Autor(a)
Bianca da Cruz de Aquino
Coautor(es)
Bruna Paiva de Azevedo
Ana Carla Souza
Jean Ardley Lima da Costa
Tatiane Melo Ramos Lima
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno identificado na infância e que não possui cura, porém com tratamentos, pode-se melhorar a qualidade de vida da criança. Trata-se de uma síndrome comportamental com diferentes etiologias, na qual o processo de desenvolvimento encontra-se comprometido. Os cuidados demandados por uma criança com TEA, impacta na rotina diária da família e cuidadores, acarretando mudanças na rotina, afetando o financeiro, as relações sociais, questões emocionais, profissionais, os hábitos diários, o lazer e podem ser causadoras de estresses, podendo causar sobrecargas financeiras, físicas e mentais, influenciando na qualidade de vida de famílias e cuidadores gerando famílias disfuncionais. Essas questões impactam diretamente na funcionalidade acarretando inúmeros prejuízos no seu desenvolvimento, atividades e participação social. Nesse contexto, para dar conta de tantas demandas, faz-se necessário a existência de uma rede de apoio e de dispositivos que possam auxiliar as famílias na melhoria dos déficits e na atenção integral. O Programa Interdisciplinar e Parental do Centro Integrado de Reabilitação de Itaitinga (CIRI) é essencial no cuidado a crianças com TEA. O período das intervenções ocorreu de agosto de 2022 até o presente momento, amparando 32 famílias e 32 crianças com diagnostico em idades de 3 a 11 anos semanalmente por uma equipe interdisciplinar composta por psicólogo, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo.
Geral: Evidenciar a importância do Programa Interdisciplinar e Parental no autismo para o diagnóstico e tratamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista. Específico: Salientar a importância da participação parental na terapêutica dos pacientes, enumerando os ganhos com a junção das atividades interdisciplinares e a participação parental dentro de um programa terapêutico.
Trata-se de um relato de experiência da prática dos profissionais que atuam no serviço de Núcleo de Atendimento Interprofissional e Parental no CIRI, região metropolitana do Ceara para crianças com TEA. O serviço é composto por seis profissionais, sendo 2 psicólogos, 2 terapeutas ocupacionais e 2 fonoaudiólogos. O serviço presta assistência multidisciplinar para 32 crianças de 3 a 11 anos de idade no período de agosto de 2022 aos dias atuais. Além dessas crianças que recebem os cuidados da equipe interdisciplinar acompanha-se as 32 famílias com objetivo de orientar e proporcionar conhecimento a partir das ações realizadas com objetivos definidos. As intervenções parentais acontecem com os cuidadores e pais que compartilham técnicas e informações que contribuem para evolução do tratamento do paciente. Assim os pais e cuidadores têm a oportunidade de ampliar as intervenções a outros ambientes, auxiliando em suas ações e empoderando os pais para saberem como lidar com as crianças. Logo, deve-se considerar imprescindível a participação parental no processo clínico desse paciente, visando orientar esse familiar e facilitar a condução clínica do paciente em seu dia a dia. Através de roda de conversas, palestras e de oficinas sobre parentalidade e aprendendo a brincar na teoria e prática, trabalha-se temas relevantes do amplo mundo do TEA objetivando-se motivar e contribuir com informações práticas e necessárias para as famílias auxiliares no desenvolvimento das crianças com TEA.
Percebeu-se através dos relatos que o trabalho da equipe interprofissional proporcionou uma melhor qualidade de vida e evolução no quadro das crianças com TEA. Nos momentos de terapia com a participação parental coletou-se informações por registro em diário de campo, escuta qualificada dos medos, dúvidas e dificuldades dos pais do programa para planejar as palestras e as oficinas parentais. A partir das ações realizadas, as famílias tornaram-se protagonistas e ativos no tratamento de seus filhos, compreendiam melhor as estratégias clínicas dos profissionais e reforçavam em casa, com o intuito de aumentar os comportamentos desejáveis para as crianças. Foi observado a promoção de um ambiente saudável das famílias possibilitando aos pais uma melhor compreensão das dificuldades de comportamentos emitidos pelos seus filhos e como deveriam atuar nas demandas apresentadas pela criança em casa. Os pais tornaram-se mais confiantes e assertivos em seu papel no tratamento das crianças. Familiares relatam que as crianças tiveram novos ganhos de habilidades sociais, alterações positivas no comportamento, melhora na qualidade do relacionamento pais/criança e diminuição da comunicação violência como “maneira de educar” e mudar o comportamento. A atenção em saúde ocorreu com a contribuição de profissionais das mais diversas formações, com os mais variados conhecimentos e tendo as mais diferentes especialidades e expertises, para que o indivíduo fosse atendido em sua integralidade.
Acerca da importância do Programa Interdisciplinar e Parental no autismo para o diagnóstico e tratamento de crianças com transtorno do espectro autista observa-se que é fundamental que o paciente com TEA seja assistido por uma equipe interdisciplinar de forma integral e humanizada. De forma que esse cuidado também abranja os pais e cuidadores, considerando de suma importância a participação parental no processo e avanço clínico desse paciente, visando orientar esse familiar e facilitar a condução clínica da criança em seu dia a dia, principalmente porque o desenvolvimento dessas crianças não pode sofrer descontinuidade no ambiente domiciliar. Evidenciou-se nesta investigação que um tratamento especializado, qualificado e humanizado promove reabilitação psicossocial e melhoria na qualidade de vida da criança e prepara os pais e cuidadores para oferecer o suporte físico, emocional e parental. Faz-se necessário que a sociedade seja mais esclarecida sobre esse assunto e os profissionais das áreas de saúde e educação sejam treinados e preparados para atuar no TEA.