Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
TÂMARA BEZERRA LIMA
Coautor(es)
CHARMENES ALVES GOMES
ALANNE VIRGINIA ARAUJO ALVES
EMANUELA CASTRO COSTA DA SILVA
A Atenção Primária à Saúde (APS) constitui a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo responsável pela coordenação do cuidado e organização das redes de atenção. Orientada pelos princípios de universalidade, integralidade e equidade, atua de forma territorializada, com foco na promoção da saúde, prevenção de agravos e cuidado contínuo. Entre as demandas mais prevalentes, destacam-se as condições musculoesqueléticas, como lombalgia, osteoartrose e tendinopatias, que geram dor crônica, limitação funcional e impacto na qualidade de vida, além de elevada procura por fisioterapia e consequente demanda reprimida. Nesse contexto, os grupos de cinesioterapia surgem como estratégia para ampliação do acesso e qualificação do cuidado, permitindo atendimento coletivo com exercícios terapêuticos, educação em saúde e incentivo à atividade física. Essa abordagem contribui para redução da dor, melhora da funcionalidade, fortalecimento do autocuidado e uso mais eficiente dos recursos, estando alinhada às diretrizes do SUS.
Objetivo geral: Implementar a estratégia de grupos de cinesioterapia na Atenção Primária à Saúde em Quixelô/CE, visando à redução da dor, melhora da funcionalidade e promoção da atividade física. Objetivos específicos: Organizar grupos terapêuticos para lombalgia, osteoartrose e tendinopatias Ampliar o acesso ao cuidado fisioterapêutico Reduzir a demanda reprimida Promover exercícios terapêuticos supervisionados Desenvolver ações de educação em saúde Estimular a prática regular de atividade física Fortalecer o vínculo entre equipe e usuários.
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido na Atenção Primária à Saúde do município de Quixelô/CE, com foco na implantação de grupos de cinesioterapia para usuários com condições musculoesqueléticas. Inicialmente, foi realizado levantamento da demanda reprimida para fisioterapia, em articulação com as equipes da Estratégia Saúde da Família e a regulação municipal. A partir disso, estruturou-se um fluxo de encaminhamento interno, com avaliação fisioterapêutica inicial. Os usuários foram classificados conforme a condição clínica e inseridos em grupos específicos. As atividades ocorrem duas vezes por semana, com duração de 40 a 60 minutos, incluindo alongamentos, fortalecimento muscular, treino funcional e orientações educativas. Utilizam-se como instrumentos de acompanhamento a Escala Visual Analógica (EVA), registros em prontuário e observação funcional. O processo envolve planejamento, organização dos fluxos, captação, avaliação, inserção nos grupos, monitoramento e reavaliação periódica, em parceria com equipes da APS e gestão local.
A implantação dos grupos de cinesioterapia ampliou o acesso ao cuidado fisioterapêutico, com redução da demanda reprimida para atendimentos individuais. Observou-se diminuição da dor, mensurada pela EVA, e melhora da funcionalidade, com maior independência nas atividades de vida diária. Houve aumento da adesão às práticas corporais, com boa aceitação, alta frequência e baixa evasão. No âmbito da gestão, verificou-se otimização do processo de trabalho, permitindo atender mais usuários com manutenção da qualidade assistencial. A organização dos fluxos contribuiu para maior resolutividade da APS e integração entre equipe e usuários. Também foram evidenciados avanços na educação em saúde, com maior compreensão sobre dor, postura e importância da atividade física.
Os grupos de cinesioterapia configuram-se como estratégia eficaz, de baixo custo e alta resolutividade na Atenção Primária à Saúde, contribuindo para redução da dor, melhora funcional e promoção da atividade física. A experiência demonstra que o cuidado coletivo associado à educação em saúde amplia o acesso, fortalece o autocuidado e otimiza os recursos disponíveis. Destaca-se o potencial de replicabilidade da estratégia, devido à sua viabilidade operacional e alinhamento com as diretrizes do SUS, contribuindo para o fortalecimento da APS como coordenadora do cuidado.