Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Maritza Cavalcante Barbosa
Coautor(es)
Maria Sandiele Lopes Pereira Da Costa
Ana Flávia Martins Batista
Maria Luzirene Pereira da Silva
Daglene Bernardo Rodrigues
Maria Liduína Pereira de Sousa Cavalcante
Vanessa Soares dos Anjos
A infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) constitui um importante problema de saúde pública, estando associada ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer, com destaque para o câncer do colo do útero, além de neoplasias anogenitais e orofaríngeas. Nesse contexto, a vacinação de meninos e meninas na faixa etária de 9 a 14 anos apresenta elevada efetividade, sobretudo por ocorrer antes do início da vida sexual e em um período de maior resposta imunológica, contribuindo significativamente para a redução da transmissão viral e da incidência de doenças relacionadas ao HPV. A incorporação da vacina contra o HPV ao Programa Nacional de Imunizações representa um avanço nas políticas públicas de prevenção, ao garantir acesso gratuito e ampliar a proteção populacional, com potencial impacto na redução da morbimortalidade por cânceres evitáveis. Contudo, observa-se, nos últimos anos, um aumento da hesitação vacinal, influenciado por fatores como desinformação, disseminação de notícias falsas, baixa percepção de risco, receios infundados quanto à segurança da vacina e barreiras socioculturais. Diante desse cenário, estratégias como a vacinação em ambiente escolar e ações de educação em saúde mostram-se fundamentais para ampliar a cobertura vacinal nessa população. Essas abordagens favorecem o acesso, fortalecem o vínculo com a comunidade e promovem a disseminação de informações confiáveis, contribuindo para a superação da hesitação vacinal e para o fortalecimento das políticas de imunização.
Apresentar o impacto das ações de vacinação escolar na cobertura vacinal contra HPV em adolescentes do município de Palmácia-CE
Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem quantitativa, que analisa os resultados de uma intervenção voltada ao aumento da cobertura vacinal contra o HPV em meninos e meninas com idade entre 9 e 14 anos. A intervenção consistiu na adoção de estratégias de vacinação em ambiente escolar associadas a ações de educação em saúde. No ano de 2025, foi implementada, no município de Palmácia, a Semana Municipal de Vacinação contra o HPV, contemplando todas as escolas da rede municipal de ensino. Durante o período, enfermeiras das equipes de saúde realizaram rodas de conversa com os estudantes, abordando aspectos relacionados ao HPV, formas de prevenção, importância da vacinação e esclarecimento de dúvidas. Paralelamente, as equipes de imunização executaram ações de busca ativa de indivíduos não vacinados, com oferta da vacina no próprio ambiente escolar. As atividades foram conduzidas de forma lúdica e acolhedora, contando com o apoio do personagem Zé Gotinha, visando maior engajamento do público infantojuvenil e fortalecimento das ações de promoção da saúde. Os dados de cobertura vacinal foram obtidos a partir dos registros contidos no LocalizaSUS, referentes ao ano de 2025, e comparados com as coberturas vacinais dos quatro anos anteriores. Para análise, considerou-se a população-alvo de meninos e meninas de 9 a 14 anos vacinados contra o HPV.
A avaliação dos resultados baseou-se na variação percentual das coberturas vacinais entre os períodos analisados, permitindo identificar o impacto das estratégias implementadas. Observou-se, no ano de 2025, o alcance das maiores coberturas vacinais dos últimos quatro anos, com incremento de 10% no público feminino e de 28,7% no público masculino.
Conclui-se que a estratégia de vacinação em ambiente escolar mostrou-se eficaz para o aumento da cobertura vacinal contra o HPV no município de Palmácia. A implementação dessa abordagem contribuiu significativamente para ampliar o acesso à vacina e fortalecer a adesão da população-alvo. O incremento observado pode ser atribuído a fatores como a facilitação do acesso por meio da oferta da vacina nas escolas, a realização de ações de educação em saúde que promoveram maior conscientização sobre a importância da imunização, a busca ativa de não vacinados e o uso de estratégias lúdicas que favoreceram o engajamento de crianças e adolescentes. Dessa forma, evidencia-se o potencial da articulação entre saúde e educação como estratégia efetiva para o fortalecimento das ações de imunização.