Autor(a)
KLEBER MARQUES DA SILVA
Coautor(es)
Tatiane Noyare Lavor
Camila Justino Caetano
Adriano Orlando Casado Marques
Verônica de Oliveira Alves
Desde o nascimento até os seis meses de idade a principal fonte de alimentação é o leite materno. A introdução alimentar inicia a partir deste período, momento marcado por questionamentos, principalmente sobre quais alimentos oferecer e o método mais seguro a ser utilizado. Esta transição é desafiadora, permeada por dúvidas sobre segurança e adequação nutricional. Incertezas que refletem a busca por uma oferta alimentar que seja tanto segura quanto nutricionalmente eficaz para um desenvolvimento saudável. Neste sentido surge o Método Baby-Led Weaning (BLW) de introdução alimentar. O termo significa “desmame guiado pelo bebê” e objetiva incentivar o bebê a explorar os alimentos sólidos de uma forma autônoma, permitindo o manuseio dos alimentos com as próprias mãos, estimulando o desenvolvimento de habilidades motoras e sensoriais. Assim ao invés do uso de colheres, os pais oferecem alimentos em pedaços adequados para idade, permitindo que o bebê escolha o que comer e desenvolva independência na alimentação. Diante do exposto e a partir da necessidade de abordar temáticas de introdução alimentar para gestantes e puérperas, foram planejadas ações para apresentação do Método a usuários dos serviços da Secretarias de Saúde e Assistência Social priorizando o compartilhamento de conhecimentos e experiências que venham a tornar esta transição segura e eficaz. Pois de acordo com Oliveira et al. 2023 o método, além de seguro, proporciona autonomia e autorregulação.
Apresentar o Método BLW a gestantes e puérperas assistidas pelas Secretarias de Saúde e Assistência Social visando o compartilhamento de informações acerca da importância da condução da introdução alimentar e o impacto desta no desenvolvimento de habilidades motoras e sensoriais no desenvolvimento do bebê.
Trata-se de uma experiência realizada através da execução de oficinas, ambiente de aprendizado que facilita integração entre teoria e prática, promovendo assim uma maior interação entre profissionais e participantes. Foram realizadas três oficinas no decorrer do segundo semestre de 2023. O público envolvido foi captado pela Atenção Primária à Saúde e pela Secretaria de Assistência Social, composto por gestantes, puérperas e crianças menores de 2 anos. Inicialmente, conduzimos o momento com uma exposição sobre a relevância do aleitamento materno para o desenvolvimento do bebê. Além disso, abordamos questões relacionadas à transição alimentar gradual, destacando a importância de uma abordagem saudável que promova autonomia, oferecendo controle sobre a quantidade de alimento consumido e a duração das refeições. Neste momento também foram realizadas atividades práticas sobre os cortes adequados de frutas diversas, cores, odores e formas, o modo de fornecimento da alimentação e a maneira correta de realizar estímulos motores e sensoriais durante o ato de alimentar-se. Um dos questionamentos apresentados foi o risco de engasgo e para este fim ensinamos sobre a execução da manobra de Heimlich, evitando que o ato de se alimentar passe a ser um momento traumático. Cada oficina dura em torno de 3 horas, conduzida por uma equipe composta por nutricionista, enfermeiro e fisioterapeuta, havendo outros profissionais que atuam como facilitadores, dando suporte as famílias durante a oficina.
A oferta de conhecimentos através da aplicação do Método BLW possibilitou aos participantes um maior esclarecimento sobre o aleitamento materno e de como deve ser conduzida este momento de transição alimentar. Além de possibilitar aos profissionais a identificação de vulnerabilidades advindas da má condução deste processo em virtude da falta de conhecimento. O projeto proporcionou também que as mães explanassem as suas dificuldades e compartilhassem umas com as outras as suas vivências, suas dificuldades, como também o rompimento de algumas barreiras, como foi o caso do medo de possíveis engasgos, algo que foi identificado como uma barreira para evolução deste processo. Além disso foi verificado um modelo próprio que pode ser executado adequando a realidade do próprio município. Pois a partir destas oficinas ficaram claras demandas pontuais, dentro da vigilância nutricional, que devem ser fortalecidas no que tange a alimentação saudável e o desenvolvimento motor destas crianças assistidas pelas nossas políticas públicas. Alguns pontos a serem abordados e fortalecidos no dia dia destas famílias foram inseridos em cronogramas específicos tanto na Saúde quanto nas atividades da Assistência Social, possibilitando assim a execução de atividades específicas de maneira intersetorial.
Ao averiguar a implementação do Método durante este período, percebe-se a resistência de muitas mães ao exercício da amamentação e uma abertura no que diz respeito a implementação e introdução alimentar tradicional, já que muitas demonstram o desejo de antecipar este momento de transição da vida da criança. Em consonância com a explanação acima fica evidente que a grande maioria tem receio quanto ao modo como se deve introduzir novos alimentos e como esta abordagem deve ser realizada, já que também externam que sentem-se sozinhas e inseguras diante da situação, o que identifica que há uma lacuna familiar, devido à ausência dos pais na ação e nos serviços de saúde, que devem ser preenchidas tomando como base atividades de orientações direcionadas ao processo. Fica claro também que o momento permitiu que as mesmas tomassem conhecimento sobre a contribuição deste momento e desta transição para o correto desenvolvimento motor e sensorial destas crianças de forma otimizada, contribuindo e permitindo um crescer saudável.