Autor(a)
MARIANA RODRIGUES BEZERRA
Coautor(es)
ANTÔNIA GERMANA ARAÚJO MARTINS
GERMANA CORREIA MESQUITA
A experiência em foco surgiu da necessidade de aprimorar o fluxo de comunicação e referência entre a Atenção Primária à Saúde (APS) e a unidade hospitalar municipal de Reriutaba, visando otimizar a continuidade do cuidado ao usuário. Diante desse desafio, a Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com a coordenação da APS e a coordenação do hospital, desenvolveu um instrumento de referência e contrarreferência, com o propósito de garantir um atendimento mais integrado e eficaz. Essa ferramenta foi estruturada para ser preenchida pelos profissionais de nível superior que atuam tanto na APS quanto no hospital, funcionando como um meio de fortalecer o vínculo entre os diferentes níveis de atenção à saúde. Além disso, busca assegurar que o usuário permaneça assistido de maneira contínua, alinhando-se ao princípio doutrinário da integralidade do Sistema Único de Saúde (SUS). A efetivação desse processo de comunicação é essencial para garantir manejos clínicos mais adequados e oportunos, promovendo um atendimento resolutivo e qualificado. Com essa perspectiva, o instrumento de referência e contrarreferência foi oficialmente implantado em janeiro de 2024, abrangendo todas as nove Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município de Reriutaba. A implementação desse recurso reforça o compromisso com a melhoria da qualidade da assistência prestada, evidenciando a importância da articulação entre os níveis de atenção.
Aprimorar a comunicação entre a APS e a unidade hospitalar municipal de Reriutaba por meio da implantação de um instrumento padronizado de referência e contrarreferência, promovendo a continuidade do cuidado, a integralidade da assistência e a otimização do fluxo de atendimentos entre os diferentes níveis de atenção à saúde.
A construção do instrumento de referência e contrarreferência ocorreu de forma colaborativa, por meio de reuniões entre a coordenação da APS e a coordenação do hospital, posteriormente o instrumento foi apresentado aos profissionais que tiveram oportunidade de alterar/acrescentar, caso achasse necessário. Dessa forma, o relatório contempla: identificação do paciente, sinais vitais (pressão arterial, saturação de oxigênio, glicemia capilar, frequência cardíaca e frequência respiratória). No caso de gestantes, foram acrescentados campos específicos para idade gestacional (IG), paridade e a notificação de possíveis intercorrências. Além disso, o documento permite o registro de comorbidades, medicações de uso crônico e recente, motivo do encaminhamento e, por fim, um espaço destinado à contrarreferência, garantindo o retorno das informações sobre o atendimento prestado no hospital, sendo este acrescentada no relatório de alta, no qual é fornecida 2 vias, uma para o paciente e outra a assistente social do hospital para a mesma fazer a ponte com a assistente social da APS, garantindo o cuidado integral do paciente. A ferramenta também beneficia usuários que apresentam dificuldades na comunicação de suas queixas ou que não possuem acompanhantes para intermediar essas informações. Além de sua funcionalidade assistencial, o instrumento foi desenvolvido com um formato simplificado e de fácil preenchimento, permitindo que os profissionais realizem seu uso de maneira eficaz.
A implantação do relatório interno de encaminhamento resultou em uma significativa melhoria na comunicação entre os serviços da rede de atenção à saúde, especialmente entre a APS e a unidade hospitalar municipal. Com a implementação do relatório, observou-se um fluxo mais ágil e estruturado, beneficiando tanto os profissionais de saúde quanto os usuários, que passaram a contar com uma assistência mais coordenada e segura. Além de otimizar a comunicação entre os serviços, essa estratégia também se destaca como uma ferramenta de fortalecimento da Rede de Atenção à Saúde (RAS), visto que possibilita maior integração entre os níveis assistenciais. Outro ponto positivo é o seu baixíssimo custo financeiro, o que reforça sua viabilidade como uma solução sustentável para a gestão da atenção à saúde no município. Atualmente, o instrumento apresenta uma boa adesão por parte das UBS, que têm utilizado o relatório sempre que necessário. No entanto, ainda há desafios relacionados à contrarreferência, ou seja, ao retorno das informações sobre o estado do paciente à APS. Em alguns casos mais complexos, essa lacuna tem sido suprida pela atuação da assistente social do hospital, garantindo que as informações relevantes cheguem até sua UBS de origem. Dessa forma, a implantação desse relatório tem se mostrado uma iniciativa valiosa, contribuindo para um atendimento mais qualificado e integrado, além de fortalecer a articulação entre os diferentes serviços de saúde do município.
O relatório interno de encaminhamento foi desenvolvido como uma estratégia de aprimorar a comunicação entre os serviços da RAS. A ferramenta apresenta uma boa aceitação por parte dos profissionais, demonstrando seu potencial para otimizar o fluxo de encaminhamentos e fortalecer a continuidade do cuidado. Ao ser utilizado, o relatório permite que a APS, enquanto ordenadora do cuidado, acompanhe com maior precisão os pacientes que necessitam de internação hospitalar. A padronização das informações preenchidas na ficha contribui para uma comunicação mais clara e objetiva entre os profissionais, reduzindo falhas na transmissão de dados essenciais sobre o estado clínico do paciente possibilitando que o hospital receba todas as informações necessárias de forma organizada, favorecendo um atendimento centrado nas necessidades do paciente. Dessa forma, evidencia que pequenas intervenções podem gerar grandes avanços na qualidade do cuidado prestado. Com a ampliação do uso e o aprimoramento contínuo desse processo, espera-se que a comunicação na rede de saúde se torne cada vez mais eficiente, pretendendo-se estender seu uso para os demais pontos da rede do município de Reriutaba, como o CAPS.