Autor(a)
Débora Rocha Carvalho
Coautor(es)
Bárbara Hellen Gomes Coelho
Cintia Silva de Andrade
Marcionilia de Araújo Lima Neta
Ana Paula Praciano Teixeira
Camilla Araújo Lopes Vieira
Amanda Souza Barbosa
Suzane Passos de Vasconcelos
Vitória Rocha Ramos
Sabe-se que geralmente os tratamentos em saúde mental para os casos clínicos considerados graves e persistentes incluem a administração de medicamentos, que embora apresentem os efeitos que se destinam para a melhora clínica, podem gerar efeitos colaterais prejudiciais à saúde (como dependência, prejuízos cognitivos, ganho de massa corporal). Necessitando assim de outras intervenções com finalidade terapêutica que auxiliem no tratamento, como, por exemplo, a promoção da saúde por meio da atividade física. Essa relação tem repercussão na qualidade de vida dos pacientes, sobretudo nos efeitos subjetivos da prática (socialização, autoestima, autocuidado). Foi partindo dessa compreensão, que o município de Acaraú através da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) teve a iniciativa de implementar o projeto “MERGULHA-CAPS”, que se refere aos grupos de hidroginástica destinados às usuárias do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Acaraú. Tal projeto foi implementado pela equipe do CAPS e da SMS em agosto de 2022, garantindo os recursos necessários para as aulas, como: profissional de educação física, piscina adequada para o público alvo, material para os exercícios aquáticos e profissional para efetuar a manutenção diária da piscina. Atualmente, em 2024, o projeto continua ativo e em expansão, como uma experiência bem sucedida, comprovada por meio de relatos e estudos acerca dos impactos das aulas no bem-estar e auxiliar terapêutico no tratamento das usuárias do CAPS de Acaraú.
Apreender os efeitos da prática da hidroginástica em termos de qualidade de vida e saúde mental de um grupo de hidroginástica formado por usuárias acompanhadas pelo Centro de Atenção Psicossocial de Acaraú-CE.
Este resumo corresponde a um relato de experiência de natureza qualitativa, de caráter exploratório-descritivo, realizado no período de março de 2024, descrevendo a prática de hidroginástica realizada por mulheres, no CAPS - Tipo II, da cidade de Acaraú - Ceará. A prática teve início no ano de 2022 e as atividades ocorrem duas vezes por semana, contemplando 50 alunas de faixa-etária entre 25 e 70 anos, divididas em 2 grupos, com duração de 50 minutos. São mulheres que em sua maioria são idosas, que apresentam problemas ortopédicos ou articulares, com variados níveis de ansiedade e/ou outros fatores que se relacionam às condições de saúde mental. A rotina das aulas abrange: Alongamento, aquecimento e os exercícios de alta, moderada e baixa intensidade. Este relato demonstra a percepção de usuárias do CAPS em relação a sua participação e experiência no grupo de hidroginástica. O referido grupo é conduzido por uma profissional de educação física, destinado às usuárias que estão em acompanhamento, tendo por objetivo o incentivo à prática de exercícios físicos, assim como um auxiliar terapêutico no tratamento para redução de níveis de estresse e ansiedade. Os dados extraídos para a construção deste relato se deram a partir de uma roda de conversa facilitada pela profissional de educação física e psicóloga do CAPS com usuárias que participam desde agosto de 2022 do grupo de hidroginástica. A roda de conversa contou com a participação de 20 usuárias.
A roda de conversa se iniciou a partir da seguinte pergunta disparadora: ―”Para vocês, qual a relação entre a prática de hidroginástica e a saúde mental?”, em que cada participante falou livremente sobre os efeitos dessa prática para si e para o grupo. As falas giraram em torno das contribuições e benefícios da prática na qualidade de vida, bem como na ampliação do ciclo de amizades e vínculos afetivos, na redução do consumo de medicamentos psicotrópicos, na melhora do condicionamento físico e dores articulares, incluindo sentimentos de alegria por compartilhar aquele momento em grupo, melhoria significativa na disposição para realização das atividades de vida diária, melhora do sono, maior flexibilidade e fortalecimento muscular, dentre outros benefícios diversos que repercutem na saúde de forma integral. Dentre as falas surgiram: “Nesses momentos me sinto acolhida, sinto grande bem-estar”, “Percebo que aqui somos um grupo, ninguém é melhor que ninguém”, “Nas aulas eu sinto uma alegria na alma” e “Na hidroginástica é onde eu me sinto leve e não sinto o peso da minha cabeça”. Também foi destacado pelas participantes o benefício do convívio social por meio das aulas, pois além das atividades coletivas na piscina, as participantes se reúnem, muitas vezes, para o café da manhã coletivo. A cooperação mútua foi destacada com um ponto muito positivo, uma vez que as próprias participantes levam alimentos para um café da manhã compartilhado.
Foi perceptível em roda de conversa que as mulheres do grupo de hidroginástica expressaram de forma genuína os sentimentos de bem-estar em sua saúde física e mental. Tornou-se evidente que essa relação entre a atividade física e a saúde mental proporcionam benefícios no tratamento das usuárias. Em alguns casos clínicos foi reduzido o número de medicamentos por meio de um estilo de vida mais ativo (em aspectos fisiológicos, psicológicos e sociais), demonstrando assim uma experiência bem sucedida. Com base nisso, o projeto já está sendo ampliado, e agora com inscrições abertas para formação de grupo com o público masculino. Portanto, torna-se fundamental a valorização de atividades de promoção da saúde, assim como da atividade física na perspectiva de grupo, como potente auxiliar terapêutico no tratamento de pessoas com alguma condição de saúde mental. A experiência aqui relatada, por meio do projeto MERGULHA-CAPS, além do impacto positivo para a realidade local, também se torna potencializador para possível replicação em outros cenários de práticas do SUS.