Autor(a)
Maria Aparecida Chagas Rocha
Coautor(es)
Simara Moreira de Macêdo
Samyla Citó Pedrosa
Yury Tavares de Lima
Francisco Nilson Maciel Mendonça Filho
Iury Tibúrcio Mesquita dos Santos
José Hiago Feitosa de Matos
Elizamar Regina da Rocha Mendes
Patrícia Chagas Rocha D'almeida
Jefferson Oliveira e Silva
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a uma das principais causas de morte no Brasil e uma das maiores responsáveis por incapacitação no mundo, exigindo cuidados em todos os níveis de atenção à saúde. No nível de atenção primário, é importante controlar fatores de risco e reconhecer precocemente os sintomas. Considerada uma emergência médica tempo dependente e com possibilidades terapêuticas, o paciente com sintomas de AVC precisa ser identificado precocemente para chegar à unidade de referência o mais rápido possível. Para casos de AVC Isquêmico sem reperfusão, o tratamento deve ser feito no hospital de origem, seguindo as diretrizes atuais para a fase aguda da doença. Após a ocorrência do AVC, a prevenção secundária é fundamental, embora ainda não seja padronizada nas instituições de saúde do Ceará, aumentando o risco de novos episódios. O elevado custo no tratamento do AVC impacta significamente o indivíduo, a família e o Sistema Público de Saúde. Nessa perspectiva, o identificou-se a importância de implantar a Linha de Cuidados em AVC em todos os níveis de atenção, preparando profissionais de saúde para uma mudança de paradigma em relação ao AVC. Caucaia foi escolhida para iniciar o projeto devido ao elevado número de casos e ao interesse da gestão em saúde. Acredita-se que a realização desse projeto resulte em impacto positivo para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), proporcionando uma redução do número de casos, sequelas e mortalidade decorrentes do AVC.
Geral: Implantar a Linha do Cuidado do AVC em toda as Redes de Atenção à Saúde do município de Caucaia, Ceará. Específicos: Formar grupos de profissionais multiplicadores no município para capacitação em atendimentos ao AVC agudo e subagudo Implantar protocolos de atendimento ao AVC agudo e subagudo em todas as portas de entrada de urgência e emergência Implantar um protocolo de prevenção secundária do AVC na Atenção Primária à Saúde Instituir Escore de Risco para AVC em casos de Acidente Isquêmico Transitório (AIT) em todos os serviços de saúde Criar serviço especializado em AVC Agudo, especializado na neuroproteção e no tratamento Aumentar o número de pacientes em atendimento no serviço especializado Reduzir o tempo resposta entre o primeiro atendimento e a reperfusão do vaso obstruído Reduzir a mortalidade e as incapacidades funcionais da população do município Reduzir a incidência de casos de AVC em um período mínimo de 2 anos após a implementação do projeto.
Trata-se de um estudo de intervenção, realizado em Caucaia-Ceará, iniciado em janeiro de 2024 e ainda em seguimento. A primeira fase constitui-se em um diagnóstico situacional, utilizando os dados epidemiológicos dos últimos dois anos. Após o diagnóstico, selecionou-se um grupo de profissionais multiplicadores com base em critérios metodológicos específicos, que participaram do Curso “AVC tem jeito: torne-se um multiplicador”. Esse curso, ofertado em formato híbrido (online e presencial), incluiu simulações realísticas e totalizou 120 horas de carga horária. Na fase de implantação dos protocolos e fluxos de atendimento, os multiplicadores treinaram todos os profissionais não médicos das Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e do hospital municipal. Os médicos foram sensibilizados sobre a importância de adotar o novo protocolo de atendimento, alinhando-se às diretrizes e guidelines da Sociedade Brasileira de AVC. Além disso, os fisioterapeutas receberam capacitação adicional em um hospital de referência com ênfase na reabilitação precoce. A etapa final da implantação no serviço hospitalar finalizou com a criação de uma enfermaria destinada a casos de AVC subagudo sem indicação de reperfusão química ou mecânica. Essa unidade recebeu o título de “Unidade de AVC pós janela”, sendo a primeira do Brasil com esse objetivo. A próxima fase será realizada na Atenção Primária, com a seleção de multiplicadores, visando expandir e consolidar as melhorias no atendimento.
Com a implantação do protocolo de atendimento ao paciente com AVC na UPA e na unidade hospitalar, estabeleceu-se a pactuação para a realização das tomografias em serviços equipados, nas primeiras 24 horas de atendimento para todos os pacientes sem indicação de trombólise. Outro importante resultado foi a realização de consultas com neurologistas para pacientes internados na unidade de AVC, utilizando o serviço de telemedicina implementado pelo Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Saúde (Sesa). As prescrições médicas passaram a ser elaboradas conforme as diretrizes do Ministério da Saúde, e a equipe de enfermagem adotou novos protocolos operacionais padrões para o cuidado ao paciente. A equipe de fisioterapia estabeleceu uma nova abordagem com ênfase na neuroplasticidade. Os dados do DataSUS foram utilizados para monitorar os indicadores. Em 2023, nenhum paciente foi encaminhado para trombectomia, porém após a implantação do protocolo, dez pacientes foram beneficiados com o procedimento. Em 2024, o número de paciente identificados para o tratamento com o trombolítico aumentou de 24 para 28 em comparação ao ano anterior. Além disso, o número de pacientes encaminhados para o centro de referência subiu de 74 para 98, indicando maior atenção aos casos existentes. O número de pacientes tratados no hospital municipal também aumentou de 45 (2023) para 73 (2024). Entre as limitações do estudo, destaca-se a mudança de gestores e a saída de profissionais já capacitados.
A implantação das recomendações do Ministério da Saúde em todos os níveis de atenção à saúde assegura uma assistência integral, resolutiva e com continuidade do cuidado após um AVC para os usuários do SUS. Pacientes que não conseguiram prevenir o AVC, podem ser identificados precocemente, tratado imediatamente, submetidos a investigação etiológica e encaminhados para a Atenção Básica com a devida prescrição para a prevenção secundária. Destaca-se que, com a realização desse projeto, Caucaia se torna o primeiro município cearense a tratar pacientes que perderam a “janela terapêutica”, seguindo as diretrizes assistenciais da Sociedade Brasileira de AVC. Ressalta-se ainda a importância dos processos formativos que empoderaram os profissionais de saúde no manejo da prevenção, tratamento e reabilitação dos casos. Além disso, o projeto fomentou o trabalho das Redes de Atenção à Saúde e adotou um protocolo de prevenção secundária para todos os casos pós-AVC e pós-AIT. Recomenda-se a expansão deste projeto para outros municípios do Estado do Ceará, visando ampliar seus benefícios e proporcionar um atendimento ainda mais eficaz e integral aos pacientes.