Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
JOSE SOARES DE ARAÚJO
Coautor(es)
ADRIANA RODRIGUES DE SOUSA
MARA MILVIA PONTES MELO RESENDE
NAIRA DENISE DE SOUSA SANTOS
ROSANGELA SOUSA CAVALCANTE
ANA PATRÍCIA TIMBO BATISTA RIBEIRO
A Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha papel central na coordenação do cuidado e na organização das Redes de Atenção à Saúde, sendo estratégica para a melhoria dos indicadores assistenciais e da qualidade do cuidado. No município de Crateús/CE, a equipe da UAPS do distrito de Ingá implementou um modelo inovador de gestão baseado no uso sistemático de dados para qualificação do processo de trabalho e alcance de metas. A experiência foi motivada por desafios relacionados à fragmentação das ações, baixa adesão dos usuários e necessidade de aprimorar o desempenho nos indicadores da APS. A partir disso, estruturou-se uma estratégia centrada no monitoramento contínuo, tomada de decisão baseada em evidências e corresponsabilização da equipe. A iniciativa envolveu profissionais da equipe multiprofissional e a população adscrita, promovendo mudanças na organização do cuidado e no acesso aos serviços. A proposta destaca-se por transformar dados em ferramenta ativa de gestão, fortalecendo a APS como ordenadora do cuidado e ampliando sua resolutividade.
Objetivo Geral: Implementar estratégias inovadoras de gestão do cuidado para qualificar o desempenho dos indicadores da APS em Crateús/CE. Objetivos Específicos: •Instituir cultura de monitoramento e uso de dados para tomada de decisão •Reorganizar o processo de trabalho com foco em resultados e qualidade •Ampliar o acesso e a continuidade do cuidado aos usuários •Reduzir perdas assistenciais por meio de busca ativa e acompanhamento sistemático •Potencializar o desempenho da equipe nos indicadores prioritários da APS.
Relato de experiência de abordagem qualitativa, desenvolvido na UAPS de Ingá, com base na implementação de um modelo de microgestão orientado por indicadores. A estratégia estruturou-se em três eixos principais: monitoramento, intervenção e avaliação contínua. Foram realizadas reuniões mensais para análise crítica dos indicadores, identificação de nós críticos e definição de planos de ação por equipe. Destacam-se como inovações: •Uso sistemático de indicadores como ferramenta de gestão cotidiana •Estratificação de usuários e priorização de grupos vulneráveis •Busca ativa programada para redução de faltosos •Organização de agendas orientadas por risco e necessidade de saúde •Corresponsabilização da equipe com metas pactuadas •Feedback contínuo dos resultados, fortalecendo a cultura avaliativa. O processo permitiu integrar assistência e gestão, promovendo maior eficiência na organização do cuidado. A experiência foi conduzida de forma longitudinal ao longo de 2025, possibilitando acompanhamento evolutivo dos resultados e ajustes oportunos nas estratégias.
A experiência resultou em elevação expressiva do desempenho dos indicadores da APS, com destaque para o alcance de conceito ÓTIMO em indicador estratégico de cuidado no desenvolvimento infantil e manutenção de desempenho BOM com tendência de crescimento nos demais indicadores. A equipe de Ingá destacou-se como referência municipal em desempenho, apresentando os melhores resultados entre as equipes no ano de 2025. Observou-se melhoria consistente em indicadores relacionados ao acesso, cuidado de condições crônicas, saúde da mulher e pessoa idosa. Entre os principais impactos, destacam-se: •Ampliação do acesso e da cobertura assistencial •Redução significativa de faltosos •Maior adesão dos usuários às ações programáticas •Melhoria na continuidade e coordenação do cuidado •Fortalecimento da cultura de avaliação e uso de dados na rotina da equipe. A utilização dos indicadores como ferramenta ativa de gestão possibilitou intervenções mais rápidas e eficazes, refletindo diretamente na qualidade da assistência prestada.
A experiência demonstra que a incorporação da inteligência em saúde na APS, por meio do uso qualificado de indicadores, é uma estratégia potente para transformação do processo de trabalho e melhoria dos resultados assistenciais. O modelo implantado mostrou-se eficaz, sustentável e de baixo custo, com alto potencial de replicabilidade em outros territórios, especialmente por valorizar o protagonismo das equipes e a gestão baseada em evidências. O destaque alcançado pela equipe no cenário municipal evidencia que práticas organizadas, monitoradas e orientadas por dados são determinantes para o sucesso na APS. Conclui-se que iniciativas como esta fortalecem o SUS, ampliam a resolutividade da APS e contribuem para a consolidação de um cuidado mais eficiente, equitativo e centrado nas necessidades da população.