Autor(a)
TEREZA CRISTINA RIBEIRO BRITO
Coautor(es)
DENIAR CRYSLENE DE SOUSA AIRES
MARIA ZULEIDE AMORIM MUNIZ
ULISSES GUEDES LEONARDO
GISELE VERAS
VALDONIS TABOSA MACIEL
O vínculo educação e saúde encontra-se marcado tanto nas ações dos serviços de saúde, como na gestão de instituições formadoras. Dessa, torna-se um desafio instalar processos de ensino-aprendizagem que estejam respaldados por processos de trabalhos e ações crítico-reflexivas. É indispensável realizar propostas de educação permanente em saúde com a participação de profissionais do próprio serviço assim como com a participação de professores e profissionais de instituições de ensino. O Hospital Municipal Dom Aloíseo Lorscheider fica localizado no município de Guaiúba, região metropolitana do estado do Ceará, classificado como um hospital de pequeno porte conta com uma equipe multiprofissional: médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares de farmácia, recepcionistas, farmacêutica, vigias e nutricionista. No ano de 2022 viu-se a necessidade a partir de processos de trabalho já implantados no serviço de capacitar os profissionais e suas respectivas equipes. Dessa forma conseguimos desenvolver relações concretas que operam com as realidades vivenciadas no hospital e que possibilitam construir espaços coletivos para a reflexão e avaliação de sentido dos atos produzidos no cotidiano da unidade de saúde em questão.
Análise da educação dos profissionais de saúde que trabalham na unidade Observação das práticas de atenção integral à saúde Estudo da gestão setorial Reconhecimento da organização social.
Foram realizados cinco encontros com a equipe de enfermagem, sendo um desses com o gestor de saúde que representava o município na época, sendo estabelecido o NEC (Núcleo de Educação Continuada) do Hospital Municipal Dom Aloíseo Lorscheider. A partir desses encontros foram observados em quais pontos as equipes tinham mais dificuldade e o que poderia ser aperfeiçoado. O primeiro curso foi realizado no mês de abril de 2022, com os temas Primeiros Socorros, Assistência ao Parto e a Gestante e Acolhimento. Nos meses seguintes foram realizadas avaliações e mais encontros do NEC e assim ministrados mais cursos.
Como resultado foi possível perceber uma mudança na percepção dos próprios profissionais envolvidos no processo, como a visão hegemônica tradicional (biologicista, mecanicista, centrada no professor e na transmissão) para uma concepção construtivista (interacionista, de problematização das práticas e dos saberes) mudar também a concepção lógico-racionalista, elitista e concentradora da produção de conhecimento (por centros de excelência e segundo uma produção tecnicista) para o incentivo à produção de conhecimento dos serviços e à produção de conhecimento por argumentos de sensibilidade, com o propósito de ensinar e aprender também. Outra repercussão da implantação do NEC foi produzir novas práticas de saúde, objetivando os desafios da integralidade e da humanização e da inserção da participação dos usuários no planejamento terapêutico. Além de configurar de modo criativo e original a rede de serviços, assegurar redes de atenção às necessidades em saúde e considerar na avaliação a satisfação dos usuários atendidos na unidade de saúde.
O papel das práticas educativas deve ser crítica e incisivamente revisto para que almeje a possibilidade de pertencer aos serviços/profissionais/ a que se dirigem, de forma que os conhecimentos que são veiculados alcancem significado para os trabalhadores da saúde, obtendo um cruzamento entre os saberes formais previstos pelos estudiosos ou especialistas e os saberes operadores das realidade, detidos pelos profissionais em atuação no serviço para que viabilizem auto-análise e principalmente autogestão. Os saberes formais devem estar implicados com movimentos de auto-análise e autogestão dos coletivos da realidade, pois são os atores do cotidiano que devem ser protagonistas da mudança de realidade desejada pelas práticas educativas, motivando dessa forma as equipes e aprimorar a qualidade de atendimento ao usuário.