Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Genielly Albuquerque Gomes
Coautor(es)
Raíssa Nayanne Moreira Rufino
Andriela dos Santos Pinheiro
Maria Vângela Nunes
Cíntia Fidélis Nogueira,
Rivelino Franco Fernandes
Francisco Giliar Nogueira da Silva
Paloma Nogueira de Queiroz
Marciana Dangena Alves Pereira
Antonia Juliana Feitosa Bezerra
A Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha papel central na organização do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo responsável pela coordenação do cuidado e ordenação das redes de atenção. Com a reestruturação do modelo de financiamento federal, pautado em indicadores de desempenho, intensificou-se a necessidade de qualificação do uso das informações em saúde como instrumento estratégico de gestão. A experiência foi desenvolvida em um município de pequeno porte do interior do Ceará, que conta com cinco Equipes de Saúde da Família (ESF), cinco Equipes de Saúde Bucal (ESB), uma Equipe Multiprofissional de Saúde, uma Clínica Municipal de Fisioterapia, uma Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF), uma Academia da Saúde e um Hospital Municipal de Pequeno Porte (HPP), além de cobertura de 100% de Agentes Comunitários de Saúde (ACS). A maior parte da população é residente na zona rural, caracterizada por grande extensão territorial. A iniciativa emergiu diante de fragilidades no monitoramento dos indicadores, evidenciadas por sub-registro de informações, baixa apropriação dos dados, uso incipiente das informações no planejamento e rotatividade de profissionais. Logo, diante desse contexto das equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF), todos os atores foram envolvidos, tais como: gestores, profissionais de saúde e equipes multiprofissionais. O público-alvo compreendeu trabalhadores da APS e, de forma indireta, a população adscrita aos territórios. Assim, estruturou-se uma intervenção voltada à institucionalização do monitoramento sistemático, com foco na qualificação dos registros, fortalecimento da cultura avaliativa e uso dos dados para tomada de decisão.
Objetivo geral: Implantar e consolidar o monitoramento dos indicadores da Atenção Primária à Saúde (APS) como ferramenta de gestão baseada em evidências, promovendo a utilização sistemática de dados para subsidiar a tomada de decisão e aprimorar a qualidade da assistência. Objetivos específicos: •Qualificar os registros nos sistemas de informação, garantindo completude e confiabilidade dos dados •Institucionalizar rotinas periódicas de monitoramento, análise e interpretação dos indicadores •Ampliar a apropriação e uso dos dados pelas equipes, fortalecendo a cultura avaliativa •Subsidiar o planejamento territorial e a priorização de ações com base em evidências •Melhorar o desempenho dos indicadores do componente de qualidade, promovendo maior efetividade e resolutividade na APS.
Trata-se de relato de experiência, de abordagem qualitativa, comparativa, desenvolvido entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, no âmbito da gestão municipal da APS. Inicialmente, realizou-se diagnóstico situacional por meio da análise de indicadores do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB) e, posteriormente, do Sistema de Informação para a Atenção Primária em Saúde (SIAPS). Essa etapa permitiu identificar inconsistências nos registros, subnotificação de procedimentos, fragilidade no preenchimento de campos obrigatórios e baixo registro do desempenho assistencial, evidenciando a necessidade de intervenção estruturada para qualificação do monitoramento. A intervenção foi organizada em quatro eixos principais: diagnóstico, monitoramento, educação permanente e planejamento. Para cada indicador, foram elaboradas planilhas nominais de acompanhamento, com atualização mensal e definição de metas por equipe. O monitoramento contemplou todas as equipes da APS e suas microáreas, garantindo acompanhamento contínuo e detalhado dos resultados. Foram instituídas reuniões mensais para análise crítica dos indicadores, planejamento das ações e revisão das metas, promovendo a corresponsabilização das equipes pelos resultados. Paralelamente, foram realizadas capacitações voltadas à qualificação dos registros clínicos e à utilização adequada dos sistemas de informação, fortalecendo a capacidade analítica dos profissionais. O processo metodológico favoreceu a integração entre gestão e equipes, consolidando práticas de planejamento baseado em evidências, estimulando a cultura de monitoramento e contribuindo para a melhoria da qualidade do cuidado prestado à população adscrita.
A implementação do monitoramento sistemático dos indicadores trouxe avanços expressivos na gestão e na assistência da Atenção Primária à Saúde (APS). Entre os principais resultados observados destacam-se: •Acesso na APS: 0,59 → 0,66 •Desenvolvimento infantil: 31% → 48% •Acompanhamento de gestantes: 47% → 60% •Pessoas com diabetes acompanhadas: 68% → 90% •Seguimento de hipertensos: 75% → 92% •Cuidado à pessoa idosa: 47% → 75% •Prevenção do câncer: 48% → 81% Além dos indicadores quantitativos, houve maior incorporação dos dados nas rotinas das equipes, fortalecimento da cultura de avaliação e melhoria no planejamento territorial. Todas as cinco equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) foram classificadas como ótimas. O monitoramento sistemático também possibilitou identificar desigualdades territoriais, direcionando intervenções mais eficientes e aumentando a resolutividade da APS. Essa experiência evidencia como o uso estruturado de dados promove melhoria contínua na qualidade da assistência e na gestão do cuidado.
O monitoramento sistemático dos indicadores da Atenção Primária à Saúde (APS) evidenciou elevado impacto na gestão e na qualidade da assistência, promovendo eficiência nos registros eletrônicos e confiabilidade dos dados. A utilização estratégica das informações fortaleceu a tomada de decisão, melhorou o desempenho dos indicadores e potencializou o planejamento territorial. A experiência mostrou alto potencial de replicabilidade, baixo custo e sustentabilidade, especialmente quando associada à educação permanente e à institucionalização das rotinas de monitoramento. Contribui para o fortalecimento da APS e consolidação dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), organizando os processos de trabalho nos territórios, aprimorando a qualidade do cuidado e aumentando a efetividade da gestão, servindo como modelo de prática baseada em evidências.