Tema: GESTÃO DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO NA SAÚDE
Autor(a)
Nadja Mara de Sousa Lopes
Coautor(es)
Rochelle de Arruda Moura
Gabriela de Almeida Ricarte Correia
Segundo a política nacional de medicamentos, o farmacêutico deve garantir à população acesso aos medicamentos, com qualidade e garantia do seu uso racional. Entretanto, as necessidades da população vão além do acesso ao medicamento e requerem ações articuladas com a equipe de saúde para continuidade do cuidado dos seus usuários, utilizando tecnologias em saúde adequadas. Merhy classifica estas tecnologias em leves, leve-duras e duras, sendo as leves àquelas mais utilizadas nos serviços de saúde em nível primário, por se caracterizarem por tecnologias das relações, com produção de vínculo, autonomização, acolhimento, diálogo aberto e escuta qualificada. Cabe ao farmacêutico que atue nas unidades básicas de saúde (UBS) desenvolver atividades logísticas relacionadas ao ciclo da assistência farmacêutica, como também serviços clínicos amparados no uso de tecnologias de baixo custo, a fim de superar as dificuldades e garantir a qualidade do cuidado.
Objetivo geral: Apresentar tecnologias em saúde de baixo custo como estratégias utilizadas pelo farmacêutico na operacionalização do cuidado em saúde em Maracanaú-Ceará. Objetivos específicos: Descrever as ações realizadas no ciclo logístico da assistência farmacêutica Apresentar os serviços clínicos desenvolvidos nas unidades de saúde e ações extramuros com outros profissionais para o cuidado dos usuários.
Trata-se de um relato de experiência, vivido pela farmacêutica em seu campo de trabalho, desde 2012 até os dias atuais, no município de Maracanaú. O município possui o território dividido em 6 áreas de vigilância em saúde (AVISA). Cada avisa possui pelo menos um farmacêutico responsável por desenvolver atividades técnicas relacionadas ao medicamento (com foco no armazenamento, distribuição, dispensação e execução de políticas públicas), e atividades clínicas (inserindo-se em uma equipe multiprofissional que apoia as ações das equipes de saúde da família). Para operacionalização das suas atividades logísticas, o farmacêutico tem apoio da equipe da central de abastecimento farmacêutico (CAF) e gerência das unidades de saúde. Para os serviços clínicos, o farmacêutico tem apoio dos profissionais da atenção básica e atua em ações individuais e coletivas. Individualmente desenvolve serviços clínicos como aconselhamento aos usuários, rastreamento em saúde e revisão da farmacoterapia. As principais dúvidas que surgem destas atividades são identificadas e trabalhadas estrategicamente em grupos com usuários, capacitações da equipe de saúde e ações em atividades coletivas.
As ações farmacêuticas foram divididas em dois grupos: logísticas e clínicas. Para isso, as farmácias das unidades de saúde tiveram seus ambientes organizados divulgou lista de medicamentos padronizados junto aos prescritores realizou pedidos mensais à CAF em mapas padronizados preocupou-se com armazenamento adequado e capacitou a equipe para distribuição/dispensação conforme legislações vigentes. Quanto aos serviços clínicos, aconselhamento aos pacientes sobre os medicamentos, promovendo adesão ao tratamento rastreamento em saúde, detectando fatores de risco e realização de intervenções individuais e revisão da farmacoterapia com ajustes de horários, recomendações ao paciente e/ou ao médico. As dúvidas e problemas encontrados nas ações individuais eram levadas às reuniões com as equipes de saúde e os casos eram discutidos com os profissionais da equipe multidisciplinar. Quando necessário as agentes comunitárias de saúde (ACS) eram acionadas a buscar informações fidedignas no território para que os problemas de saúde fossem resolvidos. Se necessário, eram realizadas salas de espera, rodas de conversa e oficinas sobre uso racional do medicamento com a comunidade. Os ACS receberam capacitação sobre armazenamento e o uso correto de insulinas após identificado que muitos usuários não utilizavam corretamente o medicamento.
A organização dos serviços de farmácia na AVISA apresentaram redução de erros de distribuição/dispensação de medicamentos e insumos redução dos custos porque os medicamentos mais próximos a expirar eram dispensados primeiro, reduzindo inclusive o número de medicamentos vencidos gerados na unidade aplicação das regras de dispensação conforme as legislações vigentes foram aplicadas. Com a implantação dos serviços clínicos, a farmacêutico passou a ser melhor reconhecido como profissional de saúde não somente frente a equipe de saúde, como também pelos usuários do serviço. Os ACS tornaram-se grandes parceiros na detecção de problemas relacionados ao medicamento no território. Como desafios a serem vencidos ainda percebeu-se pouco material para desenvolvimento de dinâmicas e oficinas junto à comunidade e ausência de indicadores de processo/resultados para registro da atuação profissional do farmacêutico.