Tema: VIGILÂNCIA EM SAÚDE NO MUNICÍPIO/DISTRITO FEDERAL
Autor(a)
Evelline Grace da Silva Oliveira
Coautor(es)
Antonio Eduardo Costa Matos
Carlos Andre do Nascimento
Wladya Andrade Gomes
Elizamara Silva Saldanha Lima
Janaina Mota da Rocha
A crescente urbanização, as dinâmicas populacionais e os desafios relacionados ao acesso à água e à destinação de resíduos sólidos são alguns dos fatores determinantes para a ocorrência de arboviroses no Brasil, como a dengue, Zika e Chikungunya. Segundo dados recentes, mais de 5 mil municípios no país têm a presença do mosquito Aedes Aegypti. Diante desse cenário, o Ministério da Saúde vem fazendo uso de tecnologias com evidências cientificas para fortalecer o controle vetorial. A partir dessa perspectiva, o ministério da saúde vem adotando uma série de tecnologias para o controle do Aedes Aegypti, que inclui a estratificação de risco territorial para arbovirose (LIRAa) e monitoramento entomológico por Ovitrampas, esse monitoramento por Ovitrampas somado aos levantamentos de índices larvários (LIRAa e LIA) permite uma vigilância permanente da infestação, possibilitando o direcionamento de ações. É um método de combate ao mosquito Aedes Aegypti que utiliza armadilhas para coletar os ovos do mosquito. O uso de Ovitrampas permite identificar e mapear áreas de risco, possibilitando ações direcionadas de combate ao mosquito de forma eficiente e econômica. O projeto Ovitrampas foi uma iniciativa da FIOCRUZ/FGV (MS), em 2023. No Ceará, o mapeamento teve seu início em fevereiro de 2024, em 10 cidades, incluindo Horizonte, o mapeamento gerado pela FIOCRUZ é utilizado para auxiliar a Secretaria de Saúde, com recomendações para direcionamento e monitoramento de ações contra o mosquito.
Identificar as áreas vulneráveis para a presença de focos do mosquito Estabelecer as ações de combates ao vetor, reduzindo o risco de transmissão dessas arboviroses Facilitar no fechamento dos casos, pelo critério clínico epidemiológico.
A experiência está sendo executada desde fevereiro de 2024 até o momento atual, previamente foi realizado através da regional de Saúde, uma capacitação para uso da metodologia, formando 04 multiplicadores. Após a capacitação foram treinados 45 agentes de combate às endemias para execução do trabalho proposto. As armadilhas são distribuídas em residências e comércios previamente selecionados e cadastrados, são preenchidas com água e levedo de cerveja,que atraem as fêmeas do mosquito, sendo instaladas na primeira semana de cada mês e retirada após 5 dias, os ovos são coletados em uma palheta de MDF-Eucatex e são enviados para o laboratório, onde passa pela contagem e após essa etapa as informações são adicionadas no sistema CONTAOVOS.DENGUE, informações essas que são compartilhadas e acompanhadas pelo município de Horizonte e pelo estado através da COADS Cascavel, gerando assim mapas de calor que indicam as regiões de maior infestação de mosquitos, que auxiliam os supervisores na tomada de decisão e priorização das ações de combate ao vetor, ações essas que incluem, aplicação com bombas costais motorizadas para bloqueio de transmissão de arboviroses, mobilização comunitária juntos com os agentes comunitários de saúde e outras intervenções nos locais de maiores positividades de ovos.
No ano de 2024 o município iniciou a instalação das ovitrampas, tendo em Fevereiro (mês que iniciou o projeto) 125 armadilhas instaladas e com um índice de positividade de 17%, no decorrer do ano foi possível identificar variações de 75% em abril e 73% em março, o período chuvoso, já nos meses de estiagem foi identificado baixos índices de positividades. Com as ovitrampas foi feito um comparativo dos índice de infestações, utilizado para identificar as áreas vulneráveis. -2023: 1º: 2,3% 2º: 5,6% 3º: 2,1% 4º: 0,8% - 2024: 1º: 3,0% 2º: 4,1% 3º: 2,8% 4º: 1,2 O município obteve a redução de transmissão, devido a instalação das ovitrampas, tendo assim o controle dos criadouros, pois tem-se o período para retirar as armadilhas e assim retirar os ovos antes da eclosão.
A utilização das Ovitrampas mostrou-se como uma estratégia eficiente para o monitoramento e controle do Aedes aegypti, permitindo a identificação de áreas vulneráveis e a implementação de ações preventivas mais direcionadas. A análise dos dados coletados ao longo de 2024 demonstra que essa metodologia tem impacto considerável na redução do risco de transmissão de arboviroses ao interromper o ciclo de reprodução do mosquito antes da eclosão dos ovos. Além disso, a integração das informações ao sistema digital facilita a tomada de decisão pelas autoridades de saúde, tornando o combate ao vetor mais ágil e eficaz.