Autor(a)
Ana Clara Costa Mendes
Coautor(es)
Maria Luisa Maurício Lopres
Sandi Roque do Amaral
O declínio das Coberturas Vacinais (CV) vivenciado nos últimos anos é global, intensificando-se durante o período pandêmico contra a COVID-19 devido o distanciamento entre o usuário e as Unidades de Atenção Primária à Saúde a instabilidade nos sistemas de informação, que dificultou o monitoramento da situação vacinal das crianças o enfoque aos imunobiológicos contra a COVID-19 e a hesitação vacinal que foi considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2019, estar entre as 10 maiores ameaças globais à saúde. O fortalecimento dos movimentos anti-vacina nas redes sociais com a disseminação de fake news, aceituaram a rejeição da vacinação e a distanciou a população das salas de vacina. Enquanto vivenciava este cenário, a gestão municipal em saúde de Tabuleiro do Norte percebeu-se que as 13 equipes de Estratégia Saúde da Família (ESF), 09 Unidades de Atenção Primária à Saúde (UAPS), 10 salas de vacina e uma rede de frios abastecida não foram suficientes para garantir a cobertura adequada nas vacinas preconizadas para as crianças. Apontando assim, para a necessidade da reorganização das estratégias e uso de ferramentas para reaproximar à imunização da população.
O presente trabalho objetiva relatar o uso do meio digital na Atenção Primária a Saúde do município de Tabuleiro do Norte para alcance e manutenção das coberturas vacinais de crianças e adolescentes.
O trabalho trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, onde se buscou descrever e analisar o uso do meio digital por gestores e profissionais da Atenção Primária à Saúde do município de Tabuleiro do Norte durante os anos de 2023 e 2024 para reconquista das Coberturas Vacinais. O processo de trabalho organizou-se, didaticamente, em 04 etapas contínuas, sendo estas: diagnóstico da realidade, planejamento das ações, intervenções e monitoramento. A execução de todas as etapas estiveram diretamente associada ao uso de meios tecnológicos que facilitaram e potencializaram o alcance dos objetivos, sejam eles: uso de servidores, dashboards, Power BI, aplicativos, planilhas e drives, contato telefônico, produção de mídias visuais e uso de redes sociais.
Diagnóstico da realidade: foi realizada a capacitação de todos os 78 Agentes Comunitários de Saúde (ACS) para o manuseio do aplicativo e-SUS território instalados nos smatphones para manterem os cadastros individuais e domiciliares atualizados e gerar conformidade entre os dados do e-SUS e a realidade. Através de um drive de monitoramento foram cruzadas as informações de sistema, cartão controle e sombra. Planejamento: O power Bi apontou quais crianças estavam em atraso vacinal e a análise da equipe possibilitou definir a priorização das ações. Intervenções: Foram reproduzidos vídeos com profissionais dialogando sobre imunização convite de crianças para participação dos dias D criação de grupos de whatsapp realizadas ligações telefônicas para responsáveis de crianças em atraso vacinal Monitoramento: O dashboard e Power BI são tecnologias em saúde que direcionam as ações de busca ativa, oferecendo dados atualizados sobre a real situação do município. A comprovação da eficácias destas ferramentas se dão ao analisar que em Tabuleiro do Norte, durante o ano de 2022, apenas 3 imunobiológicos alcançaram CV adequada em crianças menores de 01 ano Durante 2023, o município manteve-se nos três quadrimestre acima da meta de 95% preconizada pelo indicador cinco do programa Previne Brasil, que avalia a proporção de crianças vacinadas com a vacina pentavalente e poliomielite inativa e em 2024 todas as vacinas preconizadas para a faixa etária alcançaram a cobertura vacinal adequada.
Conclui-se que o meio digital dispõe de diferentes ferramentas que permeiam todo o processo de trabalho na busca ativa vacinal, sendo crucial para o reconhecimento dos problemas enfrentados e as devidas soluções. As ações no território devem ser dinâmicas, e por isso sabe-se da necessidade do trabalho com impacto e ágil, e através de tecnologias em saúde assertivas torna-se possível. Sabe-se que já é uma realidade a retomada das coberturas vacinais e faz-se necessário informatizar as ações em saúde, através da integração de sistemas, o uso de ferramentas de monitoramento e dos meios de comunicação.