Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Janaína Rocha de Sousa Almeida
Coautor(es)
Erlemus Ponte Soares
Emanuella Carneiro Melo
Natássia Lopes Cunha Guerra
A primeira infância é um período crítico para o desenvolvimento humano, com impactos duradouros na saúde, aprendizagem e qualidade de vida. No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a Atenção Primária à Saúde (APS) assume papel estratégico na promoção do desenvolvimento infantil, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. No município de Fortaleza (CE), identificou-se a necessidade de qualificar o acompanhamento do desenvolvimento de crianças de 0 a 3 anos, diante de lacunas na detecção precoce de atrasos e na oferta de estímulos adequados. Como resposta, foram implantados 22 Núcleos de Desenvolvimento Infantil (NDI) em unidades da APS. Os NDI consistem em espaços estruturados, com ambiência adequada e recursos específicos para o estímulo ao desenvolvimento infantil, onde atuam equipes multiprofissionais. A iniciativa tem como público-alvo crianças na primeiríssima infância ( 0-3 anos) e seus cuidadores, com foco na promoção do desenvolvimento integral, orientação familiar e identificação precoce de alterações. A experiência justifica-se pela necessidade de fortalecer práticas de cuidado integral, ampliar o acesso a ações de promoção do desenvolvimento e qualificar a resposta da APS às demandas da primeira infância, alinhando-se às políticas públicas voltadas à saúde da criança.
Objetivo geral: Promover o desenvolvimento integral de crianças de 0 a 3 anos no âmbito da Atenção Primária à Saúde, por meio da implantação de Núcleos de Desenvolvimento Infantil em Fortaleza. Objetivos específicos: •Ampliar o acesso a ações de promoção do desenvolvimento infantil na APS •Realizar acompanhamento sistemático do desenvolvimento de crianças na primeiríssima infância •Identificar precocemente atrasos no desenvolvimento e realizar encaminhamentos oportunos •Fortalecer o cuidado multiprofissional e interdisciplinar •Qualificar a orientação aos cuidadores sobre práticas de estímulo ao desenvolvimento infantil •Integrar ações de promoção, prevenção e cuidado no território.
Trata-se de um relato de experiência sobre a implantação dos Núcleos de Desenvolvimento Infantil no município de Fortaleza (CE). A iniciativa foi desenvolvida no âmbito da APS, com a estruturação de 22 núcleos distribuídos nas unidades de saúde do município. Os núcleos foram organizados em salas equipadas com materiais lúdicos, educativos e instrumentos de apoio à avaliação e ao estímulo do desenvolvimento infantil. A operacionalização envolve equipes multiprofissionais, incluindo profissionais da atenção básica, que atuam de forma integrada no cuidado à criança e à família. O fluxo de atendimento inicia-se com a captação das crianças pelas equipes de saúde, seguida de avaliação do desenvolvimento infantil e inclusão em atividades individuais e/ou coletivas de estimulação precoce. As ações incluem acompanhamento longitudinal, orientação aos cuidadores, registro das informações em prontuário e, quando necessário, encaminhamento para outros pontos da rede de atenção. A implementação contou com etapas de planejamento, definição de diretrizes, qualificação das equipes e organização dos processos de trabalho. Destaca-se a articulação entre gestão e equipes assistenciais, além da integração com outros setores quando necessário. A experiência baseia-se em abordagens centradas na família e no território, com foco na promoção do desenvolvimento infantil e na integralidade do cuidado.
A implantação dos 22 Núcleos de Desenvolvimento Infantil ampliou significativamente a oferta de ações voltadas à primeira infância no âmbito da APS em Fortaleza. A estratégia possibilitou maior acesso das crianças a atividades sistematizadas de promoção do desenvolvimento infantil. Observou-se fortalecimento do trabalho multiprofissional, com maior integração entre as equipes e qualificação dos processos de cuidado. Os núcleos favoreceram a realização de avaliações mais estruturadas do desenvolvimento infantil, contribuindo para a identificação precoce de alterações e encaminhamentos mais oportunos na rede de atenção. A iniciativa também impactou positivamente na orientação aos cuidadores, promovendo maior participação familiar no cuidado e no estímulo ao desenvolvimento das crianças. Do ponto de vista da gestão, a experiência contribuiu para a organização de fluxos assistenciais, fortalecimento da vigilância do desenvolvimento infantil e ampliação da resolutividade da APS. Os resultados indicam que a estruturação de espaços específicos e o trabalho multiprofissional são elementos centrais para qualificar a atenção à primeira infância no SUS.
A implantação dos Núcleos de Desenvolvimento Infantil evidenciou que a organização de espaços estruturados na APS, aliada ao trabalho multiprofissional, potencializa a promoção do desenvolvimento infantil e qualifica o cuidado na primeira infância. Como principal aprendizado, destaca-se a importância da integração entre gestão e equipes assistenciais, da centralidade na família e da incorporação de práticas sistematizadas de acompanhamento do desenvolvimento. A experiência apresenta alto potencial de replicabilidade em outros contextos municipais, por utilizar recursos disponíveis na APS e reorganizar processos de trabalho sem necessidade de alta complexidade tecnológica. Sua sustentabilidade está relacionada à institucionalização da estratégia, à qualificação permanente das equipes e à articulação em rede para continuidade do cuidado. A iniciativa contribui para o fortalecimento do SUS ao ampliar o acesso, qualificar a atenção à saúde da criança e reforçar os princípios da integralidade, equidade e coordenação do cuidado na Atenção Primária.