Tema: MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE
Autor(a)
Sabrine Vasconcelos Guimarães
Coautor(es)
Tereza Doralucia Rodrigues Ponte
Jéssica Maria Alves de Pinho
Lyana Linhares de Sousa Silva
Heryca Laiz Linhares Balica
O cuidado às crianças com transtornos do neurodesenvolvimento, especialmente o Transtorno do Espectro Autista (TEA), representa um desafio crescente para o Sistema Único de Saúde (SUS), exigindo não apenas encaminhamentos, mas a construção de uma rede de atenção qualificada, integrada e corresponsável. No município de Varjota–CE, o aumento das demandas relacionadas ao neurodesenvolvimento evidenciou fragilidades no manejo clínico, resultando em encaminhamentos recorrentes, sobrecarga da atenção especializada e limitações no suporte às famílias. Diante desse cenário, foi implantada a estratégia de apoio matricial no Núcleo de Atendimento à Atenção Especializada (NAATEA), com o objetivo de transformar as práticas em saúde por meio da qualificação das equipes, fortalecimento da Atenção Primária e reorganização da rede de cuidado. A iniciativa fundamenta-se nos princípios da integralidade, equidade e cuidado em rede, promovendo corresponsabilização entre os serviços e ampliação da resolutividade no território.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Descrever a experiência de implantação do apoio matricial em neurodesenvolvimento no município de Varjota–CE, com foco na qualificação do cuidado às crianças com transtornos do neurodesenvolvimento. Busca-se promover a corresponsabilização entre os serviços da rede de atenção à saúde, qualificar o manejo clínico e psicossocial das equipes, fortalecer a educação permanente em saúde, ampliar a resolutividade da Atenção Primária e reorganizar os fluxos assistenciais, reduzindo encaminhamentos desnecessários. OBJETIVOS ESPECÍFICOS •Promover a corresponsabilização entre os serviços da rede •Qualificar o manejo das equipes •Fortalecer a educação permanente •Ampliar a resolutividade da Atenção Primária •Reorganizar os fluxos assistenciais •Fortalecer o vínculo com as famílias.
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido no contexto do SUS, a partir da implantação do apoio matricial em neurodesenvolvimento no município de Varjota–CE. A estratégia foi operacionalizada por meio de encontros quinzenais presenciais, envolvendo aproximadamente 11 profissionais da rede, incluindo psicologia, nutrição, educação física, fonoaudiologia, psicopedagogia e coordenação local, configurando uma atuação interprofissional. As ações incluíram discussão de casos clínicos, atendimentos compartilhados, construção de Planos Terapêuticos Singulares (PTS), atividades de educação permanente em saúde, oficinas com famílias e articulação intersetorial com saúde, educação e assistência social. A metodologia priorizou a aprendizagem em serviço, a escuta qualificada e a construção coletiva do cuidado, com foco na integração entre os níveis de atenção.
A implementação do matriciamento vem produzindo avanços significativos na organização do cuidado em neurodesenvolvimento no município. Observa-se fortalecimento da corresponsabilização entre Atenção Primária e atenção especializada, aumento da segurança técnica das equipes no manejo dos casos e melhoria na articulação da rede de atenção à saúde. Houve também maior clareza na organização dos fluxos assistenciais, ampliação da identificação precoce de crianças com sinais de atraso no desenvolvimento e redução de encaminhamentos desnecessários. Destaca-se ainda o fortalecimento do vínculo com as famílias e o aumento da adesão ao cuidado, indicando impacto positivo na qualificação da assistência e na resolutividade da rede, mesmo em fase inicial de implementação.
O apoio matricial em neurodesenvolvimento configura-se como uma estratégia potente para qualificação do cuidado no SUS, ao promover integração entre os serviços, fortalecimento da Atenção Primária e ampliação da resolutividade. Mesmo em fase inicial, a experiência evidencia mudanças significativas nas práticas em saúde, com impacto positivo na organização da rede e no cuidado às crianças e suas famílias. Destaca-se seu potencial como ferramenta estruturante do SUS, com elevada capacidade de replicação em outros territórios, contribuindo para um modelo de atenção mais integrado, resolutivo e centrado na pessoa.