Tema: MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE
Autor(a)
Maria Rachel Galdino Costa
Coautor(es)
João Antônio e Silva Neto
Geovanna Maria Sales Monteiro
A fibromialgia é uma das doenças reumatológicas mais prevalentes, caracterizada por dor musculoesquelética difusa e crônica, frequentemente acompanhada de fadiga, distúrbios do sono e limitações funcionais. Por sua complexidade, exige acompanhamento multidisciplinar, com abordagem integral que contemple tanto os sintomas físicos quanto os aspectos emocionais e cognitivos associados. Pacientes com fibromialgia apresentam maior vulnerabilidade a quadros de ansiedade e depressão, além de alterações cognitivas como dificuldade de concentração, lapsos de memória e lentidão no raciocínio, muitas vezes relacionadas ao impacto emocional e ao sono não reparador. O estresse crônico e a sensação de incapacidade funcional intensificam o sofrimento, reforçando a necessidade de estratégias terapêuticas que integrem corpo e mente. Nesse contexto, o grupo psicoterapêutico surge como espaço de acolhimento e aprendizado coletivo, permitindo que os pacientes compartilhem experiências, ressignifiquem a vivência da dor e fortaleçam vínculos emocionais e sociais. A proposta de trabalhar com psicoterapia em grupo nasceu da necessidade de compreender os conflitos existenciais do indivíduo, reconhecendo que o processo de saúde não se limita ao adoecimento físico, mas envolve dimensões subjetivas e relacionais. Com esse propósito, foi estabelecido no Centro Especializado em Reabilitação Fares Andrade Said, em Eusébio/CE, um processo de tratamento voltado para pacientes com fibromialgia, fundamentado em uma visão ampla e integral. A iniciativa foi construída a partir de reuniões técnicas e estudos sobre a doença, culminando na abertura de um grupo terapêutico com encontros semanais, criado para desafogar a fila de espera para atendimento psicológico individual voltados para o fortalecimento emocional, social e para a promoção da qualidade de vida desses pacientes.
Objetivo Geral: Criar um espaço seguro onde os pacientes possam falar sobre dor crônica, limitações e impacto da fibromialgia na vida cotidiana. Objetivos Específicos: Reduzir isolamento dos pacientes que se sentem incompreendidos Fortalecer vínculos e a sensação de pertencimento Oferecer informações sobre estratégias de enfrentamento, autocuidado e manejo da dor Validar sentimentos e promover resiliência diante das dificuldades.
A experiencia traz como metodologia o trabalho com um grupo psicoterapêutico com pacientes que tem diagnóstico em fibromialgia e necessariamente mulheres. Ocorre uma semanalmente, sendo ofertado em dois horários distintos: às terças-feiras no período da manhã e às quartas-feiras no período da tarde. A disponibilização em turnos diferentes tem como objetivo ampliar o acesso e favorecer a adesão do maior número possível de pacientes. O acesso ao grupo terapêutico ocorre mediante encaminhamento realizado pelo médico clínico da unidade, sendo necessário que as pacientes estejam em acompanhamento no Centro Especializado em reabilitação Fares Andrade Said. Após o encaminhamento, as pacientes são inseridas em lista de espera para posterior triagem e inclusão no grupo. O grupo possui duração de seis meses, com encontros semanais, e conta com número máximo de quinze participantes por turma. Durante o processo grupal, é favorecido espaço para troca de experiência e momento com a família com intuito de passar informações acerca do que é fibromialgia e a importância do papel familiar neste processo. Depois de seis meses, elas podem voltar para fila novamente para continuarem o processo em outro grupo, elas não ficam mais no mesmo grupo.
Desde a implementação do grupo terapêutico, observa-se melhora clínica e comportamental significativa nas pacientes participantes. Verifica-se redução na frequência de buscas por atendimento médico e menor necessidade de ajuste ou aumento de dosagem medicamentosa. Além disso, nota-se melhora na interação com a equipe de fisioterapia, com diminuição de demandas excessivas relacionadas á dor. As pacientes passam apresentar maior autonomia e manejo mais eficaz dos sintomas dolorosos, possivelmente associados ás intervenções e trocas de experiências no contexto grupal.
A implantação do grupo psicoterapêutico para pacientes com fibromialgia no município de Eusébio/CE demonstrou ser uma estratégia eficaz de cuidado integral, capaz de promover benefícios clínicos, emocionais e sociais. A experiência evidenciou que o espaço grupal favorece a troca de vivências, fortalece vínculos e contribui para a ressignificação da dor, reduzindo o isolamento e ampliando a autonomia das participantes. Os resultados apontaram para uma melhora significativa no manejo dos sintomas, menor demanda por atendimentos médicos e redução da necessidade de ajustes medicamentosos, além de maior integração com a equipe multiprofissional. Esses achados reforçam a importância de incluir abordagens psicoterapêuticas em grupo como parte do tratamento multidisciplinar da fibromialgia, valorizando o protagonismo do paciente e o papel da família no processo de cuidado. A iniciativa consolida-se como uma prática exitosa e replicável, que fortalece a rede de atenção em saúde e reafirma o compromisso do SUS com a integralidade e humanização do cuidado. O grupo psicoterapêutico mostrou-se não apenas uma intervenção clínica, mas também um espaço de acolhimento e construção coletiva de estratégias de enfrentamento, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das pacientes e para o fortalecimento da saúde mental no contexto da dor crônica.