Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
ANDRESSA OLIVEIRA BRAZ DIAS
Coautor(es)
Isabelle Penha Rodrigues
Adalia Samara Gadelha de Holanda Lima
Olímpia Maria Freire de Azevedo
Francisco Ionario Nunes de Sousa
Lorieny Souza Rocha
Lucélia Góis de Oliveira Arruda
Ana Raquel Pequeno Lima Fiuza
Juliana Barcelos Barbosa Pelucio
Kennedy Anderson Barros de Almeida
Roberto Wagner Júnior Freire de Freitas
A implantação da equipe itinerante de saúde no município de Caucaia surgiu a partir da identificação de barreiras de acesso aos serviços da Atenção Primária à Saúde (APS), relacionadas à distância geográfica, vulnerabilidade social e dificuldades de deslocamento até as Unidades Básicas de Saúde. Observou-se baixa adesão às consultas, atraso em acompanhamentos de condições crônicas, fragilidades no pré-natal e cobertura insuficiente de ações preventivas, evidenciando iniquidades no cuidado ofertado à população quilombola. Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, possui território extenso com áreas rurais e comunidades tradicionais dispersas. Implementada em 2026, a experiência atende 9 comunidades quilombolas de difícil acesso, abrangendo 2.615 pessoas integradas a 4 UAPS: Antônio Brasileiro (Primavera – Boqueirãozinho, Serra do Juá, Deserto, Serra da Conceição, Porteiras e Boqueirão dos Araras) Nilda Matos Brito de Miranda (Tucunduba – Serra da Rajada) Luiz Costa Oliveira (Capuan – Caetanos) e Maria dos Santos (Barra Nova – Cercadão). A intervenção consiste em equipe multiprofissional itinerante com cronograma sistemático de visitas, oferecendo consultas médicas e de enfermagem, vacinação, exames preventivos, acompanhamento de hipertensos e diabéticos, ações educativas e atualização de cadastros individuais/familiares. O público-alvo prioritário inclui gestantes, crianças, pessoas com doenças crônicas e idosos, garantindo cuidado contínuo e territorializado. A iniciativa está alinhada aos princípios do SUS e à Política Nacional de Saúde Integral da População Negra do Ministério da Saúde, reconhecendo especificidades socioculturais e vulnerabilidades históricas das comunidades quilombolas. Assim, qualifica a assistência, reduz iniquidades, amplia acesso e promove cuidado culturalmente sensível, fortalecendo vínculos entre equipes de saúde e comunidade para maior equidade.
Objetivo Geral Implantar e consolidar equipe itinerante de saúde para ampliar o acesso, qualificar a atenção e reduzir iniquidades no cuidado à população quilombola do município de Caucaia, fortalecendo a Atenção Primária à Saúde no território. Objetivos Específicos • Realizar atendimentos itinerantes regulares às comunidades quilombolas de Caucaia, ampliando o acesso da população aos serviços da Atenção Primária à Saúde. • Ofertar consultas médicas e de enfermagem, vacinação, exames preventivos e acompanhamento de pessoas com condições crônicas, visando qualificar o cuidado e prevenir agravos. • Intensificar o acompanhamento de gestantes, crianças e idosos, a fim de reduzir riscos e fortalecer a atenção integral aos grupos prioritários. • Desenvolver ações de educação em saúde voltadas às famílias e lideranças comunitárias, promovendo autonomia, prevenção de doenças e fortalecimento do vínculo com a equipe. • Atualizar cadastros individuais e familiares, qualificando as informações do território para subsidiar o planejamento, o monitoramento e a tomada de decisão na gestão do cuidado.
A estratégia institucional adotada fundamentou-se na reorganização do processo de trabalho da Atenção Primária à Saúde (APS) em Caucaia, com priorização da equidade no acesso às comunidades quilombolas. A proposta foi pactuada entre a gestão municipal e a coordenação da APS, incorporada ao planejamento anual da Secretaria Municipal de Saúde, com definição de metas assistenciais, indicadores de monitoramento e cronograma fixo de visitas. A iniciativa foi alinhada às diretrizes do Ministério da Saúde para atenção às populações em situação de vulnerabilidade, em especial às comunidades tradicionais. O desenho operacional estruturou-se na constituição de uma equipe multiprofissional itinerante, composta por enfermeira, técnica de enfermagem, médico e agentes comunitários de saúde, vinculada a quatro equipes de referência e responsável pelo atendimento a nove comunidades quilombolas. Organizou-se um fluxo assistencial específico, contemplando acolhimento, escuta qualificada, atendimento clínico, realização de procedimentos, vacinação, coleta de exames preventivos, acompanhamento de condições crônicas e encaminhamentos regulados para outros pontos da Rede de Atenção à Saúde, quando necessário. Todas as ações são registradas em prontuário eletrônico e nos sistemas oficiais de informação. As etapas de execução compreenderam: (1) diagnóstico situacional e levantamento epidemiológico do território (2) mapeamento das famílias e identificação de grupos prioritários (3) planejamento logístico e definição de cronograma mensal de visitas (4) articulação com lideranças quilombolas para mobilização comunitária (5) realização dos atendimentos itinerantes (6) monitoramento dos indicadores de acesso e cobertura e (7) reuniões periódicas de avaliação, com ajustes no processo de trabalho sempre que necessário. Como instrumentos e recursos, utilizaram-se protocolos clínicos, fichas de cadastro individual e familiar, equipamentos portáteis, insumos para imunização e exames, transporte institucional e materiais educativos. A parceria com lideranças comunitárias mostrou-se fundamental para fortalecer o vínculo, ampliar a adesão às ações e assegurar cuidado contínuo, territorializado e culturalmente sensível às especificidades das comunidades quilombolas.
A implantação da equipe itinerante nas comunidades quilombolas de Caucaia promoveu avanços expressivos no acesso e na organização da Atenção Primária à Saúde (APS). Entre os principais indicadores monitorados, destacam-se o aumento no número de atendimentos médicos e de enfermagem no território, ampliação da cobertura vacinal, crescimento na realização de exames preventivos e maior proporção de pessoas com hipertensão e diabetes acompanhadas regularmente, com registros adequados em prontuário eletrônico. Observou-se também a ampliação e atualização dos cadastros individuais e familiares, qualificando o diagnóstico situacional e subsidiando o planejamento de ações. Houve captação mais precoce de gestantes, aumento no número de consultas de pré-natal e maior adesão ao acompanhamento puerperal, além de fortalecimento da vigilância do crescimento e desenvolvimento infantil e ampliação do cuidado à saúde da pessoa idosa. Assistencialmente, constatou-se maior resolutividade no território, com redução de encaminhamentos evitáveis e melhor organização dos fluxos. A presença periódica da equipe reduziu faltas a consultas e assegurou continuidade no cuidado às condições crônicas. Gerencialmente, favoreceu o monitoramento sistemático de indicadores, estratificação de risco e reorganização do processo de trabalho das equipes de referência. Socialmente, fortaleceu o vínculo entre profissionais e comunidade, com maior participação de lideranças em ações educativas e ampliação da confiança nos serviços de saúde. Como evidências de melhoria, evidenciam-se o aumento do acesso, qualificação da assistência, ampliação da cobertura preventiva e redução de iniquidades no cuidado à população quilombola.
A implantação da equipe itinerante nas comunidades quilombolas de Caucaia demonstrou que a reorganização do processo de trabalho na Atenção Primária à Saúde (APS) amplia o acesso, qualifica a assistência e reduz iniquidades. Os resultados – aumento da cobertura preventiva, fortalecimento do acompanhamento de crônicos, maior adesão ao pré-natal e melhoria nos cadastros – confirmam o alcance do objetivo de cuidado territorializado e culturalmente sensível. A experiência reforça a importância do diagnóstico situacional, monitoramento de indicadores e articulação com lideranças comunitárias para o êxito da intervenção. Como aprendizados, destacam-se o fortalecimento do vínculo, escuta qualificada, respeito às especificidades socioculturais e organização logística para regularidade das ações. Com potencial de replicabilidade em territórios tradicionais, depende de planejamento estruturado, apoio municipal e integração de equipes. Sua sustentabilidade reside na institucionalização na APS, manutenção de recursos e acompanhamento contínuo, contribuindo para equidade e fortalecimento do SUS