoce do diagnóstico ajuda de forma significativa no desenvolvimento da criança, levando a receber estímulos precocemente e preenchendo as lacunas que irão surgir conforme o crescimento.
* Identificar as dificuldades presentes no dia a dia das famílias atípicas. Diminuir a sobrecarga de responsabilidade das mães atípicas. Despertar a curiosidade e interesse sobre o transtorno do espectro autista. Acompanhar sistematicamente as dúvidas que surgem em relação aos estímulos ofertados no ambiente familiar. Comprovar a importância da continuidade das intervenções em casa.
A partir da demanda supracitada foi criada o grupo terapêutico de mães atípicas que se deu início no mês de agosto do ano de 2023. O encontro acontece de forma quinzenal, onde são abordados temas específicos voltados para o TEA, além de uma escuta ativa. Também são realizadas orientações acerca de manejos de comportamentos disruptivos, reforçando a importância dos estímulos em casa, o autocuidado com práticas integrativas e associação livre. Quando detectado um sofrimento persistente que causa prejuízo na vida pessoal, que influencia no processo de desenvolvimento das crianças e adolescentes autistas, geralmente é realizado um encaminhamento interno para acompanhamento psicológico individual.
O grupo dá suporte cerca de 30 mães atípicas que atuam de maneira assídua os encontros quinzenais. No decorrer dos encontros foi observado que os filhos dessas mães têm um desenvolvimento diferenciado, devido à ausência de faltas e a continuidade dos estímulos em casa. São famílias mais atuantes no serviço e que tem melhoras significativas na redução das sobrecargas emocionais, acesso a informações e orientações que as motivam na contribuição de novas ideias de melhorias para a instituição, como por exemplo a demanda de fala para atendimento de escuta psicológica individual, atividades físicas, como zumba e principalmente na ajuda continuada em casa com estímulos terapêuticos, onde vale a ressalva na evolução do processo desenvolvimento dos filhos, em que crianças e adolescentes reduziram seu nível de suporte dentro do espectro autista.
Conforme observado nos resultados, é necessário a permanência e continuidade do grupo terapêutico das mães atípicas, pois foi constatado de forma efetiva a importância do acolhimento, escuta, informação e orientação, que influenciou positivamente na redução da sobrecarga familiar frente a um diagnóstico, a conscientização do autocuidado que por sua vez estava impactando negativamente no processo evolutivo do filho, o acesso à informação que levou a desconstrução de preconceitos sobre o TEA e principalmente na redução e prevenção de transtornos psicológicos causados por preocupação excessiva, medos irracionais, despreparo, falta de apoio profissional e autoconhecimento.