Autor(a)
ELÂNIA CRISTINA ARAÚJO VASCONCELOS
Coautor(es)
REGINALDO MENDES JUSTINO
FRANCISCA LARISSA RODRIGUES DE ALMEIDA
AURINEIDE SHIRLENE FIRMINO SALES
JOSELMA DA SILVA BARRETO
MARIA CORDEIRO MOREIRA
FRANCISCO RODRIGUES ALVES
ELK MIK DE AULO FRANÇA
MARYNELA MANGO
MARÍLIA GONGIM CORDEIRO
GENÉSIO QUEIROZ SILVA NETO
O Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil define a estrutura de assistência à saúde pública, prestada por órgãos e instituições públicas em níveis federal, estadual e municipal. Nos últimos anos, os serviços de emergência tornaram-se uma porta de entrada crucial no sistema de saúde, com aumento constante na demanda. Isso gera pressão sobre estruturas e profissionais, sendo a principal causa de insatisfação da população. Diversos fatores contribuem para essa demanda, como mudanças no perfil demográfico, prevalência de doenças crônicas e acesso à informação. O Hospital e maternidade Júlia Jorge atende sede e zona rural do município, totalizando 6.734 habitantes. Diante desse cenário, se fez necessário reorganizar os serviços de emergência para atender às necessidades específicas dos pacientes de forma mais eficiente e humanizada. O conceito de acolhimento, definido pelo Ministério da Saúde, destaca a importância de receber, ouvir e aceitar os pacientes, promovendo uma abordagem mais próxima e inclusiva. Essa reorganização busca conciliar o princípio da equidade, garantindo prioridade aos mais necessitados, com o acesso universal e integral à saúde.
Apresentar a experiência desenvolvida em Hospital e Maternidade Júlia Jorge em General Sampaio – CE, com relação à organização da demanda a partir da utilização do acolhimento com classificação de risco.
A implantação do acolhimento com classificação de risco no Hospital e Maternidade Júlia Jorge em General Sampaio, surgiu a partir das constantes discussões realizadas na unidade em relação à melhoria do ambiente de trabalho e assistência prestada aos usuários. Essa nova modalidade de assistência a demanda espontânea tem como foco as queixas apresentadas pelos usuários no momento da assistência, e não aquele que chegou primeiro para ser atendido. O usuário é acolhido pela recepção da unidade, onde após fazer a ficha em prontuário eletrônico é enviado para classificação, o acolhimento na unidade compreende todo o horário de funcionamento da mesma, que é 24 horas, sete dias da semana, em sala criada para atendimento, sendo feito por enfermeiro. Dessa forma, as diversas queixas e as sintomatologias existentes foram sistematizadas e classificadas de acordo ao seu grau de risco, e dividida em quatro cores: Vermelha (emergência), amarela (urgência), verde (caso agudo) e azul (caso eletivo), sendo assim a classificação recebida pelo usuário no ato do acolhimento determinará a urgência ou não de seu atendimento.
O protocolo de acolhimento com classificação de risco foi implementado no Hospital e Maternidade Júlia Jorge em 2023, trazendo uma mudança positiva na postura dos profissionais e aceitação pelos usuários. Já se observa uma mudança positiva na postura dos profissionais que realizam o acolhimento. Eles se sentem mais apoiados em suas funções e mais engajados na assistência direta aos usuários. Por sua vez, os usuários não estão resistindo ao fato de que a ordem de chegada não é mais o único critério para atendimento prioritário. Isso demonstra um respeito crescente pela necessidade dos outros e promove o exercício da cidadania na população atendida. Na Unidade Hospitalar, a implantação está dentro do prazo previsto, com 7.523 atendimentos registrados até agora, com 5.148 pacientes classificados. Destes, 88 foram classificados como vermelho, 443 como amarelo, 1.795 como verde e 2.822 como azul, sendo estes últimos direcionados para a Unidade Básica de Saúde (UBS) de origem durante a implantação. Isso evidencia um grau de complexidade compatível com o proposto para a maioria dos atendimentos na UH, que serve como uma porta de entrada para usuários com situações clínicas mais complexas, fortalecendo, assim, a capacidade da UBS em cuidar do paciente dentro da sua complexidade. Embora ainda não seja possível mensurar a satisfação da população com essa nova modalidade de atendimento, nota-se que a assistência tem se tornado mais efetiva e organizada em relação às prioridades.
O presente trabalho além de contribuir como relato de experiência de sucesso para a assistência mais qualificada, faz parte do processo de construção da atenção à saúde, a qual acompanha a evolução dos serviços de saúde no Brasil, entendendo que “a grande revolução nos sistemas de saúde só será possível quando o cerne da discussão for o valor gerado para o usuário”, e a implantação da Classificação de Risco na UH, foi um dos grandes avanços e evolução no processo de atendimento, concluindo – se que a organização da porta de entrada da UH através da Classificação de Risco, é e sempre será a assistência prestada, contribuindo assim para a assistência mais digna e humana da comunidade.