Autor(a)
MARCIONILIA DE ARAUJO LIMA NETA
Coautor(es)
JOSE ELIARDO FONTELES LIMA
KARINE ALANA DO NASCIMENTO
MARIA RANNIELLY DA SILVA FAUSTINO
DENNIS MOREIRA GOMES
ANA PAULA PRACIANO TEIXEIRA
DEBORA JOYCE NASCIMENTO FREITAS
A Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada no Sistema Único de Saúde (SUS) e abarca situações de agravos ao bem-estar físico, mental e social. Dentre as possibilidades de intervenção, destaca-se os grupos terapêuticos, promovendo a socialização, a expressão de sentimentos, o desenvolvimento da autonomia e o exercício da cidadania dos usuários (Brasil Pinho Schmidt, 2021). A abordagem do grupo terapêutico é um método interdisciplinar de trabalho com pessoas, visando estimular, dentre outras questões, um processo de aprendizagem para os participantes. Essa abordagem é centrada no sujeito, considerando sua relação com o objeto e o grupo, e fundamentada na estrutura de vínculos que molda a intervenção grupal (Pinho et al, 2019). Conforme alguns estudos a responsabilidade pelos cuidados de uma criança com algum transtorno crônico apresenta alterações sobre a saúde física e mental e a qualidade de vida do cuidador/pais, além de problemas conjugais e isolamento social da família, principalmente das mães (Rangel De Lima Do Carmo, 2024). Este trabalho relata a experiência de um grupo de mães atípicas conduzido por profissionais da Residência Multiprofissional em Saúde da Família. A criação do grupo surge pela necessidade de fortalecer o acolhimento e o suporte emocional dessas mulheres, que enfrentam desafios complexos no cuidado de seus filhos promovendo um espaço de escuta, troca de experiências e fortalecimento de vínculos entre as mães e os profissionais de saúde.
Objetivo Geral: Criar um espaço de escuta e apoio, contribuindo para a construção de vínculos entre os participantes e a equipe de saúde Objetivos específicos: - Favorecer a construção de redes de apoio entre os participantes e a equipe de saúde, fortalecendo o suporte emocional e social - Discutir desafios e demandas enfrentadas pelas mães no cuidado diário de seus filhos, promovendo estratégias coletivas de enfrentamento - Fortalecer a atuação interprofissional na APS, proporcionando uma abordagem integral às necessidades das mães e das crianças atípicas.
Este trabalho caracteriza-se como um relato de experiência, baseado na condução de um grupo de mães de crianças atípicas conduzido por residentes da Residência Multiprofissional em Saúde da Família. A experiência foi desenvolvida no município de Acaraú considerando princípios da Educação Popular em Saúde e metodologias participativas. Inicialmente, foi realizado um levantamento das mães com crianças atípicas atendidas pelas equipes multiprofissionais e pela equipe de residentes. Posteriormente organizou-se o convite e realizou-se sensibilizações individuais para estimular a participação. Optou-se por um modelo de grupo aberto, com encontros semanais, permitindo a participação ativa das mães. Dentre as ações implementadas, destacam-se: sala de sensações, práticas de ventosa terapia, massagens relaxantes, tenda do conto, passeio na Praia de Arpoeiras, piquenique compartilhado, maquiagem, ensaio fotográfico e finalizando o ano com momento de confraternização e amigo doce. Durante os encontros, temas emergentes trazidos pelas participantes foram discutidos, abrangendo desafios cotidianos, sobrecarga do cuidado, acesso a serviços e estratégias de bem-estar. A equipe de residentes mediou os diálogos, promovendo um ambiente acolhedor e horizontalizado. A metodologia adotada buscou respeitar o protagonismo das mães, valorizando o compartilhamento de saberes e a construção coletiva de estratégias de cuidado.
A experiencia do grupo possibilitou o fortalecimento do vínculo entre as mães com a criação de um espaço de escuta e acolhimento que proporcionou trocas significativas, reduzindo o sentimento de isolamento e promovendo redes de apoio entre as participantes. Além disso ampliou a percepção das mães sobre estratégias de cuidado a partir do compartilhamento de diferentes formas de lidar com desafios cotidianos, fortalecendo sua autonomia no cuidado com as crianças. O grupo favoreceu ainda um vínculo mais próximo entre as mães e os profissionais, facilitando o acesso a serviços de saúde e tornando o atendimento mais humanizado e resolutivo. A escuta qualificada e a possibilidade de partilha de vivências contribuíram para a diminuição de sobrecarga emocional, favorecendo a saúde mental das mães. A experiência reforçou a importância do trabalho em equipe na APS, promovendo uma abordagem integral e interdisciplinar para as demandas das famílias. Ademais, a iniciativa demonstrou ser uma estratégia viável e necessária na APS, apontando para a importância da sua manutenção e ampliação para atender mais famílias e outros contextos de vulnerabilidades.
A experiência da condução do grupo de mães de crianças atípicas na Atenção Primária à Saúde (APS) reafirma o potencial dos encontros coletivos como estratégia para fortalecimento de vínculos, promoção da saúde mental e construção de redes de apoio. A troca de saberes e vivências entre as mães possibilitou a criação de um espaço de acolhimento, no qual os desafios cotidianos do cuidado puderam ser compartilhados, reduzindo a sobrecarga emocional e fortalecendo a autonomia das participantes. Além disso, a iniciativa demonstrou a importância da atuação interprofissional na APS, favorecendo a articulação entre diferentes saberes e práticas para oferecer um cuidado integral às famílias. O grupo também contribuiu para uma maior aproximação entre as mães e os serviços de saúde, tornando o atendimento mais humanizado e acessível. Diante dos resultados positivos, destaca-se a relevância da continuidade e ampliação de iniciativas como essa, garantindo espaços permanentes de escuta e apoio dentro da APS. O trabalho com grupos se apresenta, portanto, como uma ferramenta potente para qualificar o cuidado, fortalecer redes de suporte e promover a equidade no acesso à saúde para mães e crianças em situação de vulnerabilidade.