Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
JEOVANIA SOUZA DE ALBUQUERQUE
Coautor(es)
Dalila Moreira Fernandes
Carine Meres Albuquerque Ximenes
Jaqueline Yone Azevedo Moreira
BIATRIZ DE ASSIS VASCONCELOS
Juliana Veras Pelucio Chagas
Mariana Ximenes Albquerque Souza
Silvia Silanne Ximenes Aragão
Sabrícia de Fátima Sousa Albuquerque
Maria Marinne Albuquerque Araújo
Elizangela Mesquita de Assis
As práticas corporais são estratégias fundamentais para promoção da saúde e prevenção de doenças, especialmente entre mulheres, que muitas vezes enfrentam sobrecarga de trabalho, sedentarismo e dificuldades de acesso ao autocuidado. O Projeto é desenvolvido nos Centros de Saúde da Família da sede do Município de Coreaú. O município é localizado na Zona Norte do estado, possui uma população estimada em aproximadamente 22 mil habitantes, com características rurais e desafios comuns no interior nordestino, como barreiras geográficas de acesso e alto percentual populacional de vulnerabilidade. O projeto iniciou em julho de 2025 e existe até os dias atuais, com foco na promoção da saúde de mulheres com idade entre 25 a 69 anos, preferencialmente. A iniciativa surgiu diante da alta prevalência de sedentarismo, queixas relacionadas à saúde mental, dores musculoesqueléticas e doenças crônicas entre o público feminino atendido na Atenção Primária. O cenário de implantação foi o território adscrito as equipes de Estratégia Saúde da Família da Sede, utilizando espaços da própria unidade e áreas comunitárias, como praças públicas. O público-alvo incluiu mulheres em idade fértil e/ou situação de vulnerabilidade social, com baixa adesão a práticas de autocuidado e atividade física. A proposta consistiu na oferta de práticas corporais regulares como estratégia de cuidado integral, considerando aspectos físicos, emocionais e sociais. A ação se justifica pela necessidade de fortalecer a promoção da saúde e a prevenção de agravos assim como incentivar o protagonismo feminino e a construção de vínculos comunitários. Além disso, o cuidado integral da mulher é uma diretriz do Sistema Único de Saúde, reforçando a importância de ações coletivas e preventivas.
Objetivo Geral: Promover a saúde e o bem-estar de mulheres por meio da implementação de práticas corporais no âmbito da Atenção Primária à Saúde. Objetivos Específicos: •Incentivar a prática regular de atividade física •Reduzir o sedentarismo e fatores de risco para doenças crônicas •Melhorar a saúde mental e a autoestima •Fortalecer vínculos entre usuárias e equipe de saúde •Estimular o autocuidado e a autonomia das mulheres •Ampliar o acesso a ações de promoção da saúde no território.
O Projeto é conduzido pelo Profissional de educação física da equipe multiprofissional da Atenção Primária, com apoio de agentes comunitários de saúde na mobilização das participantes. Inicialmente, realizou-se levantamento das principais demandas do território, identificando mulheres com interesse ou necessidade de participação. Foi criado também um fluxo de encaminhamento através da prescrição medica e de enfermagem para consultas individuais com o educador físico e o encaminhamento para o grupo de práticas corporais. O público alvo de participação no projeto são Mulheres adultas e idosas cadastradas na unidade de saúde (ESF/UBS), especialmente: Sedentárias, com doenças crônicas e/ou em situação de vulnerabilidade social. Desta Forma, desde a criação do projeto, 150 mulheres já participaram do projeto. Atualmente, 40 mulheres estão participando ativamente do grupo. As atividades são organizadas em dois encontros semanais, com duração média de 60 minutos, incluindo alongamentos, caminhadas orientadas, exercícios funcionais leves, dança e práticas de relaxamento. As ações ocorreram em espaços acessíveis, favorecendo a adesão. Os Recursos utilizados para realização dos encontros são: Espaço adequado, Colchonetes, Aparelho de som, Materiais educativos e kits para circuito. Foram utilizadas estratégias de educação em saúde, rodas de conversa e acompanhamento contínuo das participantes. O fluxo incluiu acolhimento, avaliação inicial, participação nas atividades e monitoramento periódico. Parcerias com equipamentos comunitários contribuíram para viabilizar os encontros. Instrumentos simples, como listas de presença, registros em prontuário PEC – CDS e acompanhamento de indicadores clínicos, são utilizados. A avaliação continua ocorre através da avaliação antropométrica e bioimpedância das mulheres que participam do grupo com periodicidade de 02 meses entre as avaliações. Além de aplicação de questionário de satisfação com as participantes. A execução ocorre em etapas: planejamento, mobilização, implementação das atividades e avaliação contínua.
Observou-se aumento da adesão das mulheres às atividades coletivas, com participação regular e fortalecimento do vínculo com a equipe de saúde. Houve melhora referida na disposição física, redução de dores corporais e diminuição de sintomas de ansiedade e estresse. Indicadores como frequência nas atividades, relatos de bem-estar e monitoramento de pressão arterial e peso evidenciaram impactos positivos. Também foi identificada maior participação das usuárias em outras ações da unidade. A iniciativa contribuiu para a promoção do autocuidado, ampliação do acesso às práticas de saúde e fortalecimento da abordagem preventiva. Além disso, favoreceu a criação de espaços de convivência e apoio social entre as participantes. De acordo com os indicadores avaliados: 90% das participantes relataram no questionário de avaliação estarem satisfeitas com o grupo, 40% tiveram alguma perda de peso, 70% relataram diminuição das dor corporais e 95% das mulheres tiveram melhora da disposição e bem-estar para realizar as atividades diárias.
A experiência tem demostrado que práticas corporais na Atenção Primária são estratégias efetivas, de baixo custo e com grande potencial de impacto na saúde da mulher. A ação tem possibilitado integração entre cuidado físico e emocional, além de fortalecer vínculos comunitários. Destaca-se o potencial de replicabilidade em outros territórios, considerando a simplicidade da implementação e o uso de recursos disponíveis. A sustentabilidade depende do engajamento da equipe e da continuidade das ações. A iniciativa contribui para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde ao ampliar ações de promoção da saúde, prevenção de doenças e cuidado integral