Tema: SAÚDE MENTAL
Autor(a)
Mariana Maria da Silva Arruda
Coautor(es)
Karine Martins Nobre
Maria Marfisa Marques Aguiar
Janiele Avelino Vale
O desenvolvimento infantil é um processo complexo e dinâmico, especialmente para crianças atípicas, que podem apresentar desafios neurológicos, cognitivos e sociais. A literatura científica destaca a importância do estímulo precoce no fortalecimento das conexões neurais, promovendo ganhos significativos no desenvolvimento motor, cognitivo e socioemocional. No entanto, a crescente exposição de crianças a dispositivos eletrônicos tem gerado preocupações, particularmente no caso das crianças atípicas, que podem apresentar maior sensibilidade a estímulos visuais e dificuldades na regulação sensorial. Estudos recentes apontam que o uso excessivo de telas pode impactar negativamente o desenvolvimento da linguagem, a atenção e a interação social, comprometendo a eficácia das intervenções terapêuticas. Diante desse cenário, o Clubinho Girassol, programa Multidisciplinar que oferece terapias para crianças atípicas, promove campanhas para a diminuição do uso de telas e da importância do brincar. Esse Estimulo se inicia na sala de Espera, enquanto a criança aguarda os atendimento. O principal objetivo é estimular abordagens terapêuticas livres de dispositivos eletrônicos para melhor favorecer o desenvolvimento global e melhorar a qualidade de vida dessas crianças e suas famílias, além de preparara-lo para um melhor desempenho ao longo do atendimento.
Descrever a implantação de uma Sala de Espera mais Lúdica, com estímulos de jogos de raciocínio lógicos, pinturas, expressões artísticas e corporais e livre de telas. A iniciativa busca estabelecer melhores resultados terapêuticos, preparando a criança para o ambiente de estimulação. Dessa forma, o serviço objetiva não apenas tratar as condições de neurodesenvolvimentos, mas também fortalecer a afirmativa de que telas são prejudiciais ao desenvolvimento e fortalecer o cuidado e a qualidade de vida dessas crianças.
O fluxo inicia-se com o encaminhamento pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS), seguido por triagem médica com a aplicação da escala M-CHAT para rastreamento precoce de atrasos no desenvolvimento. Com base nos resultados, as crianças são direcionadas à equipe multiprofissional, que inclui psicólogos, nutricionista, psicopedagoga, fonoaudiólogo e odontopediatria. Esse acompanhamento integrado possibilita intervenções precoces e um cuidado mais efetivo. Durante a espera para esses atendimentos, o Clubinho Girassol adotou medidas para melhorias da qualidade dos mesmos. A primeira iniciativa, veio da observação de como o uso de telas tanto dos pais como das crianças, frequentemente causavam crises e até mesmo recusa da entrada nas salas de terapia ou atendimento médico. Iniciamos se assim, uma campanha de zero telas dentro do estabelecimento. O segundo passo foi a contratação de profissionais adequados para fazer atividades direcionadas com essas crianças durante o período de aguardo. Atualmente, as atividades ficam a cargo de uma psicopedagoga e também técnica em enfermagem. As atividades desenvolvidas variam de acordo com a quantidade e idade das crianças na sala de espera, vão desde a pinturas simples, pinturas de gesso, montagem de quebra cabeça, jogos da memória ou até mesmo dança, canto e atividades ao ar livre. As famílias também são incluídas nesse processo, participando de momentos de orientação enquanto aguardam o atendimento.
O serviço de estimulação neurológica na sala de espera do atendimento no Clubinho Girassol tem gerado resultados significativos para o melhor aproveitamento e rendimento terapêutico dentro do Clubinho Girassol. O impacto é notório, principalmente quando o atendimento é Clinico (neuropediatrico e Clinico Geral). Quando o uso de telas era permitido, inúmeras vezes, foi presenciado crises sensoriais, devido ao tempo de espera, logo é possível ver uma redução nesses casos. Além disso, o ambiente terapêutico fica mais chamativo, fazendo com que as crianças queiram ficar mais tempo, sem que o período de espera seja relacionado a algo tedioso. Para os pais e responsáveis, também é possível observar como algo positivo, pois frequentemente os mesmos sentam para desempenhar tarefas com os filhos, fortalecendo vínculos, além de ficarem melhor informados durante as rodas de conversas, buscando mais informações obre seus direitos, principalmente sobre Passe Livre.
A estruturação adequada de uma sala de espera para crianças atipicas não é apenas uma questão de conforto, mas uma necessidade essencial para garantir um ambiente acolhedor, seguro e estimulante. Crianças como Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), podem apresentar sensibilidades sensoriais, dificuldades na regulação emocional e desafios na interação social. Dessa forma, um espaço planejado com estímulos adequados e controlados pode reduzir a ansiedade, facilitar a adaptação ao atendimento e proporcionar experiências mais positivas tanto para as crianças quanto para suas famílias. Os resultados deste projeto demonstram que salas de espera bem estruturadas, com brinquedos sensoriais, jogos de raciocínio logico e minimização de estímulos excessivos, podem contribuir significativamente para o bem-estar das crianças, tornando o atendimento mais eficaz e humanizado. Assim, reforça-se a necessidade de repensar os espaços de espera em clínicas e consultórios, adotando práticas baseadas em evidências para melhor atender às necessidades das crianças atipicas. Investir em uma sala de espera inclusiva não é apenas uma melhoria estrutural, mas um compromisso com a acessibilidade.