Autor(a)
José Edmilson Silva Gomes
Coautor(es)
Milena Soares Ferreira
Jamily De Souza Silva
Yanni Sérvulo Rolim Pinheiro
Liana Mara Rocha Teles
Jardel Lima Correia
Phillipe de Moraes Nascimento
A transformação digital no setor público, especialmente na saúde, tem sido um desafio crescente, com a integração de informações sendo essencial para melhorar o atendimento. O Sistema Único de Saúde (SUS), responsável pelo acesso universal à saúde no Brasil, tem adotado tecnologias como o SUS Digital, com destaque para a implementação do prontuário eletrônico. São Gonçalo do Amarante, no Ceará, tornou-se um case relevante ao enfrentar desafios típicos da interoperabilidade na adoção de tecnologias de informação em saúde. O Programa SUS Digital (BRASIL, 2024) visa integrar tecnologia ao SUS para melhorar a qualidade e eficiência dos serviços. Foca em três eixos principais: fortalecer a infraestrutura digital, promover a colaboração entre entidades para aprimorar a gestão e garantir a interoperabilidade dos dados. Iniciativas como o "Meu SUS Digital" permitem que cidadãos acessem seu histórico de saúde, visando reduzir desigualdades e aumentar a transparência. Este estudo visa analisar a implementação do Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) em São Gonçalo do Amarante, com ênfase na interoperabilidade dos sistemas de informação.
Compreender os desafios da integração das plataformas tecnológicas, os impactos na qualificação dos profissionais de saúde e os efeitos na qualidade do atendimento, servindo de base para políticas públicas em outras localidades.
O presente estudo adotou uma abordagem qualitativa e descritiva, focando na análise de dados primários relacionados à gestão local, especificamente a avaliação do Plano Municipal de Saúde de São Gonçalo do Amarante, no Ceará, vigente de 2022 a 2025. Para a coleta das informações, foram utilizados dados públicos acessíveis, incluindo aspectos como os objetivos de implementação do plano, as portarias e diretrizes do Ministério da Saúde (MS), além do próprio conteúdo do plano municipal. A análise considerou o contexto e os documentos referentes ao período em questão, permitindo uma compreensão detalhada das estratégias e diretrizes adotadas no município para o aprimoramento da gestão digital da saúde.
O Plano Municipal de Saúde (2022-2025) de São Gonçalo do Amarante, Ceará, implementou ações para modernizar a gestão e atendimento na saúde. Entre as iniciativas, destacam-se a informatização do Laboratório Municipal de Análises Clínicas e a garantia de suporte técnico em informática nos Estabelecimentos de Saúde. O plano também visou integrar os serviços de saúde e otimizar o fluxo de informações, com a informatização da Rede de Atenção à Saúde e do Setor de Regulação em Saúde. A informatização do Almoxarifado visou um controle mais eficiente de materiais. O Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) no município está diretamente relacionado à interoperabilidade, consolidando informações em tempo real e facilitando a gestão do cuidado entre os diferentes níveis de atenção (primária e terciária). A digitalização dos dados reduz o uso de papel, agiliza diagnósticos e tratamentos, e melhora a eficiência administrativa. A utilização do Power BI permite monitorar em tempo real os indicadores das coordenadorias da Secretaria de Saúde, proporcionando uma gestão mais dinâmica e informada. No entanto, o prontuário eletrônico apresenta desafios como a capacitação contínua dos profissionais e questões tecnológicas relacionadas à compatibilidade entre sistemas. Apesar dos avanços, a interoperabilidade nos sistemas de saúde enfrenta obstáculos, sendo crucial promover sua viabilização para melhorar o acesso e compartilhamento de dados.
A implementação do SUS Digital no município de São Gonçalo do Amarante é um exemplo relevante de como a transformação digital pode melhorar a qualidade do atendimento no SUS, especialmente através da interoperabilidade dos sistemas de informação. Contudo, os desafios identificados revelam a complexidade da digitalização na saúde pública, sendo necessária a superação de barreiras tecnológicas e culturais. O prontuário eletrônico tem mostrado potencial para melhorar a coordenação do cuidado, mas a sua plena adoção depende de uma infraestrutura robusta e de capacitação contínua dos profissionais de saúde. Outro ponto, é a importância de versões do PEC para a atenção especializada e hospitalar, com envio de produção diretamente para o MS.